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A ESTÉTICA DA DESAPARIÇÃO DE PAUL VIRILIO [ESTUDOS]

A ESTÉTICA DA DESAPARIÇÃO DE PAUL VIRILIO [ESTUDOS]

1. a perspectiva de Paul Virilio:

I – “Velocidade e Política”; “O espaço crítico”; “Máquina de visão”;

II – Virilio, Paul, “A máquina de visão”. José Olympio, São Paulo, 1994. [capítulo 5].

2. críticas a Paul Virilio:

Parente, André – “Redes que a razão desconhece”; “Imagem autoreferente, virtual…” (a partir de Deleuze & Serres);

1° INÍCIO DAS FORMULAÇÕES CRÍTICAS:

Virilio, em “Velocidade e Política” – ditadura do movimento; sociedade dromocrática.

ESTÉTICA DA EMERGÊNCIA

“O grande assalto está por toda parte”.

“Um capitalismo transformado em jet-set e bancos de dados instantâneos (…); toda uma ilusão social subordinada, na verdade, à estratégia da guerra fria. Não nos enganemos: os drop-out, geração beat, automóveis, trabalhadores migrantes… tudo fica sob a hierarquia do Estado (Estado-maior), que controla cada vez mais, do pedestre ao foguete, do metabólico ao tecnológico” (p. 113).

Tese: “Quanto mais cresce a rapidez, mais decresce a liberdade”.

“A violência da velocidade tornou-se, simultaneamente, o lugar e a lei, o destino e a destinação do mundo”.

PENSADORES DA TÉCNICA: DIMENSÕES DE CRÍTICA

PENSADORES DA TÉCNICA: DIMENSÕES DE CRÍTICA

Mapeamento dos sentidos gerais da tecnologização do humano em vários filósofos sociais.

CLÁSSICOS

JOSÉ ORTEGA Y GASSET (1883-1955) (Nietzsche/Existencialismo)

image001Técnica vista enquanto “reino de mecanismo” sem autonomia própria no relacionamento com o homem. Contudo, ela é pré-requisito para o homem se dimensionar em seu mundo, em sua “circunstância” (a vida fabrica a si mesma). A história das invenções se deu em três grandes fases: “la técnica del azar”; “La técnica del artesano”, “la técnica del técnico”. Esta última fase seria a circunstância da primeira metade do século XX: a da “era do especialismo”, do “tecnicismo”, do progresso ilimitado. Um período determinado pela angústia do “homem-massa”, de desmoralização radical porque perdido na “abundância”, na velocidade descompassante: tempo de decadência dos costumes, de pulsões e novas barbáries. [Pensador de crítica conservadora].

WALTER BENJAMIN (1892-1940) (Marx/Messianismo/Romantismo alemão)

image002A evolução da técnica na modernidade levou à problematização das estruturas da experiência humana, tal como foram construídas pela subjetividade moderna. Viver-se-ia em um otimismo cego quanto ao progresso das ciências naturais. Rompe-se com a interpretação marxista do progresso: o início do século XX é analisado, de um lado, a partir de uma percepção de crise qualitativa da temporalidade fundada na rememorização (das experiências, das tradições, do “humanismo”), e, de outro lado, na esperança de ruptura revolucionária a partir das novas materialidades e realidades criadas. [Pensador de posição dupla: modernidade trouxe potências e impotências].

MARTIN HEIDEGGER (1889-1976) (Nietzsche/Hölderin/Hegel)

image003Técnica dentro de um discurso acerca de uma sua dimensão historial – sua temporalidade e essências próprias. A essência da técnica não ser deduzida apenas por uma “causa eficiente”. Ela define um mundo, uma mundanidade. O período histórico é visto, pois, por uma temporalidade marcada pela radicalização do “esquecimento do Ser”; na subsunção do homem à armação (Gestell), essência da técnica moderna; e do consequente perigo da instrumentalização total do mundo. [Pensador da urgência, do “perigo” diante da mobilização infinita].

HANNAH ARENDT (1906-1975) (Heidegger/Gregos)

image004Entendimento da técnica se encontra dentro do diagnóstico ontológico de Heidegger, influencia marcante. O período é marcado pela racionalização do mundo pela organização do trabalho na qual resultou no “confisco do tempo” da vida contemplativa. O período é de “triunfo do homo faber” e do utilitarismo sem sentido (“a utilidade, promovida à significância, gera ausência de significado”). A era moderna poderia ser dividida em três estágios: a era da máquina a vapor, a da eletricidade e a da automação. O mundo precisaria reaprender a separar o tempo do fazer, o tempo do cuidar e o tempo do contemplar. [Pensadora da reabilitação do sentido e do valor da política, da esfera pública; contra o mundo encerrado no labor, na tecnocracia].

