DEPOIS DE LATOUR? NOTAS SOBRE O DEBATE LEMOS & RÜDIGER

 

DEPOIS DE LATOUR?

NOTAS SOBRE O DEBATE LEMOS & RÜDIGER

Bruno Latour

Ednei de Genaro (2017)

As notas a seguir tentam fazer uma interpretação do debate entre André Lemos e Francisco Rüdiger a partir de seus textos publicados na revista Matrizes (Lemos: 1- “A crítica da crítica essencialista da cibercultura”, vol.9, n°01, 2015: http://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/100672; 2- Rüdiger: “Contra o conexionismo abstrato: réplica”, vol.9, n°2, 2015: http://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/111719 ; 3- Lemos: “Contra a crítica abstrata: tréplica”, vol.10, n°1, 2016; http://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/119470/116875). Arrisca-se, primeiramente, uma interpretação pragmática, evitando-se ao máximo o estilo polêmica. O que podemos tirar de produtivo do debate? Após, procuramos ponderar sobre as teorias, epistemologias e/ou metodologias colocadas em debate.

Os textos variam entre duas acusações bem gerais: Lemos acusando que a tradicional categoria de pensadores e acadêmicos Críticos, principalmente os ditos essencialistas, faz “pouco empírico”, tão logo produz muitas vezes compreensões, argumentos e julgamentos da política, economia e cultura bastante normativos, idealistas ou abstratos; Rüdiger, por sua vez, acusando que a nova categoria de pensadores e acadêmicos da Teoria Ator-Rede (TAR) faz apenas “muito empírico”, produzindo com isso um vazio de compreensões, argumentos e julgamentos da política, economia e cultura, que ele julga ser um tipo de conexionismo formal e abstrato. No “muito” e no “pouco” empirismo entrariam duas ênfases, duas posições de pesquisadores, a primeira que busca especialmente uma integração-e-isolamento discursivos (“purificações”, como veremos) sobre os fenômenos ditos humanos e técnicos; a segunda, que busca uma inclusão-e-simetria discursivas para analisar simultaneamente fenômenos ditos humanos e não-humanos (estudos de redes sociotécnicas, fugindo das purificações ou essencialismo). Os Críticos estando na tradição dos modernos em ciências humanas: em determinado momento faz-se uma “pausa” no empírico – e julga-se sociopoliticamente: por exemplo, sobre os tipos de poderes dominantes e seus dispositivos, sobre as classes sociais e seus principais agentes, as ideologias vigentes –, muitas vezes “saltando” hermeneuticamente para escrever sobre a cultura mercadológica, o desencantamento ou miséria do mundo, o niilismo. Os partidários da TAR, no entanto, estando na nova visão amoderna, agnóstica e perspectivista das ciências humanas: em determinando momento, quando o empírico não é mais viável, digamos assim, descreve-se sociotecnicamente: por exemplo, sobre as conexões e reconexões entre atores ou ambientes, as formas de transmissão de informação, as inovações nas materialidades e as mudanças de designs, com suas consequentes mutações nos procedimentos e controvérsias.

Os autores abrem, portanto, duas acusações gerais, com inevitáveis consequências ao produzir sentidos acusativos – pois, de alguma maneira, é preciso fortemente categorizar e julgar de forma negativa os modos epistemológicos do adversário. Abre-se enfim um debate, com também inevitáveis posições de defesas de fronteiras acadêmicas – entre um paradigma “vigente” e um paradigma “novo”.

Os textos de Lemos, inspirados nas proposições teórico-metodológicas de Latour, parecem nos fazer dois convites básicos: 1 – hoje seria bom que déssemos uma “pausa” na crítica, na verdade; 2 – e, consequentemente, seria bom que investíssemos mais na “ciência básica”, “pé no chão”, deixando um pouco de lado a velha “sociologia compreensiva e crítica”, para fazer mais e melhores observações, descrições e associações de fenômenos sociotécnicos no mundo, que são infinitamente maiores que no século XIX.

Os convites parecem bons, pertinentes, corretos? Ora, quem poderia dizer que, sendo cientista social, fazer “bastante ciência” seria ruim? Contudo, dos convites nascem perguntas evidentes, complicadoras, de diferentes matizes, que o texto de Rüdiger procura investir em contra-argumento: a “sociologia compreensiva e crítica”, aquela que faz interpretações ou hermenêutica dos fenômenos da linguagem, da histórica, dos signos – isto é, aquela que vai além do domínio dos fatos, observações, associações – não está mais fazendo ciência e funcionando bem, epistemológica e politicamente (criticamente)? Por que alguém, que estuda a sua própria sociedade, deveria deixar de fazer suas interpretações (hermenêuticas) históricas, política, econômica etc., para enfatizar suas pesquisas apenas em “descrições” – como um viajante ou antropólogo que entra em terras ou povos desconhecidos e faz suas anotações em um bloco de notas?

Enfim, polêmica lançada.

Tal como interpretamos, a resposta dos textos de Lemos vem a ser que a “sociologia compreensiva”, crítica, ficou presa demasiadamente em paradigmas (“frames explicativos”) totalizadores (desencantamento, luta de classe, sistema técnico, razão instrumental, ideologia) que não ajudam mais na compreensão da sociedade contemporânea; e isso ficaria claro – e torna-se motivo do texto –, na forma com que a técnica foi vista normalmente pelos Críticos: a grosso modo, como racionalidade negativa e oposta ao humano. Assim, a crítica teria se tornado, em muitos casos, demasiadamente “essencialista”, discursando muito mais próxima de um tom de “filosofia social moralista” do que propriamente de ciência social.

A conjuntura histórica nunca foi tão boa para Lemos tecer tais argumentos acima. As posições críticas, em suas linhas gerais, procuraram destacar uma compreensão das estruturas de pensamento e de ação da sociedade como um todo, desvendando suas forças dominantes para, enfim, produzir uma crítica dos processos vigentes, e uma imaginação de “emancipação”. Correntes muito díspares, marxistas, weberianas, fenomenológicas, existencialistas, estruturalistas, pós-estruturalistas, de uma forma ou de outra, constituíram um tipo de perspectiva crítica. Todas vivem suas crises hoje. (Por motivos históricos que não cabe discursar nestas notas, infelizmente, mas que tem muito a ver, como sabemos, com as experiências fracassadas de emancipações, ditas “comunistas”, no século XX. Lembremos Latour, em “Jamais fomos modernos”, proferindo que o ano de 1989 foi “miraculoso”, pois teve acontecimentos que romperam de vez com os abjetos paradigmas prometéicos de “progresso científico” e de “emancipação humana”).

Os textos de Lemos pedem então um “novo olhar” para as coisas. Não mais uma perspectiva de crítico-emancipatória, mas de responsabilidades, que seriam produzidas a partir de uma cuidadosa pesquisa de compreensão dos complexos laços sociotécnicos presentes hoje – na dimensão da cultura digital, mote do texto, “de engenheiros, criadores, produtores de informação, empresas, distribuidores, usuários, empresas, distribuidores, usuários, leis, softwares e bancos de dados, servidores, redes…” (p.48, texto 1). A pesquisa deveria vir fundamentalmente da compreensão das mediações entre agentes (“actantes”), dando ênfase não aos agentes em si (epistemologicamente esses não existem!), mas aos processos que estão realmente acontecendo.

Na posição de um criador de responsabilidades, o pesquisador parece torna-se uma figura comedida, mas autossuficiente. Isto porque ele não desejaria “abraçar o mundo”; não começa a pesquisar sobre um ambiente específico, uma agência de telemarketing, por exemplo, e de repente está falando, com a “ajuda” de Boltanski e Chiapello, sobre os traços macro do capitalismo contemporâneo. Caso seu acompanhando dos rastros não lhe tenha levado a isso, ele não faz “saltos” sobre os fenômenos. O uso de paradigmas tende a ser visto como “muleta”. Ao descrever bem a composição de um ambiente, o objetivo do pesquisador é se tornar um intelectual capaz de ajudar a ver as posições e encargos de cada agentes, para assim, de alguma maneira, auxiliá-los na resolução de controvérsias, problemas de organização, fazendo modificar as formas como os agentes veem as coisas. Portanto, o pesquisador procura adotar uma posição perspectivista e agnóstica, sendo que os temas e enfoques de pesquisa procuram também mudam. Buscam-se mais a descrição de ambientes do que de temas ou poderes, por exemplo.

