ACELERACIONISTAS PÓS-CAPITALISTAS [3°EIXO]

ACELERACIONISTAS PÓS-CAPITALISTAS [3°EIXO]

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Ao realizarmos pesquisa envolvendo (1) apresentação dos discursos tecnocrático-escatológicos dos aceleracionistas capitalistas, (2) análise conceitual crítica (singularidade, pós-humano), (3) e a teoria acerca do contemporâneo (fluxos midiáticos associativos, sujeição social/servidão maquínica), acreditamos ser agora possível desenvolver, nos dois últimos eixos, a outra visão exposta na introdução do projeto: a proposição dos aceleracionistas pós-capitalistas de “acelerar o processo”, a partir de uma certa interpretação das obras políticas de Deleuze e Guattari. Impetraremos o mesmo procedimento investigativo: como compreender e periodizar os variados discursos pluralistas-prometéicos que vem sendo os centrais valores aglutinadores dos aceleracionistas pós-capitalistas?

Compreensão – No início da década de 1970, Deleuze e Guattari, como escreve Pelbart (2013, p.121), apostavam que o combate à conjunção niilismo (reativo) e capitalismo só poderia se dar “[…] a partir do niilismo que se pretende ultrapassar, voltando contra ele mesmo […]”, de modo que, o contramovimento não significaria: “[…] sustar, frear, bloquear a escalada do niilismo, mas justamente intensificá-lo, esgotá-lo, levá-lo a seu termo, fazer com que se complete e retorná-lo contra si”. Os autores vislumbravam assim um niilismo ativo, elegendo acelerar os processos de descodificação-desterritorialização; em outras palavras, de forma indagativa: advogavam um determinado liberalismo político, de avanço das “forças produtivas”, de avanço das inovações de forma a criar condições de possibilidades democráticas a partir de contínuas descodificação-desterritorialização?

Se Deleuze e Guattari, como vimos, nos afastam de mecanicismos, naturalismos e reducionismo; se eles nos dissuadem, portanto, de horizontes tecnocráticos-escatológicos; e, sobretudo, se eles nos concedem elementos para pensarmos a singularidade, a realidade intensiva ou transindividual, a maquinação e a ambivalência positiva/negativa da produção de subjetividades e a exploração destas – no âmbito da sujeição social e da servidão maquínica da era algorítmica –, podemos compreender que a posição prometéica dos aceleracionistas pós-capitalistas se manteria reflexiva, isto é, buscando superar diagnósticos filosófico de afirmações (mesmo que críticos, como em Lyotard) das tecnocracias-escatologias contemporâneas.

As aberturas filosóficas e políticas de tais autores procurariam então validar diferentes “mundos possíveis”. E seus propósitos de crítica imanente ao capitalismo e de resistências estariam baseados em contraperformatividades: afirmando a partir dos agenciamentos maquínicos e, ao mesmo tempo, ativando as desmontagens e remontagens de subjetividades e de construções políticas. Assim, ao procurarmos compreender os discursos tecnopolíticos dos aceleracionistas pós-capitalistas, seria preciso evidenciar tais aberturas filosóficas e políticas, acrescentando que os partidários destes discursos anseiam, especificamente, a aceleração das mutações e formas desviantes de materialidades de mídias, nas quais caracterizariam peculiares conformações de sentidos, práticas, afetos, sonhos –: que expressariam outra cultura política: novas singularidades coletivas de democracia digital. Mas, contudo, de que forma poderíamos trabalhar a genealogia deste tipo de teorização tecnopolítica?

Periodização – No início do século XXI, tentando escapar do duplo movimento (liberação/controle), Antonio Negri e Michael Hardt publicaram o livro Império, posicionando-se em relação ao pensamento e à indicação de “acelerar o processo” de Deleuze e Guattari, para os quais respondiam propondo fomentar nova teoria tecnopolítica. Essa não almejaria somente resistir, mas, sobretudo, apostar que, por meio das reais descentralizações midiáticas, poder-se-ia realizar uma crítica imanente ao capitalismo (cognitivo, “imaterial”)[1].