JACQUES ELLUL (1912-1994) (Protestantismo/Pensamento político sec.XIX)

image005Técnica moderna se define pelo ganho de autonomia. A análise do fenômeno técnico subtrai o conceito de sistema técnico e a caracterização desse sistema determinada pelo: o automatismo da escolha técnica, o autodesenvolvimento, a indivisibilidade, o universalismo técnico, a racionalidade, a artificialidade, e a autonomia. O século XX seria marcado pela flexibilidade e acelerado desenvolvimento da técnica, trazendo um desafio para re-pensar as dimensões de sociabilidade, estética, religião, economia etc. A velocidade das mudanças exaure a capacidade humana de apreensão dos acontecimentos. A questão maior é a dessincronizações compressões temporais o aumento ilimitado da eficiência da realidade sistêmica na qual não leva em conta o homem. [Pensador “tecnofóbico”].

GEORG SIMMEL (1858-1918) (Neokantismo/Vitalismo)

image006Técnica é resultado de um movimento histórico de idolatria à “cultura objetiva”. Nas metrópoles, as técnicas formam as linguagens, leis, técnicas de produção, artes, ciências, objetos domésticos. Os ditames desta nova vida arregimentada com as tecnologias levam a uma impossibilidade de reconhecimento do tempo, das sensibilidades, emoções. O resultado são as neuroses urbanas, a perda da individuação: a “tragédia da cultura”. [Pensador das formas autonomizadas da modernidade].

FRIEDRICH W. NIETZSCHE (1884-1900)

image007As técnicas, as máquinas modernas invocam o projeto “colonizador” do homem, entregue a uma vontade de poder niilista “incondicionada”. O progresso da técnica e ciência desperta uma racionalidade: uma volição enquanto vontade de poder niilista, do homo faber – de uso, cálculo, dominação e destruição. A modernidade é dominada por um novo ideal ascético (a crença utilitarista) que significa regressão do tempo da vida para a apropriação tecnocientífica do mundo. Frente à realidade maquinal, o devir humano se encontra reduzido. Nietzsche questiona o antropocentrismo e a racionalidade moderna, buscando repensar as questões do ser, da natureza e o homem moderno [Pensador da relação progresso, niilismo, rebaixamento do humano].

 

CONTEMPORÂNEOS

MICHEL FOUCAULT (1925-1984) (Nietzsche/Heidegger)

image008A técnica, compreendida como dispositivo (hyponemata), é aquilo que define a produção de saber-poder; aquilo que define a formação de subjetividades, sejam elas sujeitadas ou não. Atualmente, a racionalidade tecnocientífica seria marcada pela desconsideração do cuidado de si das pessoas, seria marcada pela construção de biopoderes, de governamentalidade das pessoas, na verdade, produzindo uma organização do espaço e tempo enquanto sociedade disciplinar. [Pensador da arqueo-genealogias dos dispositivos modernos e suas consequências negativas].

PAUL VIRILIO (1932-) (Fenomenologia/Husserl /Espírito pós-moderno)

image005No universo high-tech da imediatez e das acelerações dos acontecimentos, a tecnologias consumam uma nova geopolítica, na verdade, uma cronopolítica, fundada na administração da velocidade e do tempo. “A corrida geral contra o tempo tornou-se precisamente o signo da sociedade pós-moderna”: uma verdadeira “pausa frenética”. [Pensador dos paradoxos da modernidade técnica].

HANS ULRICH GUMBRECHT (1948-) (Teoria Crítica/Teoria da Cultura)

image010Os dispositivos técnicos, especialmente as mídias modernas, desencadearam alterações profundas no corpo: contingências, multiplicidades, sentidos, personalidades múltiplas que interferem na percepção (tese da crise epistemológica “foucaultiana”). O tempo é marcado pelos processos de destemporalização, desubjetivação e desreferenciação.  Tensão entre a “mobilidade geral” (Lyotard) e a “ação amorfa”. [Teórico crítico das tecnologias contemporâneas e dos problemas epistemológicos].