Em relação ao “essencialismo” dos críticos que versam sobre a técnica, os textos de Lemos recuperam dois autores célebres: Heidegger e Ellul. Seus trabalhos pouco serviriam para a Teoria do Ator-Rede, pois, apesar de justificarem muito bem aos contextos históricos ou sociológicos, os conceitos que tais autores trabalham acabam se fechando em macros “esquemas” crítico-filosóficos sobre a técnica/tecnologia, sejam estes pessimistas ou otimistas. Virilio, Baudrillard, Debord e autores da primeira e segunda gerações da Escola de Frankfurt, e seus partidários ainda hoje, seriam os últimos a abusarem de sentenças “essencialistas”.

A questão difícil vem a ser a respeito do diagnóstico de “essencialista” para os mais contemporâneos. Esses realmente produzem aqueles “esquemas”? Morozov, Janier, Keen, ou então Stiegler, são críticos e essencialistas, ou somente críticos? Aqui, podemos dizer que, até onde o presente autor leu os supracitados, nenhum estaria fazendo argumentos essencialistas, e todos são “sucessos” em suas pesquisas empíricas. (E façamos jus, em relação ao último quesito, também são “sucessos empíricos”, o arqueólogo de mídias Virilio e o pesquisador-observador-viajante Baudrillard, citados por Lemos). Tanto que se pode perguntar – e o texto de Rüdiger faz isso – se a questão realmente pertinente hoje é a questão da crítica, e não a do velho argumento de condenação do “essencialismo” …

Certamente, para a maior parte dos críticos contemporâneos que versam sobre a cibercultura, o horizonte é desvendar um pouco as “ordens intrínsecas” da técnica, contudo evitando o erro de tratá-las como isoladas, o que seria o pecado dos “essencialistas”. Isso parece ser evidente – e talvez defina uma discussão pertinente hoje – quanto àqueles que se ligaram, uns mais fortemente outros menos, à tradição de Simondon, por exemplo, Deleuze-Guattari, Stiegler, Lazzarato e outros. Em relação a essa tradição, cabe aqui explicitar uma diferença crucial com Latour. Para Simondon, autor que pensa em termos de “transdução”, o olhar para a questão da individuação técnica é uma forma pensá-la enquanto fixação dos gestos humanos, “cristalização”, mesmo que temporária, tendo isso efeitos diversos nos ambientes (“tecnicidade”) – sendo “melhor ou pior” para as individuações psíquicas e coletivas, dependendo dos tipos de entropias e neguentropias vigentes. Para Latour, no entanto, autor pensa em termos de “tradução”, o olhar recai para os actantes não-humanos, que tende sempre à mediação, ao movimentos, criticando Simondon por ainda compreender a técnica como “objeto”, “coisa”, “sujeito”, e não como “advérbio” ou “verbo” – consideração esta que faz Latour eliminar de uma vez por todas os discursos críticos (“purificadores”) sobre dispositivos, objetos técnicos, máquinas, sistemas técnicos.

Deixemos claro: ambos os autores, contudo, estão abertos aos contextos a partir dos modos de existência dos seres ou objetos, criticando, ambos, o “substancialismo”. Mas podemos desvelar agora algo crucial: um adotando uma posição muito mais perspectivista (Latour).

Assim, parece haver uma consequência importante na forma como os textos de Lemos, a partir de Latour, observa a “purificação” (compreendida como o gesto de dar algum tipo de “substancialismo” aos fenômenos). As “purificações” dos críticos pessimistas Morozov, Keen e Lanier, autores que estariam na linhagem mais típica dos modernos, de “pouco empirismo”, presumiriam exacerbadas e antecipadas distinções e nivelações de poderes, instituições e valores, concluindo sobre um “todo assimétrico”; enquanto que, por exemplo, os modernos críticos otimistas Lévy, Jenkins e Johnson, também de “pouco empirismo”, presumiriam exacerbados e antecipados acordos, mediações, horizontalidade de poderes, instituições e valores, concluindo sobre um “todo simétrico”. Latour, por sua vez, estaria “no meio”, no espaço do antropólogo que observa, perspectiva e agnosticamente, tais roteiros empíricos “fracos” dos críticos pessimistas e otimistas, com suas marcas e diagnósticos apressados, abusando de palavras de ordem, chavões e enunciados políticos “mobilizadores”. O erro destes críticos estaria em sempre querer enxergar um “aquém” ou um “além” dos limites das redes sociotécnicas presentes.

Caso se entenda qualquer tipo de “purificação” como sinônimo de “essencialismo”, então as coisas realmente estariam complicadas para os críticos. Ora, os críticos, pessimistas e otimistas, sempre apostariam em esclarecer sobre formas de estabilizações, automatismos, cristalizações ou delegações nas redes sócio-técnicas que duram mais tempo do que o “normal” (crítico não se abstém do julgamento ético-político!), expondo, dependendo do caso, um mundo de violência ou de justiça, de formas de dominação ou de liberdades etc. (Mesmo sendo críticos simondonianos ou deleuzianos, por exemplo, com suas sofisticações para falar dos “dispositivos”, “sistemas técnicos”, “domínios sociais” e “domínios técnicos”, nada mudaria: para Latour, na hipervalorização das mediações ou hibridismos, o crítico seria sempre um “demônio simplificador da modernidade”!).

Mas cabe perguntar: mas não teria sido o “hibridismo total”, enquanto “desterritorialização contínua”, o sonho de Deleuze-Guattari? Os verdadeiros e contínuos reajustes, reformulações, desvios, dobras, desacoplamentos, o fim de um tempo que dura muito tempo trazendo as hierarquizações, a rigidez, a vida arborescente? Se na cabeça de Deleuze-Guattari, o fim do tempo que dura muito tempo seria o sonho de emancipação a partir da multiplicidade, para Latour isso é 100% pura realidade e banalidade no mundo.

Latour teria realizado a definição crítica mais sucinta do que é ser moderno: aquele que está sempre fazendo a produção e negação dos híbridos (purificação). Para escapar disto, procurou investir, como lembra Lemos, em “ultrapassar as fronteiras do senso comum entre signos e coisas” (p.44, texto 1), do julgamento entre a representação e a realidade empírica-material, entre ideologia e infraestrutura… Com o objetivo de não alimentar qualquer hipostasia de significados para as coisas; caso contrário, cair-se-ia em algum tipo de negação dos híbridos, os “quasi-x”, “quasi-y”. Influenciado por Latour, Lemos então formula: “As infraestruturas técnicas são sempre pontuais, provisórias, sendo que as controvérsias ajudam a revelar o imbróglio que as constitui, ou seja, abrir as caixas-pretas e desnudar as redes até então estabilizadas” (p.41, texto 1). A disposição intelectual pelos hibridismo seria, pois, a meta mais importante da TAR (Rüdiger procura provocativamente dizer que isto evidenciaria uma “nova metafísica” … E não está sozinho na empreitada. Ver, por exemplo, a entrevista de Latour com Carolina Marinda: “À métaphysique, métaphysique et demie: L’Enquête sur les modes d’existence forme-t-elle un système ?” [http://www.bruno-latour.fr/sites/default/files/140-TEMPs-MODERNES-SYSTEME.pdf]).

Abre-se, enfim, entre os críticos e o perspectivismo latourniano, olhares e ênfases diferentes, com consequências epistemológicas e políticas.

*

Poder-se-ia, em primeiro lugar, ressalvar que que a razão crítica, na maior parte dos autores contemporâneos citados por Lemos, não vem exatamente “negar as mediações”, mas – ao fazer o julgamento ético-político –, identificar onde elas não acontecem de forma democrática. Questão: explicitar a realidade que nega as mediações (democráticas) não seria diferente de negar as mediação? E, de tal modo, o problema vem a ser de “fracasso empírico” ou de identificação da falta dele (leia-se: da mediação democrática)?

Bachelard notava que um conhecimento “novo” é sempre feito contra um anterior. Algo que talvez nos faça compreender porque, na disputa entre dois “programas de pesquisa”, e na luta pela identificação das “anomalias” desses programas, o leitor não fica encurralado entre duas acusações.

Os críticos modernos diriam: só uma purificação radical, instrumental e essencialista, pode nos fazer crer que há humanos de um lado e instrumentos do outro. Os acríticos amodernos inverteriam a ordem das coisas: só uma hibridização radical, abstrata e anti-essencialista, pode nos fazer crer que não há de um humanos e instrumentos do outro.

Lemos e Rüdiger não estariam forçando uma dicotomia, cada lado, afinal, com seu anseio metafísico “purificador”?