Negri e Hardt seriam uns dos pioneiros na proposição de teorizações tecnopolíticas que visaram, fundamentalmente, produzir mudanças no modo de pensar da esquerda tradicional[2]. E no conjunto dessas proposições, destaca-se hoje a teoria aceleracionista, sendo nessa relevante alguns marcos bem recentes, importantes para as leituras e estudos no presente eixo. Em 2013, é publicado e “viralizado” na Internet um manifesto intitulado #Accelerate manifesto: for an accelerationist politics, assinado por Alex Williams e Nick Snircek[3]; e, em 2014, Robin Mackay e Armen Avanessian publicam #Accelerate: The Accelerationist Reader (Mackay; Avanessian, 2014), livro no qual organizam e republicam textos clássicos e contemporâneos (27 autores) que inspiram pensamentos tecnopolíticos, tais como: Marx (Fragment on Machines); Veblen (The Machine Process and the Natural Decay of the Business Enterprise); Lipovetsky (Power of Repetition). Seguem dois trechos do referido manifesto #Accelerate, que ressaltam aspectos políticos contextuais ou conjunturais:

Que as forças do poder governamental, não-governamental e corporativo, de direita, tenham sido capazes de fazer pressão com a neoliberalização é, ao menos em parte, um resultado da paralisia contínua e da natureza ineficaz de muito do que resta da esquerda. Trinta anos de neoliberalismo tornaram a maioria dos partidos políticos de esquerda desprovida de pensamento radical, esvaziada e sem um mandato popular. Na melhor das hipóteses, eles responderam a nossa presente crise com chamados a um retorno à economia keynesiana […]. Os novos movimentos sociais que emergiram a partir do fim da Guerra Fria, experimentando um ressurgimento nos anos após 2008, foram igualmente incapazes de conceber uma nova visão ideológico-política. Ao invés disso, eles consomem uma considerável energia em processos direto-democráticos internos e numa autovalorização afetiva dissociada da eficácia estratégica, e frequentemente propõem alguma variante de um localismo neoprimitivista, como se, para fazer oposição à violência abstrata do capital globalizado, fosse suficiente a frágil e efêmera “autenticidade” do imediatismo comunal.

Aceleracionistas querem libertar as forças produtivas latentes. Nesse projeto, a plataforma material do neoliberalismo não precisa ser destruída. Precisa ser reaproveitada para fins comuns. A infraestrutura existente não é um estágio capitalista a ser esmagado, mas um trampolim para lançar o pós-capitalismo.

Negri, em artigo de 2014, publicado na revista E-flux, comenta o manifesto como tendo, de maneira geral, um saldo positivo, salientando a capacidade dos aceleracionistas pós-capitalistas ajudarem a compreender, de maneira produtiva e propositiva, acerca das materialidades “revolucionárias” do mundo contemporâneo.

O argumento do Manifesto por um Aceleracionismo Político baseia-se inteiramente nesta capacidade de liberar as forças produtivas do trabalho cognitivo. Temos de remover qualquer ilusão de um retorno ao trabalho fordista; temos de finalmente compreender a mudança da hegemonia do trabalho material para a hegemonia do trabalho imaterial. Portanto, considerando o comando do capital sobre a tecnologia, é necessário atacar a ‘abordagem cada vez mais retrógrada do capital à tecnologia’. Forças produtivas são limitadas pelo comando do capital. A questão fundamental é, em seguida, libertar as forças produtivas latentes, como o materialismo revolucionário sempre fez. É nesta ‘latência’ que temos agora de habitar” (Negri, 2014, p.3).

Tais teorizações políticas, procurariam assim, acima de tudo, fazer prosperar um novo pensamento sobre a práxis, sobre a política[4]. A partir de ambientes intelectuais e práticos-experimentais e abertos[5], acenderiam sentidos positivos de crítica, de dissenso e imaginação de um novo mundo possível – algo distinto do horizonte centrado em um pólo tecnológico (“fechado”, planificado para disrupções de mercados a partir de think-tanks, start-ups).