BERNARD STIEGLER (1952-) (Husserl/Simondon/Foucault)

image011“As técnicas são formas de fabricação do homem”; ela é uma memória terciária, epifilogenética, entendida como exteriorização da memória. Não há interioridade que preceda a exterioridade. Stiegler gesticula a tese de que os movimentos de invenção e história das técnicas são simultâneos aos de invenção e história do homem; ambos embalam a posição de sujeito e de objeto na constituição do humano. A individuação técnica participa da individuações psíquicas e coletivas. O mundo contemporâneo exige cada vez mais pensar a organologia que se estabelece com estas individuações. Caso contrário, as dimensões hiperindustrial e de gramatização digital, que devem ser urgentes politizadas na cidadeserão tomadas por automatismo e transformação dos desejos em pulsões, para o consumo, para as arregimentações diversas, via neuropoder, hoje. [Pensador das ecologias industrais, das tecnologia de si, relacionais e de contribuição]. 

JEAN BAUDRILLARD (1929-2007) (Nietzsche/Marx/Simondon/McLuhan)

image012Técnica no século XX consolidou um sistema de objetos ampliado. As populações estão assim circunscritas neste sistema, que impulsa os ritmos de consumo e obriga as pessoas a “não perder o tempo” desses objetos. Com isso, os imaginários sociais mudam, a partir de uma hipersaturação de percepções, códigos, gerando simulacros. O cotidiano carrega a insígnia de que “tudo se move, tudo muda a olhos vistos, tudo se transforma e contudo nada muda”. Uma revolução sobre si mesmo, sem mudança estrutural: ausência de futura; ruptura com o passado; presente vazio [Pensador dos sistemas de objetos e da perda do sentido de real].

ISTVÁN MÉZÁROS (1930-) (Marx/Lukács/Teoria da Práxis)

mézarosTécnica moderna subordinada as populações ao imperativo da acumulação capitalista; a ideologia imputa o álibi do discurso de “progresso inevitável da tecnologia” e do controle do tempo como mercadoria. A temporalidade é forçada por um caráter histórico único que se satisfaz pela necessidade de reprodução sociometabólica do capital. [Atualizador da crítica marxista].

NOBERT ELIAS (1897-1990)

image013A técnica é causa/efeito dos problemas da sociedade industrializada de hoje; ela possibilitou um tipo muito peculiar de autodisciplina nos indivíduos: uma verdadeira cultura material com códigos, habitus… A tecnificação contemporânea leva a pensar na distinção e relação entre cultura (tradição, esfera da vida) e civilização (progresso, modernidade). O tempo cotidiano se torna símbolo cada vez maior de uma instituição social civilizadora. A tecnificação determina uma estrutura temporal que age na estrutura da personalidade dos indivíduos. [Pensador do processo civilizador e suas consequências].

 

Tecnologia, Comunicação, Política – McLuhan / Agamben / Maffesoli (Quadro comparativo)

Tecnologia e Comunicação – McLuhan & Agamben & Maffesoli (Quadro comparativo)

Três importantes autores para o campo da Comunicação & Tecnologia – um clássico e dois contemporâneos – são observados comparativamente no quadro. Destaca-se seus pontos-chave. (Para o intento, as principais fontes são: M. Mcluhan: Os meios de comunicação como extensão do homem & Galáxia Gutemberg; M. Maffesoli: Ritmo da vida & Conhecimento Comum; G. Agamben: O que é o contemporâneo & outros ensaios).

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Pintura, tecnologia e condição humana.

Pintura, tecnologia e condição humana.

“Em grego, tecknè, que na tradução ao latim havia ganhado a nomenclatura ars…”. A relação entre a arte e a técnica tem raízes etimológicas e filosóficas muito próximas. A história do pensamento ocidental demarca que somente quando apareceu a Enciclopédia de Diderot e D’Alembert a distinção se consumou. A Enciclopédia dedicou um artigo para realizar a distinção entre o conceito de artes manuais (técnica) e as outras artes, as “belas”. Contudo, seja para definir a si própria ou para pensar o mundo e a circunstância humana, as belas artes sempre tiveram como essencial o cenário antropotécnico. Pode-se dizer que uma autêntica fenomenologia da técnica poderia ser revelada a partir de um estudo apurado da pintura ocidental. Do Renascimento até os nossos dias, muitas paisagens, imaginários, demarcações de experiências e revoluções artísticas foram direta ou indiretamente movidas por meio do horizonte da “segunda natureza”. Obviamente, isso gerou muitas escolas e reflexões no campo artístico. Alguns exemplos captam este tipo de olhar na história da pintura, notadamente no século XX, momento de ruptura, de intensas “revoluções tecnológicas”. (Fontes: sites “WebGallery” e “El poder da la palavra”).

SOCIABILIDADE – SÉCULO XVII

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