É possível fazer algumas considerações finais, aproveitando questões de ambos os lados. Diferente de Rüdiger, poderíamos desenvolver que a questão acerca dos híbridos em Latour parece vir a cumprir um papel, na verdade, altamente material, real – e não abstrato por antecipar (inevitavelmente) princípios epistemológicos; e, diferente de Lemos, poderíamos notar duas problemáticas: as acusações de “essencialismo”, de “determinismos tecnológicos”, de “fracassos empíricos e cegueiras da vida social” parecem ter sido mais pertinentes nos anos 1980, e não hoje; e é possível divergir, como começamos a notar acima, de uma posição importante de Latour, expressada em vários livros, e bem sintetizada pelo texto de Rüdiger: “a crítica nos põe no mau caminho ao nos afastar dos fatos em vez de nos fazer chegar mais perto deles; ela nos impede de dar nova vida a um empirismo com o qual poderíamos nos libertar da epistemologia moderna e suas dicotomias” (p.128). Em relação ao “afastar dos fatos” ou ao “por em mau caminho”, já respondemos: nada tem a ver com a crítica, apenas que condiz com o nível de compromisso científico dos pesquisadores. Em relação à crítica, propriamente, sejamos assim o mais direto possível: a crítica é essencialmente dissensual, demanda a radicalização democrática (as mediações verdadeiras!) em um modo de vida, capitalista, que gera exatamente da legitimidade política para tais litígios (sobre o assunto, ver a obra “O desentendimento”, do filósofo Jacques Rancière).

O ponto inicial de divergências entre os pesquisadores Lemos e Rüdiger, acreditamos, são duas diferentes posições éticopolíticas no contemporâneo: a de responsabilidade e a de crítica. (A primeira nada esclarecida nos textos de Lemos; a segunda, insuficientemente tratada nos textos de Rüdiger). A partir disto, um condenando o fetichismo do outro: o abuso de empirismo e a miséria de iluminismo crítico (Lemos); a miséria do empirismo e o abuso de iluminismo crítico (Rüdiger).

Há, por exemplo, quem muito lê – o presente autor inclui-se – Deleuze-Guattari, Lazzarato, Stiegler, por exemplo, e também Latour, ocorrendo a pergunta: pode-se trabalhar com redes sociotécnicas, adotando muitas posturas epistêmicas latournianas e, ao mesmo tempo, tomar uma atitude crítica? Cremos que a resposta seja sim, e começamos a esboçar nestas notas que a tradição aberta pela epistemologia de Simondon, por exemplo, abriria um caminho crítico “não-substancialista” que está sendo iluminado hoje por alguns autores.

O que parece certo – e isso vem sendo notado aos brados por muitos intelectuais – é que crítica contemporânea não pode querer ressuscitar a “velha crítica” onde ela é ainda melancolicamente depositária. Para nós, ela deve encontrar as “novas armas”, expressando as realidades que negam as mediações (democráticas), e que alimentem, ao mesmo tempo, novas estéticas de vida e mundo possíveis.

 

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[Ensino] Pensamento social brasileiro

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS / CÂMPUS NAVIRAÍ – CPNV / CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

PROFESSOR: EDNEI DE GENARO, Dr.

DISCIPLINA: PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO I (Carga horária: 60h)

Os operários 1933

OBJETIVO:

Apresentar e debater o pensamento social brasileiro, com enfoque na década de 1930. Discutir as principais ideias e os conceitos em relação ao tema, movimentando questões sobre a cultura, economia e política. Nomeadamente, a disciplina, passando pelos precursores e sucessores, se centrará na avaliação – e releituras críticas contemporâneas – de três pensadores: Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, nos anos 1930, e do marxista Caio Prado Júnior, momento pós-1930. Os seminários dos alunos enriquecerão as discussões, a partir da temática “O pensamento social brasileiro na literatura (1900-1930)”, sendo escolhidos os escritores: Euclides da Cunha, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Lima Barreto.

PROGRAMA:         

INTRODUÇÃO: o que é “pensamento social brasileiro”?

SCHWARCZ, L. M. & BOTELHO, A. Simpósio: cinco questões sobre o pensamento social brasileiro. Lua Nova, São Paulo, 82: 139-159, 2011.

DEPOIS DA “FORMAÇÃO”?

NOBRE, Marcos. “Depois da ‘formação’: cultura e política na nova modernização”. Revista Piauí. Tribuna livre da luta de classes, n°74, novembro, 2012.

Documentário:

Um sonho intenso. Direção: José Mariani. 2013, 102min.

PRECURSORES DO PENSAMENTO SOCIAL BRASILEIRO

FRANSCISCO ADOLFO VARNHAGEN, a visão monárquica portuguesa

REIS, José Carlos. Anos 1850, Varnhagen: o elogio da colonização portuguesa. In: As identidades do Brasil: de Vernhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

Leituras em sala de aula:

– VARNHAGEN, Francisco Adolfo. História geral do Brasil. v. 3, São Paulo: Edusp, 1981. [Seleção de trechos]

– CARVALHO, José Murilo de. Brasil não soube assimilar entrada do povo na vida política. Folha de S. Paulo, seção Ilustríssima, 28/05/2017.

CAPISTRANO DE ABREU, em busca do povo brasileiro

– CAPISTRANO DE ABREU, José. Capítulos de história colonial. Brasília: Editora da UNB, 1982.

– REIS, José Carlos. Anos 1900: Capistrano de Abreu: o surgimento de um povo novo: o brasileiro. In: As identidades do Brasil: de Vernhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

INTERMEZZO

Ainda em busca do “povo brasileiro”?

 Filme: Terra em transe (1967, Glauber Rocha, 106min).

 Texto: STAM, Robert. Terra em transe. Discurso, v. 7, n. 7, Usp, São Paulo, 1976.

GERAÇÃO DE 1930

GILBERTO FREYRE

Interpretação:

FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2001. [Prefácio à 1ª. Edição; Capítulo 1; Capítulo 4].

Reinterpretação crítica:

SOUZA, Jessé de. Teatro de espelhos do patrimonialismo brasileiro. In: A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015.

SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

Interpretação:

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.

Reinterpretação crítica:

SOUZA, Jessé de. Cordial e colonizado até o osso. In: A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015.

 PÓS-GERAÇÃO DE 1930, A VISÃO MARXISTA

CAIO PRADO JÚNIOR

Interpretação:

PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. [“Introdução”; “Sentido da colonização”; “Economia”; “Grande lavoura”; “Organização social”; “Vida social e política”].

Reinterpretação crítica:

OLIVEIRA, Francisco de. O ornitorrinco. In: Crítica à razão dualista. São Paulo: Boitempo, 2003.

SEMINÁRIOS – “O pensamento social brasileiro na literatura (1900-1930)”

I – EUCLIDES DA CUNHA

Os sertões (1902) [Parte “O homem” – Itens I a IV].

II – OSWALD DE ANDRADE

Manifesto Antropófago (1928)

Manifesto da poesia pau-brasil (1924)

III – MÁRIO DE ANDRADE

Macunaíma (1928)

IV – MONTEIRO LOBATO

Urupês (1919)

V – LIMA BARRETO

Triste fim de policarpo quaresma (1915)

PROCEDIMENTOS:         

A disciplina se desenvolverá através de aulas expositivas e dialogadas, nas quais os alunos serão chamados ao debate das ideias e conceitos sobre o Pensamento Social Brasileiro, conceitos esses fundamentais presentes nos textos selecionados. O processo de ensino e aprendizagem englobará, ainda, a realização de atividades individuais e de seminários, bem como o exercício da pesquisa em diferentes fontes.

RECURSOS:           

Lousa, giz, computador e projetor multimídia para projeção de arquivos PowerPoint e vídeo. Livros, CD, consulta a sites, textos e outros recursos bibliográficos.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:

ANDRADA E SILVA, José B. de. Projetos para o Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.

CAPISTRANO DE ABREU, José. Capítulos de história colonial. Brasília: Editora da UNB, 1982.

CARDOSO, Fernando Henrique. Pensadores que inventaram o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2001.

HOLANDA, Sergio B. de. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

NOBRE, Marcos. “Depois da ‘formação’: cultura e política na nova modernização”. In: Revista Piauí. Tribuna livre da luta de classes, n°74, novembro, 2012.

OLIVEIRA VIANNA, Francisco José. Instituições Políticas Brasileiras. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949.

OLIVEIRA, Francisco de. O ornitorrinco. In: Crítica à razão dualista. São Paulo: Boitempo, 2003.

PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

SCHWARCZ, L. M. & BOTELHO, A. Simpósio: cinco questões sobre o pensamento social brasileiro. Lua Nova, São Paulo, 82: 139-159, 2011.

