[Ensino] Pensamento social brasileiro

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS / CÂMPUS NAVIRAÍ – CPNV / CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

PROFESSOR: EDNEI DE GENARO, Dr.

DISCIPLINA: PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO I (Carga horária: 60h)

Os operários 1933

OBJETIVO:

Apresentar e debater o pensamento social brasileiro, com enfoque na década de 1930. Discutir as principais ideias e os conceitos em relação ao tema, movimentando questões sobre a cultura, economia e política. Nomeadamente, a disciplina, passando pelos precursores e sucessores, se centrará na avaliação – e releituras críticas contemporâneas – de três pensadores: Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, nos anos 1930, e do marxista Caio Prado Júnior, momento pós-1930. Os seminários dos alunos enriquecerão as discussões, a partir da temática “O pensamento social brasileiro na literatura (1900-1930)”, sendo escolhidos os escritores: Euclides da Cunha, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Lima Barreto.

PROGRAMA:         

INTRODUÇÃO: o que é “pensamento social brasileiro”?

SCHWARCZ, L. M. & BOTELHO, A. Simpósio: cinco questões sobre o pensamento social brasileiro. Lua Nova, São Paulo, 82: 139-159, 2011.

DEPOIS DA “FORMAÇÃO”?

NOBRE, Marcos. “Depois da ‘formação’: cultura e política na nova modernização”. Revista Piauí. Tribuna livre da luta de classes, n°74, novembro, 2012.

Documentário:

Um sonho intenso. Direção: José Mariani. 2013, 102min.

PRECURSORES DO PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO

FRANSCISCO ADOLFO VARNHAGEN, a visão monárquica portuguesa

REIS, José Carlos. Anos 1850, Varnhagen: o elogio da colonização portuguesa. In: As identidades do Brasil: de Vernhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

Leituras em sala de aula:

– VARNHAGEN, Francisco Adolfo. História geral do Brasil. v. 3, São Paulo: Edusp, 1981. [Seleção de trechos]

– CARVALHO, José Murilo de. Brasil não soube assimilar entrada do povo na vida política. Folha de S. Paulo, seção Ilustríssima, 28/05/2017.

CAPISTRANO DE ABREU, em busca do povo brasileiro

– CAPISTRANO DE ABREU, José. Capítulos de história colonial. Brasília: Editora da UNB, 1982.

– REIS, José Carlos. Anos 1900: Capistrano de Abreu: o surgimento de um povo novo: o brasileiro. In: As identidades do Brasil: de Vernhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

INTERMEZZO

Ainda em busca do “povo brasileiro”?

 Filme: Terra em transe (1967, Glauber Rocha, 106min).

 Texto: STAM, Robert. Terra em transe. Discurso, v. 7, n. 7, Usp, São Paulo, 1976.

GERAÇÃO DE 1930

GILBERTO FREYRE

Interpretação:

FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2001. [Prefácio à 1ª. Edição; Capítulo 1; Capítulo 4].

Reinterpretação crítica:

SOUZA, Jessé de. Teatro de espelhos do patrimonialismo brasileiro. In: A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015.

SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

Interpretação:

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.

Reinterpretação crítica:

SOUZA, Jessé de. Cordial e colonizado até o osso. In: A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015.

 PÓS-GERAÇÃO DE 1930, A VISÃO MARXISTA

CAIO PRADO JÚNIOR

Interpretação:

PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. [“Introdução”; “Sentido da colonização”; “Economia”; “Grande lavoura”; “Organização social”; “Vida social e política”].

Reinterpretação crítica:

OLIVEIRA, Francisco de. O ornitorrinco. In: Crítica à razão dualista. São Paulo: Boitempo, 2003.

SEMINÁRIOS – “O pensamento social brasileiro na literatura (1900-1930)”

I – EUCLIDES DA CUNHA

Os sertões (1902) [Parte “O homem” – Itens I a IV].

II – OSWALD DE ANDRADE

Manifesto Antropófago (1928)

Manifesto da poesia pau-brasil (1924)

III – MÁRIO DE ANDRADE

Macunaíma (1928)

IV – MONTEIRO LOBATO

Urupês (1919)

V – LIMA BARRETO

Triste fim de policarpo quaresma (1915)

PROCEDIMENTOS:         

A disciplina se desenvolverá através de aulas expositivas e dialogadas, nas quais os alunos serão chamados ao debate das ideias e conceitos sobre o Pensamento Social Brasileiro, conceitos esses fundamentais presentes nos textos selecionados. O processo de ensino e aprendizagem englobará, ainda, a realização de atividades individuais e de seminários, bem como o exercício da pesquisa em diferentes fontes.

RECURSOS:           

Lousa, giz, computador e projetor multimídia para projeção de arquivos PowerPoint e vídeo. Livros, CD, consulta a sites, textos e outros recursos bibliográficos.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

ANDRADA E SILVA, José B. de. Projetos para o Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.

CAPISTRANO DE ABREU, José. Capítulos de história colonial. Brasília: Editora da UNB, 1982.

CARDOSO, Fernando Henrique. Pensadores que inventaram o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2001.