5° Eixo: Análise crítica dos aceleracionistas pós-capitalistas

Para tentarmos refletir criticamente sobre o horizonte pluralista-prometéico – algo que desperta controvérsias –, sem contudo simplesmente voltarmos contra tais discursos aceleracionistas, será imprescindível, neste eixo de pesquisa, seguirmos com as análises genealógicas-conceituais críticas, aprofundando ideias e propondo discussões, agora a partir de outros dois pontos: 1. A noção de materialidades de mídias; 2. E o posicionamento em relação à perspectiva de acelerar o processo.

Materialidades de mídias – Para nós, os aceleracionistas pós-capitalistas estariam certos ao salientarem a questão das materialidades –: seus designs, arquiteturas, formas de fluxos e agenciamentos, desempenhos algorítmicos etc., para a construção de subjetivações políticas. Ora, tudo isso nunca surgem a partir de uma política “pura”[6]. E mais ainda: “A verdadeira estrutura do poder é a organização material, tecnológica, física deste mundo. O governo não está mais no governo” (Comitê invisível apud Pelbart, 2015, p.165). Mas, de tal modo, podemos indagar: tais aceleracionistas salientariam também hoje que o poder não se refere mais fundamentalmente a uma instituição ou pessoa, mas nas governamentalidades? Se sim, de que forma pensariam a emancipação e o poder a partir das materialidades de mídias?

Para Terranova (2014), por exemplo, em seu artigo Red stack attack!, publicado no referido livro The Accelerationist Reader, a ênfase recai sobre as possibilidades das materialidades de comunicação e informação, especificamente, no que diz respeito ao design e ao algoritmo. A autora destaca a centralidade dos algoritmos hoje, que vão além de ser commodities, pois perfazem diretamente contextos, valores estéticos, éticos, políticos. Práticas sociais de produção e circulação, planejamentos e designs ambientes urbanos e em diferentes áreas (medicina, marketing, games etc.) e expressões criativas (música, desenhos, danças etc.) vêm sendo integrados às plataformas algorítmicas. Para ele, nesta conformação, três assuntos necessitariam de fortes politizações e criações alternativas: a criação de novas formas de trocas (moedas virtuais descentralizadas[7]), de redes sociais livres e de designs de dispositivos para ativar reais sensibilidades e sociabilidades (bio-hipermídias[8]).

Os aceleracionistas pós-capitalistas vêm levantando questões políticas urgentes. Contudo, devemos buscar compreender e esclarecer que o dimensionamento político e atarefamento teórico-prático acerca da relação democracia digital e materialidades de mídias não são exclusivos e originários destes. Podemos encontrar autores pioneiros e reconhecidos como Gerald Raunig (Factories of Knowledge, Industries of Creativity, 2013; Dividuum : machinic capitalism and molecular revolution, 2016) e Pierre Lévy (Ciberdemocracia, 2003; La sphère sémantique: computation, cognition, économie de l’information [tome 1], 2011) – e ainda Lev Manovich (códigos: softwares); Sloterdijk (arquiteturas: “esferas/espumas”); Nicolas Nova (designs: ambientes atuais-virtuais); Dominique Cardon (estruturas: internet); Mark Poster (fluxos/agenciamentos: informação) – que, apesar de diferentes temperamentos políticos de “esquerda” –, vem contribuindo para compreensões e proposições acerca. Estes autores buscam, como os aceleracionistas, novas ferramentas teóricas-e-práticas para potenciar expressões políticas e inteligências coletivas; potencializar as coexistências múltiplas de pessoas e coisas e os espaços conjuntos; fortalecer movimentos sociais, de resistências; ampliar os espaços colaborativos, não-hierárquicos e emancipatórios; ampliar ad formas de acompanhamento e de denúncia de ações corporativas e dos Estados, fortalecendo as capacidade de exercício de cidadania e dos direitos, para a diversidade, discussão pública, decisões participativas, deliberativas, transparentes, plurais –: não obstante, sem advogar um horizonte aceleracionista.