SOUZA, Jessé de. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

BARBOZA FILHO, Rubem. A modernização brasileira e o nosso pensamento político. Perspectivas, São Paulo, v. 37, p. 15-64, jan./jun. 2010.

BASTOS, Elide Rugai. Atualidade do pensamento social brasileiro. Revista Sociedade e Estado, v. 26, n°2, maio/agosto, 2011.

BRANDÃO, Gildo Marçal Brandão. Linhagens do pensamento político brasileiro. Dados, n. 2, 2005.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MARTINS, Luciano. A gênese de uma intelligentsia: os intelectuais e a política no Brasil, 1920 a 1940. In: Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 2, n. 4, 1987.

MICELI, Sérgio. Intelectuais à brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.

REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Vernhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.

SCHWARZ, Roberto. As ideias fora do lugar. In: Ao vencedor as batatas. São Paulo, Duas Cidades, 1992.

TAVOLARO, Sergio B. F. A tese da singularidade brasileira revisitada: desafios teóricos contemporâneos. Dados, vol.57, n.3, pp. 633-673, 2014.

TORRES, Alberto. O problema nacional brasileiro. Brasília: Editora da UNB, 1982.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo. História geral do Brasil. v. 3, São Paulo: Edusp, 1981.

Avaliação:     

Conforme preconiza o Capítulo XVII da RESOLUÇÃO Nº 214, de 17 de dezembro de 2009, a verificação do rendimento acadêmico será realizada por meio de atividades acadêmicas: avaliações (escritas, práticas ou orais), trabalhos, seminários, debates, pesquisas e participação nas atividades propostas, individuais e coletivas. Datas dos seminários, prova e avaliação substitutiva serão acordadas no primeiro dia de aula.

Atividade Pedagógica de Recuperação de Desempenho em Avaliações:         

A atividade de recuperação será por intermédio de uma prova substitutiva, marcada para a última semana de aulas, onde a nota da avaliação substituirá a menor nota, a prova será com base em todo conteúdo trabalhado durante o semestre na referida disciplina.

ANEXO:

SOBRE GILBERTO FREYRE

ARAÚJO, Ricardo Benzaquen. Guerra e paz: Casa-grande e senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. Rio de Janeiro, Editora 34, 1994.

ARAÚJO, Rosa Maria Barboza de e FALCÃO, Joaquim (orgs.). O imperador das idéias: Gilberto Freyre em questão. Rio de Janeiro, Topbooks, 2001.

BASTOS, Élide Rugai. As criaturas de Prometeu: Gilberto Freyre e a formação da sociedade brasileira. São Paulo, Global, 2006.

DAMATTA, Roberto. A originalidade de Gilberto Freyre. In: Gilberto Freyre na UnB. Brasília, Editora da UnB, 1981.

MELLO, Evaldo Cabral de. Raízes do Brasil e depois. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

SOUZA, Jessé. A modernização seletiva. Brasília, Editora da UnB, 2000. (o livro também discute Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro).

SOBRE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

CANDIDO, Antonio. O significado de Raízes do Brasil. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1967.

COSTA, Valeriano Mendes Ferreira. Vertentes democráticas em Gilberto Freyre e Sérgio Buarque. Lua Nova, n. 26, 1992.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Sérgio Buarque de Holanda, historiador. In: Sérgio Buarque de Holanda. São Paulo, Editora Ática, 1985.

FERREIRA, Gabriela Nunes. A formação nacional em Buarque, Freyre e Vianna. Lua Nova, n. 37, 1996.

MONTEIRO, Pedro Meira. A queda do aventureiro. Campinas, Editora da UNICAMP, 1999.

SOBRE CAIO PRADO JÚNIOR

D’INCAO, Maria Ângela (org.). História e ideal: ensaios sobre Caio Prado Jr. São Paulo, Editora Brasiliense, 1989.

IGLÉSIAS, Francisco. Introdução, Caio Prado Jr. São Paulo, Ática, 1982.

NOVAIS, Fernando. Caio Prado Júnior historiador. In: Novos Estudos CEBRAP, n. 2, 1983.

RÊGO, Rubem Murilo Leão. Sentimento do Brasil: Caio Prado Júnior – continuidades e mudança no desenvolvimento da sociedade brasileira. Campinas, Editora da UNICAMP, 2000.

REIS, José Carlos. Anos 1960: Caio Prado Jr. In: As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

RICUPERO, Bernardo. Caio Prado Jr. e a nacionalização do marxismo no Brasil. São Paulo, Editora 34, 2000.

 

 

 

CRÍTICA / MATERIALIDADE DE MÍDIAS / DEMOCRACIA DIGITAL [disciplina pós-doc]

DISCIPLINA – PÓS-GRADUAÇÃO (proposta de curso – 2016)

CRÍTICA / MATERIALIDADES DE MÍDIAS / DEMOCRACIA DIGITAL

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PROF. DR. EDNEI DE GENARO (candidato pós-doc 2016)

EMENTA

A disciplina propõe apresentar e debater as noções de crítica, materialidades de mídias e democracia digital, dando ênfase à abordagem epistemológica transindividual. O horizonte da disciplina é sempre o de levantamento e debate dos problemas filosófico-políticos envolvidos nas noções, evidenciando diferentes visões e focando as discussões no campo da comunicação.

REQUISITOS MÍNIMOS

Disponibilidade de tempo fora de aula para as atividades de leituras. Domínio de inglês e espanhol para ler parte da bibliografia obrigatória.

OBJETIVOS

Buscar apresentar aos alunos de pós-graduação as recentes discussões envolvendo as noções contemporâneas de crítica, materialidade de mídias e democracia no campo da comunicação, de modo a promover possíveis articulações com seus respectivos problemas de pesquisa. Oferecer bases conceituais e metodológicas para a compreensão e análise dos processos comunicacionais a partir de problemas filosófico-políticos.

METODOLOGIA

As aulas se constituirão em discussão da bibliografia e filmografia orientadas pelo professor, oferecendo momentos próprios de debates e de valorização do posicionamento crítico dos alunos.

PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO

A avaliação da disciplina se baseará por: 1 – um artigo final, que poderá partir de temática de estudo do aluno, desde que apresente exercícios de reflexão sobre tema(s) e/ou problema(s) tratamos durante na disciplina; 2 – nota qualitativa da participação em sala de aula. O professor se prontificará e recomendará o recebimento de uma versão parcial para discussão/orientação. A data para recebimento desta versão deverá ser até duas semanas antes da data de entrega da versão final (a ser combinada). Os artigos deverão conter até 40 mil caracteres. Esta dimensão do trabalho inclui as notas de rodapé e referências bibliográficas. Os trabalhos deverão ser entregues em cópia impressa e eletrônica. Nota final = Trabalho final (80%) + Participação (20%).

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

AULA 1 – Apresentação da disciplina [o projeto de pós-doutorado do pesquisador; os temas gerais a serem discutidos na disciplina; discussão do método de avaliação]

[UNIDADE 1] – DEBATE I: CRÍTICA, HOJE?

AULA 2 – Rancière, Jacques. “Desventuras do pensamento crítico” [cap.2]. In: _____. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

AULA 3 – Latour, Bruno. “¿Por qué se ha quedado la crítica sin energía? De los asuntos de hecho a las cuestiones de preocupación. In: Convergencia. Revista de Ciencias Sociales, vol. 11, n. 35, mayo-agosto, p.17-49, 2004.

Leituras complementares:

Boltanski, Luc. De la critique : Précis de sociologie de l’émancipation. Paris : Gallimard, 2009.

Clark, T. K. Para um esquerda sem futuro. Rio de Janeiro: Editora 34, 2013.

Fossier, Arnaud ; Manicki, Anthony. « Où en est la critique ? ». In : Tracés : revue de sciences humaines, n°13, 2, jan, p.5-22, 2007.

Foster, Hal. “Pós-crítica”. In: Arte & Ensaios. Revista do PPGAV/EBA/UFRJ, n. 25, maio, 2013.

Latour, Bruno. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.

Lévy, Pierre. “Crítica da crítica” [cap. XVII, p.229-235]. In: _____. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.

Safatle, Vladimir. “Esgotamento da crítica como valor estético” [Parte II, Cap.3, p.179-201]. In: Cinismo e falência da crítica. São Paulo: Boitempo, 2008.

Sloterdijk, Peter. “Os oito desmascaramentos” [Cap.3, p.53-121]. In: _____. Crítica da razão cínica. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.


[UNIDADE 2] – DEBATE II: CRÍTICA EM COMUNICAÇÃO, HOJE?