HOLANDA, Sergio B. de. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

NOBRE, Marcos. “Depois da ‘formação’: cultura e política na nova modernização”. In: Revista Piauí. Tribuna livre da luta de classes, n°74, novembro, 2012.

OLIVEIRA VIANNA, Francisco José. Instituições Políticas Brasileiras. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949.

OLIVEIRA, Francisco de. O ornitorrinco. In: Crítica à razão dualista. São Paulo: Boitempo, 2003.

PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

SCHWARCZ, L. M. & BOTELHO, A. Simpósio: cinco questões sobre o pensamento social brasileiro. Lua Nova, São Paulo, 82: 139-159, 2011.

SOUZA, Jessé de. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BARBOZA FILHO, Rubem. A modernização brasileira e o nosso pensamento político. Perspectivas, São Paulo, v. 37, p. 15-64, jan./jun. 2010.

BASTOS, Elide Rugai. Atualidade do pensamento social brasileiro. Revista Sociedade e Estado, v. 26, n°2, maio/agosto, 2011.

BRANDÃO, Gildo Marçal Brandão. Linhagens do pensamento político brasileiro. Dados, n. 2, 2005.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MARTINS, Luciano. A gênese de uma intelligentsia: os intelectuais e a política no Brasil, 1920 a 1940. In: Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 2, n. 4, 1987.

MICELI, Sérgio. Intelectuais à brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.

REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Vernhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

SCHWARZ, Roberto. As ideias fora do lugar. In: Ao vencedor as batatas. São Paulo, Duas Cidades, 1992.

TAVOLARO, Sergio B. F. A tese da singularidade brasileira revisitada: desafios teóricos contemporâneos. Dados, vol.57, n.3, pp. 633-673, 2014.

TORRES, Alberto. O problema nacional brasileiro. Brasília: Editora da UNB, 1982.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo. História geral do Brasil. v. 3, São Paulo: Edusp, 1981.

Avaliação:     

Conforme preconiza o Capítulo XVII da RESOLUÇÃO Nº 214, de 17 de dezembro de 2009, a verificação do rendimento acadêmico será realizada por meio de atividades acadêmicas: avaliações (escritas, práticas ou orais), trabalhos, seminários, debates, pesquisas e participação nas atividades propostas, individuais e coletivas. Datas dos seminários, prova e avaliação substitutiva serão acordadas no primeiro dia de aula.

Atividade Pedagógica de Recuperação de Desempenho em Avaliações:         

A atividade de recuperação será por intermédio de uma prova substitutiva, marcada para a última semana de aulas, onde a nota da avaliação substituirá a menor nota, a prova será com base em todo conteúdo trabalhado durante o semestre na referida disciplina.

ANEXO:

SOBRE GILBERTO FREYRE

ARAÚJO, Ricardo Benzaquen. Guerra e paz: Casa-grande e senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. Rio de Janeiro, Editora 34, 1994.

ARAÚJO, Rosa Maria Barboza de e FALCÃO, Joaquim (orgs.). O imperador das idéias: Gilberto Freyre em questão. Rio de Janeiro, Topbooks, 2001.

BASTOS, Élide Rugai. As criaturas de Prometeu: Gilberto Freyre e a formação da sociedade brasileira. São Paulo, Global, 2006.

DAMATTA, Roberto. A originalidade de Gilberto Freyre. In: Gilberto Freyre na UnB. Brasília, Editora da UnB, 1981.

MELLO, Evaldo Cabral de. Raízes do Brasil e depois. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

SOUZA, Jessé. A modernização seletiva. Brasília, Editora da UnB, 2000. (o livro também discute Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro).

SOBRE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

CANDIDO, Antonio. O significado de Raízes do Brasil. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1967.

COSTA, Valeriano Mendes Ferreira. Vertentes democráticas em Gilberto Freyre e Sérgio Buarque. Lua Nova, n. 26, 1992.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Sérgio Buarque de Holanda, historiador. In: Sérgio Buarque de Holanda. São Paulo, Editora Ática, 1985.

FERREIRA, Gabriela Nunes. A formação nacional em Buarque, Freyre e Vianna. Lua Nova, n. 37, 1996.

MONTEIRO, Pedro Meira. A queda do aventureiro. Campinas, Editora da UNICAMP, 1999.

SOBRE CAIO PRADO JÚNIOR

D’INCAO, Maria Ângela (org.). História e ideal: ensaios sobre Caio Prado Jr. São Paulo, Editora Brasiliense, 1989.

IGLÉSIAS, Francisco. Introdução, Caio Prado Jr. São Paulo, Ática, 1982.

NOVAIS, Fernando. Caio Prado Júnior historiador. In: Novos Estudos CEBRAP, n. 2, 1983.

RÊGO, Rubem Murilo Leão. Sentimento do Brasil: Caio Prado Júnior – continuidades e mudança no desenvolvimento da sociedade brasileira. Campinas, Editora da UNICAMP, 2000.

REIS, José Carlos. Anos 1960: Caio Prado Jr. In: As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

RICUPERO, Bernardo. Caio Prado Jr. e a nacionalização do marxismo no Brasil. São Paulo, Editora 34, 2000.

 

 

 

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