Acelerar? – O capitalismo, não sendo uma estrutura ou sistema fechado, “acabado”, está em constantes mutações e competições, buscando suas materialidades diversas para garantir produtividades/explorações, apropriações, controles: sujeições sociais e servidão maquínica. A partir disto, o mundo é imperativamente o da velocidade, de “destruição criativa”. É o mundo da aceleração. Assim sendo, caberia uma pergunta-chave no presente eixo: em uma época de enorme destruição do planeta – de enorme sensibilização sobre a dimensão antropocênica –, de que maneira a versão prometéica dos aceleracionista pós-capitalistas se distinguiria da dos aceleracionistas capitalistas? Em outras palavras, em variante polêmica: ambos os aceleracionistas não estariam dentro da lógica dos modernos – aquela mais cruel –, de destruição da Gaia – um demandando a maximização dos lucros, da abundância; outro buscando a “redenção” revolucionária? Estariam assim, os aceleracionistas pós-capitalistas, demarcando um (velho) messianismo (de um certo marxismo) acerca do desenvolvimento libertador das forças produtivas e, tão logo, movimentando também – de certa maneira, e em paralelo com aqueles que criticam – outra escatologia?

Diante dos questionamentos acima, poderíamos pesquisar e debater – como fazem Danowski e Viveiros de Castro (2014), Pelbart (2015), Clastres (2003) – se, ao contrário, deveríamos fazer prosperar um pensamento político que almejasse a desaceleração, o ralentamento, uma nova ecologia política – algo que os ameríndios teriam muito a nos ensinar[9].

Bifo (2013), autor que reflete sobre as reinvenções de sociabilidades-afetividades, de inteligência coletiva a partir das plataformas tecno-poéticas e de colaborações cognitivas, deixa-nos um debate importante: as capacidades de metabolizar informações, criar experiências de singularidades coletivas em meio a uma vida altamente acelerada, em que as mutações tecnológicas ocorrem com maior rapidez que as mutações mentais-sociais, não estariam sobrecarregando e bloqueando as mutações das últimas? Apesar de se mostrar amigável com aqueles que se manifestam a partir de uma “concepção materialista e imanentista extremadas” – aceleracionista –, Bifo adverte que, hoje, “acelerar” pode significar interrupções de produção de singularidade –: de experiências, desensibilizações; de redução dos modos de existência à meros estímulos. Desterritorização-descodificação não seria sinônimo imediato de autonomia (criação de singularidade, emancipação)[10].

A questão é acelerar ou permitir criações, desvios, experiências, diferenças, singularidades coletivas a partir deste novo mundo descentralizado pelo digital? Em relação a essa pergunta, caberia a prevenção reflexiva e a indicação de pesquisa de Pelbart (2013, p.123): “Sabemos que o capitalismo pode muito contra isso as desterritorializações, e muito mais do que na época se acreditava, mas talvez, também, muito menos. Em todo caso, hoje, uma tal avaliação demandaria uma ‘atualização’ minuciosa”[11].

Fazer política ou fazer democracia vem a ser, hoje, a criação de novos espaços de vida. Rancière (2005), mesmo que tenha deixado de lado a discussão urgente acerca das relações entre materialidades e a democracia, esclarece-nos que, longe de ser um ambiente institucional, a democracia – o processo de luta contínua contra a privatização da esfera pública –, nunca se define, em última instância, por uma forma de governo, ou uma constituição, mas pelo encontro e conflito entre as lógicas oposta da política (o governo de “qualquer um”; a possibilidade do dissenso) e da polícia (a separação, hierarquização e gestão das competências sociais; a formatação do consenso). A democracia seria, então, emancipação de múltiplas formas, materialidades, estéticas. Isto vem a ser particularmente significativo para se refletir e debater acerca das proposições tecnopolíticas levantadas, para os quais caberia perguntar: como a democracia é compreendida por tais aceleracionistas? A partir da fomentação de materialidades, buscariam por que e qual tipo de insurreição e novo poder constituinte? Afinal, na luta contra as sociedades oligárquicas-democráticas, ou melhor, na luta a favor das materialidades de mídias para o chamado Open Government, qual figura-central admitiriam esses aceleracionistas, a do hacker (dissenso) ou a do engenheiro (consenso)[12]?