AULA 4 – Lemos, André. “A crítica da crítica essencialista da cibercultura”. In: Matrizes, v.9, n°1, jan./jun., p.29-51, 2015.

AULA 5 – Rüdiger, Francisco. “Contra o conexionismo abstrato: réplica a André Lemos”. In: Matrizes, v.9, n°2, jul./dez., p.127-142, 2015.

Leituras complementares:

Cole, Andrew. “Those objects of desire”. In: Artforum. Summer 2015.

França, Vera V. “Crítica e metacrítica: contribuição e responsabilidade das teorias da comunicação”. In: Matrizes, v. 8, n°2, jul./dez, São Paulo, 2014.

Lazzarato, Maurizio. “Del conocimiento a la creencia, de la crítica a la producción de subjetividad”. In: EIPCP – European Institute for Progressive Cultural Policies, 4, 2008.

Pelbart, Peter Pal. “Modos de existência” [Cap.IV, p.237-327]. In: _____. O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento. São Paulo: N-1, 2013.

Raunig, Gerald. « ¿Qué es la crítica? Suspensión y recomposición en las máquinas textuales y sociales”. In: EIPCP – European Institute for Progressive Cultural Policies, 3, 2008.

Sodré, Muniz. “Comunicação: um campo em apuros teóricos”. In: Matrizes, ano 5, nº2, São Paulo, jan./jun, 2012.

Sodré, Muniz. “Um novo sistema de inteligibilidade”. In: Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação, v.1, n°1, jan-jul, 2013

Stiegler, Bernard. “Die Aufklärung in the Age of Philosophical Engineering”. In: Computational Culture: a journal of software studies, 28-September, 2012.


[UNIDADE 3] – POLÍTICA & PENSAR TRANSINDIVIDUAL

AULA 6 – Simondon, Gilbert. “Introducción” [p.23-44]. In: _____. La individuación a la luz de las nociones de forma e información. Buenos Aires: La Cebra, 2009.

AULA 7 – Read, Jason. “Short-Circuits: The Politics and Economics of Transindividuality” [p.248-291]. In: _____. Political of transindividuality. Leiden: Koninklijke Brill, 2016.

Leituras complementares:

Bardin, Andrea. Epistemology and political philosophy in Gilbert Simondon: individuation, technics, social systems. London: Springer, 2015.

Combes, Muriel. Simondon, individu et collectivité. Paris : PUF, 1999.

Delanda, Manuel. A new philosophy of society: assemblage theory and social complexity. London: Continuum, 2006.

Deleuze, Gilles. “Gilbert Simondon: o indivíduo e sua gênese físico-biológica” [1966]. Tradução Luiz B. L. Orlandi.

Malabou, Catherine. La Plasticité au soir de l’écriture. Dialectique, destruction, déconstruction. Paris : Léo Scheer, 2004.

Neves, José Pinheiro. O apelo do objeto técnico: a perspectiva sociológica de Deleuze e Simondon. Porto: Campo das Letras, 2006.

Orlandi, Luiz B. L., “Indivíduo e implexa individuação”. In: Dois Pontos:, Curitiba, São Carlos, volume 12, número 01, p. 75-82, abril, 2015.

Raunig, Gerald. Mil máquinas: breve filosofía de las máquinas como movimento social. Madrid, Traficantes de sueños, 2008.

Read, Jason. Political of transindividuality. Leiden: Koninklijke Brill, 2016.

Sibertin-Blanc, Guillaume. Politique et État chez Deleuze e Guattari : essai sur le matérialisme historico-machinique. Paris : PUF, 2013.

Simondon, Gilbert. Du mode d’existence des objets techniques. Paris : Aubier Montaigne, 1958.

Simondon, Gilbert. La individuación a la luz de las nociones de forma e información. Buenos Aires: La Cebra, 2009.

Sloterdijk, Peter. La domestication de l’être : pour un éclaircissement de la clairière. Éditions mille et une nuits, 2000.

Stiegler, Bernard. “L’inquiétante étrangeté de la pensée et la métaphysique de Pénélope” [prefácio]. In : Simondon, Gilbert. L’individuation psychique et collective. Paris: Aubier, 1989.

Stiegler, Gilbert. “Tempo e individuaciones técnica, psíquica y colectiva en la obra de Simondon”. In: Revista Trilogia, n°6, abril-octubre, p.133-146, 2012.

Toscano, Alberto. “The Disparate: ontology and politics in Simondon”. Paper delivered at the Society for European Philosophy/Forum for European Philosophy annual conference, University of Sussex, 9 September 2007.


[UNIDADE 4] – POLÍTICA & MATERIALIDADES DE MÍDIAS DIGITAIS

AULA 8 – Rouvroy, Antoinette; Berns, Thomas. “Governamentalidade algorítmica e perspectivas de emancipação: o díspar como condição de individuação pela relação?”. In: Eco-pós, v.18, n°2, Rio de Janeiro, 2015.

AULA 9 – Galloway, Alexander R. “The poverty of philosophy: realism and post-fordism”. In: Critical Inquiry, v.39, n.2, p.347-366, 2013.

Leituras complementares [perspectivas críticas]:

Bruno, Fernanda. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2013.

Bucher, Taina. “Want to be on the top? Algorithmic power and the threat of invisibility on Facebook”. In: New Media & Society, nov., v.12, n.7, p.1164-1180, 2012.

Carpo, Mario. The alphabet and the algorithm. Cambridge: MIT Press, 2012.

Chamayou, Grégoire. Teoria do drone. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

Feenberg, Andrew. “Teoria crítica da tecnologia”. Texto original: “Critical theory of technology”. Tradução da equipe de tradutores do Colóquio Internacional “Teoria Crítica e Educação”. Unimep, Ufscar, Unesp, 17p. [ano?].

França, Lilian Cristina Monteiro. “Vigilância e políticas de privacidade na sociedade pós-cookie: o caso do The Guardian”. In: Eco-pós, v.18, n°2, 2015.

Galloway, Alexander. Protocol: how control exists after decentralization. Massachusetts: MIT Press, 2004.

Hallinan, Blake; Striphas, Ted. The Netflix Prize and the production of algorithmic culture”. In: New Media & Society, v.18 (1), p.117-137, 2016.

Hui, Yuk; Halpin, Harry. “Collective individuation: the future of social web”. In: Lovinsky, Geert; Rasch, Mirian. Unlike us: social media monopolies and their alternatives, p.103-116, 2013.

Kittler, Friedrich, “Code oder wie sich etwas anders schreiben lässt”. In: G. Stocker, Ch. Schöpf. Code – The language of our time, Linz, 2003, pp.88-98.  Tradução: “Código ou como algo pode ser escrito de outro modo” (traduzido por: Jorge Henrique Vieira Rodrigues).

Kittler, Friedrich. Gramophone, Film, Typewriter. Stanford: Stanford University, 1999.

Laymert, G. dos Santos; Silva, Rafael A.; Ferreira, Pedro P. “Do gorila amestrado de Taylor ao macado de Nicolelis”. In: Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 8 n. 3, p. 551-561, nov.2010/fev.2011.

Pariser, Eli. O filtro invisível: o que a internet esconde de você. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

Pasquinelli, Matteo. “O algoritmo PageRank da Google: um diagrama do capitalismo cognitivo e da exploração da inteligência social geral”. In: Uninomade Brazil, maio, 2012.

Pozobon, Tanise; Pozobon, Rejane de Oliveira. “O que o Google sabe sobre você? Primeiras observações sobre direcionamento de informações”. In: Ciberlegenda, Rio de Janeiro, n. 32, 2015.

Ritzer, George; Jurgenson, Nathan. “Production, Consumption, Prosumption : The nature of capitalism in the age of the digital ‘prosumer’”. In: Journal of Consumer Culture, v.10 (1), p.13-36, 2010.

Sadin, Éric. La Vie algorithmique. Critique de la raison numérique, Paris : L’Échappée, 2015.

Santos, Laymert G.; Ferreira, Pedro P. “A regra do jogo: desejo, servidão e controle”. In: Fábio Villares. (org.). Novas mídias digitais (audiovisual, games e música): impactos políticos, econômicos e sociais. Rio de Janeiro: E-papers, p. 85-104, 2008.

Silveira, Sérgio A. “Novas dimensões da política: protocolos e códigos na esfera pública interconectada”. In: Rev. Sociologia Política, Curitiba, v. 17, n. 34, p. 103-113, out. 2009.

Sloterdijk, Peter. “Teorias das esferas: conversando comigo mesmo sobre a poética do espaço”. In: Redescrições, ano VI, n°1, 2015.

Stiegler, Bernard. “Anamnésia e hipomnésia: Platão, primeiro pensador do proletariado”. In: Revista Ars, São Paulo, v.7 n°13, jan-jun, 2009.


[UNIDADE 5] – DEBATE III:  VISÕES DO CONTEMPORÂNEO

AULA 10 – Documentário: The Square (Jehane Noujaim, Egito/EUA/Inglaterra, 128 min, 2013).

AULA 11 – Documentário: All Watched Over by Machines of Loving Grace (Adam Curtis, Inglaterra, 180 min, 2011).

Referências complementares [outras visões]:

Documentário: The Ister (David Barrison; Daniel Ross, Austrália, 189 min, 2004).

– Deleuze, Gilles. “Post-scriptum sobre as sociedades de controle”. In: Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992, p. 219-226.

– Galloway, Alexander. “Withdrawing from the Standard Model” [Part II, p.93-195]. In: _____. Laruelle: against digital. Minneapolis: Minnesota University Press, 2014.

– Latour, Bruno. “An Attempt at a ‘Compositionist Manifesto’”. In: New Literary History, 41, p.471–490, 2010.

– Lazzarato, Maurizio. “Resistência e criação nos movimentos pós-socialistas” [cap.5, p.201-265]. In: _____. As revoluções do capitalismo. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

– Lazzarato, Maurizio. “Sujeição e servidão no capitalismo contemporâneo”. In: Cadernos de Subjetividade. NEPS-PUC-SP, p.168-179, 2010.Lazzarato, Maurizio. Signos, máquinas, subjetividades. São Paulo: N-1, 2014.

– Levy, Pierre. Inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998.

– Safatle, Vladimir. “Perto demais da redenção: depressão, flexibilidade e fim da ética do trabalho”. In: Novaes, Adauto. Mutações: elogio à preguiça. São Paulo: Sesc SP, p. 385-404, 2012.

– Serres, Michel. Hominescências: o começo de uma outra Humanidade? São Paulo: Bertrand Brasil, 2003.

– Stiegler, Bernard. For a new critique of political economy. Malden: Polity Press, 2009.

– Wark, McKenzie. A hacker manifesto [version 4.0]. On-line.


[UNIDADE 6] – DEMOCRACIA DIGITAL: INTELIGÊNCIA COLETIVA, SUBJETIVAÇÕES POLÍTICAS, AFETOS, RESISTÊNCIAS.

AULA 12 – Pelbart, Peter Pál. “A terra, a guerra, a insurreição”. In: Eco-pós, v.18, n°2, Rio de Janeiro, 2015.

AULA 13 – Laclau, Ernesto. “Variações populistas” [Parte III]. In: _____. A razão populista. São Paulo: Três Estrelas, 2013.

AULA 14 – ? [Avaliações e/ou re-organizações da disciplina – a partir do calendário pós].

AULA 15 – ? – [Avaliações e/ou re-organizações da disciplina – a partir do calendário pós].

Leituras complementares:

Antoun, Henrique. “Para uma internet política das subjetivações”. In: Eco-Pós, v.18, n.2, 2015.

Castells, Manuel. Networks of outrage and hope: social movements in the internet age. Malden: Polity Press, 2012.

Comitê invisível. A nos amis. Paris : La fabrique, 2014.

Gomes, Wilson. “Internet e participação em sociedades democráticas”. In: Revista Famecos, Porto Alegre, nº 27, agosto, 2005.

Lévy, Pierre. La sphère sémantique : computation, cognition, économie de l’information. Tomo 1. Université d’Ottawa, 2011.

Malini, Fábio; Antoun, Henrique. “Ontologia da liberdade na rede: a guerra das narrativas na internet e a luta social na democracia”. In: Revista Famecos, Porto Alegre, v. 17, n. 3, p. 286-294, setembro/dezembro, 2010.

Massumi, Brian. The Politics of Affect. Malden: Polity Press, 2015.

Mengue, Philippe. Deleuze et la question de la démocratie. Paris : Harmattan, 2003.

Rancière, Jacques. O ódio à democracia. São Paulo: Boitempo, 2014.

Safatle, Vladimir. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

Sodré, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2014.

Sodré, Muniz; Paiva, Raquel. “A tecnologia, a informação e o comum”. In: Alceu, v. 10, n.20, p.16-24, jan-jun, 2010.

Virno, Paolo. Gramática da multidão: para uma análise das formas de vida contemporâneas. São Paulo: Annablume, 2013.

Wark, Mackenzie. Molecular Red – Theory for the Anthropocene. London: Verso, 2015.

Wright, Scott. “Politics as usual? Revolution, normalization and a new agenda for online deliberation”. In: New Media & Society, March, vol.14, n°2, p.244-261, 2012.

Lévy, Pierre. “Por uma tecnodemocracia” [Conclusão]. In: _____. As tecnologias da inteligências. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

Negri, Antonio; Hardt, Michael. Multidão: Guerra e democracia na era do Império. São Paulo: Record, 2004.

Latour, Bruno. “Se falássemos um pouco de política?”. In: Política&Sociedade, n°4, p.11-40, abril, 2004.

Stiegler, Bernard. “Theage of de-proletarianisation: art and teaching art in post-consumerist culture. In: Corcoran, Kleran et al. (org.). ArtFutures. Current issues in higher arts education, 2008.

 

 

 

 

 

[Ensino] Antropologia e cinema – 2°S 2016

ANTROPOLOGIA E CINEMA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS / CÂMPUS NAVIRAÍ – CPNV / CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA E CINEMA (carga horária: 60)

PROFESSOR: EDNEI DE GENARO, Dr.

OBJETIVOS DA DISCIPLINA:

Introduzir e fomentar aos alunos reflexões e práticas de estudo antropológico a partir da linguagem audiovisual. Discutir o papel da imagem enquanto objeto de estudo antropológico. Estudar diferentes modelos narrativos fílmicos, clássicos e contemporâneos, de produção de conhecimentos antropológicos. Enfocar algumas das formas de exploração estética/etnográficas: 1- registros etnográficos, 2- abordagens comparativas, 3- etno-cartográficas urbanas, 4- “auto-imagem” e 5- formas imersivas. Estimular e ajudar os alunos a construírem curtas-metragens e análises fílmicas (modos avaliativos).

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

Apresentação do curso

            [Cultura visual e antropologia]

NOVAES, Sylvia Caiuby. Imagem, magia e imaginação: desafios ao texto antropológico. In: Mana, 14 (2), 455-475, 2008.

FREIRE, Marcius; LOURDOU, Philippe. Introdução (p.9-23). In: Freire & Lourdou (org.). Descrever o visível: cinema documentário e antropologia fílmica. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

BLOCO I – Modelos clássicos cine-etnográficos

Pioneiro: Robert Flaherty

Nanook, o esquimó (Nanook of the north, 1922, 79’)

FLAHERTY, Robert. Como filmei Nanook do Norte. In: Catálogo do Forumdoc.BH, 2011. 15° Festival do filme documentário e etnográfico / Fórum de antropologia, cinema e vídeo;

BRAGANÇA, Felipe. Verdades re-encenadas. In: site Contracampo (http://www.contracampo.com.br/sessaocineclube/nanookoesquimo.htm).

Tradição francesa: Jean Rouch

Os mestres loucos (Les maîtres fous, 1954, 36’) + Jaguar (1967, 80’.)

SZTUTMAN, Renato. Jean Rouch, um antropólogo-cineasta (p.49-62). In: Novaes, S. C. et al. (org.). Escrituras da imagem. São Paulo: Edusp, 2004.

GONÇALVES, Marco Antônio. O Real Imaginado – etnografia, cinema e surrealismo em Jean Rouch. (Leitura dos capítulos: “Filme-ritual e etnografia surrealista: os mestres loucos de Jean Rouch” + “Jaguar: etnobiografia ou ‘cinema etnográfico em primeira pessoa’”)

Tradição inglesa: John Marshall

Os caçadores (The Hunters, 1958, 38’, doc.)

Texto geral: MARTINS, Humberto. “Sobre o lugar e os usos das imagens na antropologia”. Etnográfica, vol. 17, n°2, 2013.

BLOCO II – Registros fílmicos e incursões antropológicas

Werner Herzog [cultura versus natureza]

O homem urso (Grizzly Man, 2005, 143’, doc.)

SZTUTMAN, Renato. “Natureza & Cultura, versão americanista – Um sobrevoo”. Revista Ponto Urbe (online), n°4, 2009, p.1-18.

Texto complementar: SÁ JÚNIOR, Luiz C. “Philipe Descola e a virada ontológica na antropologia”. Revista Ilha, v. 16, n. 2, p. 7-36, ago./dez., 2014.

Vicent Carelli [índio, política, território]

Corumbiara (2009, 117’, doc.)

CAIXETA, Ruben. Entrevista com Vincent Carelli. Catálogo Forumdoc.BH. 13° Festival do Filme Documentário e Etnográfico, 2009 (10p., online).

LOPES, Fabiana F. “Corumbiara” (p. 61-90). In: Lopes, F. F., Serras da desordem e Corumbiara: a reconstituição do passado e a memória dos vencidos. Dissertação de Mestrado. ECA-USP, 2013.

BLOCO III – Antropologia visual comparada

Harun Farocki

Em comparação (Zum Vergleich, 2009, 61’)

BLOCO IV – Antropo-cartografias urbanas

[Obs.: 11/02: entrega de uma análise fílmica e início da confecção de curta].

Gabriel Mascaro [documentário]

Avenida Brasília Formosa (2009, 85’, doc.)

Texto: BRASIL, André & MESQUITA, Claúdia. “O meio bebeu o fim, como o mata-borrão bebe a tinta”.

Kleber Mendonça Filho [ficção]

Aquarius (2016, 146’, ficção)

Texto geral do bloco: Rancière – “Desventura do pensamento crítico”. In: O espectador emancipado.

 

BLOCO V – “Auto-imagem do povo”, mídia e política

Marcelo Pedroso

Pacific (2009, 79’, doc.)

Texto: (a ser oferecido)

Harun Farocki

Videogramas de uma revolução (1992, 106’, doc.)

Textos: (a ser oferecido)

BLOCO VI – Imersões e intercruzamentos estéticos-antropológicos

[Opções de obras]

Ariel Duarte Ortega, Patricia Ferreira

Bicicletas de Nhanderú (2011, 48’)

Texto: Brasil, André (2012) – “Bicicletas de Nhanderu: lascas do extracampo”.

Rodrigo Siqueira

Terra Deu, Terra Come (2010, 88’)

Texto: (a ser oferecido)

Rubens Caixeta de Queiroz

História de Mawary (2009, 56’)

Texto: Brasil, André (2012) – “O olho do mito: perspectivismo em Histórias de Mawary”.

Lima, G. Motta, L. Garcia dos Santos, S. Senra, B. Albert

Xapiri (2012, Brasil, 54’).

Texto: Garcia dos Santos, L. (2015)

Fausto, L. Sette, T. Kuikuro

As hiper mulheres (2011, 80’)

Texto: (a ser oferecido)

 

METODOLOGIA / AVALIAÇÃO:

  • Método pedagógico: exposição-dialogada de textos; discussões abertas de filmes; trabalho em grupo com linguagem audiovisual.

Avaliação:

  • Confecção de análise fílmica (peso 1). O aluno será convocado a realizar um texto de análise (mín. 3 folhas, Times New Roman, 12, espaçamento 1,5) de qualquer documentário trabalhado em sala de aula. O professor discutirá técnicas de análise possíveis.
  • Confecção de curta-metragem etnográfico (peso 1). A partir das discussões a respeito do “olhar antropológico-cinematográfico”, os alunos realizarão, em grupos, um vídeo de observação de algum ambiente.

 

ATIVIDADE PEDAGÓGICA DE RECUPERAÇÃO:

A Recuperação de Desempenho em Avaliações será realizada por meio de trabalhos e atividades ao longo das aulas e de Avaliação Substitutiva / Optativa no final do Semestre Letivo.

BIBLIOGRAFIA:

BARBOSA, Andréa; CUNHA, Edgar Teodoro; HIKIJI, Rose Satiko Gitirana. Imagem-Conhecimento: antropologia, cinema e outros diálogos. Campinas: Papirus, 2009.

BERGER, John. Modos de ver. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Brasiliense, 1985.

CAIXETA DE QUEIROZ, R. Cineastas indígenas e pensamento selvagem. Revista Devires, Belo Horizonte, v. 5, n. 2, jul./dez. 2008, p.117.

CAMPOS, Ricardo. A cultura visual e o olhar antropológico. In: Revista Visualidades, Goiânia, v.10 n.1 p. 17-37, jan-jun, 2012.

CUNHA, E. T. da & BARBOSA, A. Antropologia e imagem. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

FREIRE, Marcius; LOURDOU, Philippe (Org). Descrever o visível: cinema documentário e antropologia fílmica. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

GOMES PEREIRA, Pedro Paulo. Cinema e antropologia: um esboço cartográfico em três movimentos. In: Cadernos de Antropologia e Imagem, 10(1), p.51-69, 2000.

GONÇALVES, Marco Antônio. O Real Imaginado – etnografia, cinema e surrealismo em Jean Rouch. Rio de Janeiro: Topbooks, 2008.

GONÇALVES, Marco Antônio; HEAD, Scott. (Org). Devires imagéticos: a etnografia, o outro e suas imagens. Rio de Janeiro: 7 letras, 2009.

HEIDER, Karl G. Uma história do filme etnográfico. In: Cadernos de Antropologia e Imagem, n.1, Rio de Janeiro, 1995.

HIKIJI, Rose S. G. Antropólogos vão ao cinema – observações sobre a constituição do filme como campo. Cadernos de Campo, 7 (7), p.91-113, 1998.

MACDOUGALL, Davis. O filme etnográfico. In: Cadernos de campo, São Paulo, n. 16, p. 1-304, 2007

NOVAES, S. C. et al. (org.). Escrituras da imagem. São Paulo: Edusp, 2004.

NOVAES, Sylvia Caiuby. Imagem, magia e imaginação: desafios ao texto antropológico. Mana, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, pp. 455-475, out. 2008.

RIAL, Carmen Sílvia. Por uma antropologia do visual. In: Horizontes Antropológicos, Porto Alegre: PPGAS, UFRGS, n.2, 1995.

ROCHA, Ana Luiza Carvalho da. Antropologia das formas sensíveis: entre o visível e o invisível, a floração de símbolos. In: Horizontes Antropológicos, Antropologia Visual, ano l, v. 2, l995.

ZOETTL, Peter Anton. Aprender cinema, aprender antropologia. In: Revista Etnográfica, v.15 (1), fev., p.185-198, 2011.

Artigos (específicos – a ser completado e disponibilizados via email…):

BRASIL, André. Caçando capivara: com o cinema-morcego dos Tikmũ’ũn. In: Revista Eco-Pós, vol.19, n°02, 2016, p.140-153.

BRASIL, André. O olho do mito: perspectivismo em Histórias de Mawary. In: Revista Eco-Pós, vol. 15 n°03, 2012.

PIALT, Marc-Henri. Uma antropologia-diálogo: a propósito do filme de Jean Rouch Moi, un Noir. In: Cadernos de Antropologia e Imagem, vol.4.

CAIXETA, Ruben. Entrevista com Vincent Carelli. Catálogo Forumdoc.BH. 13° Festival do Filme Documentário e Etnográfico, 2009 (10p., online).

LOPES, Fabiana F. “Corumbiara” (p. 61-90). In: Lopes, F. F., Serras da desordem e Corumbiara: a reconstituição do passado e a memória dos vencidos. Dissertação de Mestrado. ECA-USP, 2013.

SZTUTMAN, Renato. “Natureza & Cultura, versão americanista – Um sobrevoo”. Revista Ponto Urbe (online), n°4, 2009, p.1-18.

SÁ JÚNIOR, Luiz C. “Philipe Descola e a virada ontológica na antropologia”. Revista Ilha, v. 16, n. 2, p. 7-36, ago./dez., 2014.

Sites de eventos, acervos e/ou divulgação de antropologia e cinema:

Documentários latino-americanos (http://curtadoc.tv/acervo/)

Vídeo nas Aldeias (http://www.videonasaldeias.org.br/2009/)

É tudo verdade – Festival Internacional de Documentários (http://etudoverdade.com.br/br/home/)

Forumdoc.BH – Festival / Fórum de antropologia e cinema (http://forumdoc.org.br/)

[Ensino] Epistemologia – programa (2°S – 2016)

EPISTEMOLOGIA 

Epistemology.png

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS / CÂMPUS NAVIRAÍ – CPNV/ CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

DISCIPLINA: EPISTEMOLOGIA (carga horária: 68), quintas

PROFESSOR: EDNEI DE GENARO, Dr.

OBJETIVO GERAL:

Refletir sobre o significado e a importância da epistemologia na compreensão dos pressupostos filosóficos para a formação de conhecimentos em ciências sociais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Determinar a especificidade da epistemologia no campo do pensamento filosófico;
  • Discutir criticamente as principais etapas históricas do pensamento epistemológico, seus autores fundamentais e as suas contribuições para o entendimento do conhecimento científico;
  • Destacar a contribuição da epistemologia na análise dos pressupostos, da natureza e da finalidade das ciências sociais;
  • Proporcionar desenvolvimento de habilidades acadêmicas dos alunos, como a capacidade de síntese, crítica, expressão oral e escrita, interpretação de textos e pensamento lógico e coerente.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

APRESENTAÇÃO

– O que é epistemologia? (1° semana)

BLOCO I – EPISTEMOLOGIA (Questões e noções gerais)

– As condições do conhecimento (2° semana)

– Realidade e ficção (3° semana)

– Formas de justificação (4° semana)

BLOCO II – ETAPAS DO PENSAMENTO EPISTEMOLÓGICO

– Racionalismo (Descartes) (5° semana)

– Empirismo (Hume) (6° semana)

– Criticismo (Kant) (7° semana)

– Racionalismo e empirismo nas ciências sociais (8° semana)

AVALIAÇÃO 1 – Prova escrita em sala de aula (9° semana)

BLOCO III – EPISTEMOLOGIA DA CIÊNCIA

– Karl Popper e Thomas Kuhn (10° e 11° semanas)

BLOCO IV – EPISTEMOLOGIA E CIÊNCIAS SOCIAIS

– Projeto (12° semana)

– Ascensão (13° semana)

– Declínio (14° semana)

– Renascimento (15° semana)

AVALIAÇAO 2 – Entrega do trabalho final

 

PREVISÃO DE LEITURAS E DISCUSSÕES:

Apresentação:

  • 1° Semana [Grayling, A. C. A epistemologia (introdução) – online.]

Bloco I:

  • 2° Semana – Dutra (2010, “Crença verdadeira e justificada”, p.18-37)
  • 3° Semana – Dutra (2010, “Realidade e ficção”, p.39-58)
  • 4° Semana – Dutra (2010, “Formas de justificação”, p.58-69)

Leituras complementares:

Hesse (1978); Japiassú (1992)

Bloco II:

  • 5° Semana – Dutra (2010, “Racionalismo”, p.81-100)
  • 6° Semana – Dutra (2010, “Empirismo”, p.101-118)
  • 7° Semana – Dutra (2010, “Filosofia crítica”, p.122-141) + Haguette (2013)
  • 8° Semana – Haguette (2013)

Leitura/discussão em sala (trechos dos filósofos):

Descartes (1971; 2001) / Hume (1989) / Kant (1985) /

  • 9° Semana – AVALIAÇÃO 1

Bloco III:

  • 10° Semana – Berten (2004, “Popper, um racionalista crítico”)
  • 11° Semana – Berten (2004, “Thomas Kuhn e os paradigmas”)

Leitura/discussão em sala (trechos dos filósofos):

Popper (1975); Kuhn (1978)

Bloco IV

  • 12° Semana – Japiassú (2012, “Projeto”, p.31-62)
  • 13° Semana – Japiassú (2012, “Ascensão”, p.63-92)
  • 14° Semana – Japiassú (2012, “Declínio”, p.93-146)
  • 15° Semana – Japiassú (2012, “Renascimento” + “Conclusão”, p.147-204)

METODOLOGIA / AVALIAÇÃO:

  • Método pedagógico: exposição-dialogada
  • Leituras básicas e complementar (cada aluno terá à disposição um texto referente ao assunto estudado na semana de aula, podendo realizar aprofundamento a partir da bibliografia complementar)
  • Avaliação:
  • Prova escrita em sala de aula (nota de 0 a 10; peso 2). O aluno será convocado a responder 2 de 5 questões formuladas a respeito do conteúdo tratado em sala até a data da prova.
  • Trabalho final (nota de 0 a 10; peso 2). O aluno será convocado a realizar um artigo (min. 4, máx 6 folhas; Times New Roman, 12, espaçamento 2) sobre um tema ou questão tratada durante a disciplina.
  • Participação em sala de aula (peso 1). Assiduidade, atenção e diálogo coerente e crítico serão os pontos de análise da participação do aluno.
  • Prova substitutiva: o aluno poderá substituir sua menor nota, seja da prova escrita ou do trabalho final, a partir de uma segunda prova escrita em sala de aula.

Atividade pedagógica de recuperação…:

A Recuperação de Desempenho em Avaliações será realizada por meio de trabalhos e atividades ao longo das aulas e de Avaliação Substitutiva / Optativa no final do Semestre Letivo.

BIBLIOGRAFIA:

Básica:

— DUTRA, L. H. A. Introdução à epistemologia. São Paulo: Unesp, 2010.

— JAPIASSÚ, H. A crise das ciências humanas. São Paulo: Cortez, 2012.

— BERTEN, André. Filosofia social: a responsabilidade social do filósofo. São Paulo: Paulus, 2004.

HAGUETTE, A. Racionalismo e empirismo na sociologia. Revista de Ciências Sociais, Fortaleza, v. 44, n. 1, jan/jun, 2013, p. 194-218.

GRAYLING, A. C. A epistemologia (introdução). Birkbeck College, Londres. St Anne’s College, Oxford. (artigo – disponível online: http://documents.tips/documents/a-epistemologiapdf.html).

Complementar:

ADORNO, T. W. A. Epistemología y ciencias sociales. Madrid: Catedra, 2001.

BACHELARD, G. A formação do Espírito Científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro, Contraponto. 1996.

BOURDIEU, P. & CHAMBOREDON, J-C. Ofício de sociólogo: metodologia da pesquisa na sociologia / Pierre Bourdieu. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

BUNGE, M. Filosofía de las ciencias sociales. In: Epistemología. Buenos Aires: siglo XXI, 2002, p.145-188.

DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1972.

HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. Coimbra: Arménio Amado, 1978.

HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

JANEIRA, A. L. Ruptura epistemológica, corte epistemológico e ciência. (artigo)

JAPIASSÚ, H. Introdução ao pensamento epistemológico. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1992.

KANT, I. Textos seletos. Petrópolis: Vozes, 1985.

KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1978.

PAIVA, L. H. Weber e Popper: filosofia das ciências sociais. Piracicaba: Unimep, 1997.

PLATÃO. Teeteto. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2001.

POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1975.

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HARUN FAROCKI PENSADOR E OPERADOR DE MÍDIAS – tese download pdf

 

 

HARUN FAROCKI PENSADOR E OPERADOR DE MÍDIAS

Tese de Doutorado – Ednei de Genaro (2015)

 

Download: https://drive.google.com/file/d/0B6kP_r0iBDjZZlRpRFRoc0Nvc0E/view?usp=sharing

 

farocki

Resumo

A presente tese expõe uma perspectiva da obra do cineasta alemão Harun Farocki (1944-2014) – constituída por filmes (ficcionais e documentais), ensaios, artigos, instalações artísticas, entrevistas, workshop –, a partir de suas questões e estratégias de teoria, método, trajetória estético-política, trabalho com arquivo e montagem e, por fim, naquilo que essas questões e estratégias – e a visão de mundo do autor –, contribuíram para pensar a modernidade e, especificamente, os estudos de mídia. Defendemos que sua obra, analisada globalmente, nos revela um cineasta que prima por ser um pensador e operador de mídias. Em todo o percurso da tese estaremos buscando os porquês e as decorrências deste primado, ponderando especificamente sobre: 1. A visão materialista-fenomenológica de cinema/mídias; 2. A posição ético-política enquanto gesto de reconciliação prometeu-epimeteu; 3. A noção de operar mídias enquanto um método-estilo explorando aportes horizontal, transversal e transindividual; 4. As influências, contextos e posições de autoria estética e política; 5. A dimensão específica do operar cinematográfico: Farocki como arqueólogo e montador; 6. E as contribuições de uma obra, no lugar em que ela mais movimentou questões e análises: os estudos de mídias. Tais ponderações nos levam, por fim, a pensar a dimensão tecnoestética inerente a uma obra que intercruza pensamento e operação a partir de mídias.

Palavras-chaves: Harun Farocki; Estudos de Mídia; Teoria de Mídia; Teoria do Cinema; Tecnoestética; Capitalismo; Estética; Política; Montagem; Arquivo

 

ScreenHunter_03 Jul. 23 08.29

ScreenHunter_04 Jul. 23 08.30

 

 

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