[1] “Deleuze e Guattari sustentaram que melhor do que resistir à globalização do capital é acelerarmos o processo. ‘Mas qual é’, perguntam eles, ‘o caminho revolucionário? Existe? – Sair do mercado mundial…? Ou será que se deve ir na direção oposta? Avançar ainda mais no movimento de mercado, de decodificação e desterritorialização?’. O Império só pode ser efetivamente contestado em seu próprio nível de generalidade, e levando-se os processos que ele oferece para além de suas limitações atuais. Temos de aceitar o desafio e aprender a pensar e agir globalmente. A globalização precisa ser enfrentada com uma contraglobalização, o Império com um contra-Império” (Negri; Hardt, 2001, p.226-227, grifo nosso).

[2] A esquerda tradicional teria sempre apostado na crítica e na mobilização via quebra, paralisação ou revolução do modo de produção capitalista, normalmente desconjurando ou combatendo as ideias de subversão, desvios, détournement a partir de “dentro” do capitalismo.

[3] Tais autores fazem coautoria na obra recém-lançada Inventing the Future: Postcapitalism and a World Without Work (Verso, 2015) e Snircek anuncia a publicação de Postcapitalist Technologies (Polity, 2016). Obras que pretendem trazer diretrizes e proposições para as suas visões políticas.

[4] Para se ter uma ideia das discussões acadêmicas no Brasil a respeito, consultar, por exemplo, a edição n°42, 2014, da revista Lugar Comum [on-line]. (Para, do mesmo modo, analisar a penetração das ideias dos aceleracionistas capitalista, ver o recente artigo de Squirra, 2016).

[5] Contemporaneamente surgem diferentes coletivos (FabLabs, Hackerspaces, Wikispaces, Crowndfunding) e ambientes (plataformas colaborativas; programas para monitorar contas, obras públicas; programas para acompanhar representantes públicos; para acessar informações, fazer projetos educativos e artísticos, etc.) buscando a criação de materialidades de mídias para a ampliação de esferas públicas democráticas. Um dos últimos alcances importantes desses ambientes/coletivos talvez seja o lançamento, em Berlim, do blockchain Ethereum (https://www.ethereum.org/), almejando garantir bases algorítmicas para construção de plataformas digitais mais seguras e sofisticadas para compor inéditos procedimentos democráticos.

[6] “Dizer, como Badiou ou Rancière, que a subjetivação política não é dedutível à economia, é bem diferente do fato de colocar a questão a partir de sua articulação paradoxal. O primeiro caso ilustra a ilusão de uma política ‘pura’, porque a subjetivação não se articula a nada, nunca espera uma consistência necessária para existir; a segunda, ao contrário, abre canteiros de experimentação e de construção política, uma vez que ela deve, se ela deseja existir e ter consistência, operar uma ruptura, atravessando e reconfigurando o econômico, o social, o político etc.” (Lazzarato, 2011, p.44).

[7] As atuais inovações em moedas virtuais decentralizadas ajudariam a demarcar possibilidades de novas topologias, de espaços comuns, compartilhados, via algoritmos. Sobre o assunto, a autora faz uma série de indagações. A questão central seria: como podemos tornar as financias monetárias em moedas do comum (money of the common)? As questões específicas: “An experiment such as Bitcoin demonstrates that in a way ‘the taboo on money has been broken’, and that beyond the limits of this experience, forkings are already developing in different directions. What kind of relationship can be established between the algorithms of money-creation and ‘a constituent practice which affirms other criteria for the measurement of wealth, valorizing new and old collective needs outside the logic of finance? […]. Is the currency created not limited solely to being a means of exchange, but can it also affect the entire cycle of money creation-from finance to exchange? Does it allow speculation and hoarding, or does it promote investment in post-capitalist projects and facilitate freedom from exploitation, autonomy of organization etc.? What is becoming increasingly clear is that algorithms are an essential part of the process of creation of the money of the common, but that algorithms also have politics (What are the gendered politics of individual ‘mining’, for example, and of the complex technical knowledge and machinery implied in mining bitcoins?” (Terranova, 2014, p.391-392).

[8] “The term bio-hypermedia, coined by Giorgio Griziotti, identifies the ever more intimate relation between bodies and devices which is part of the diffusion of smart phones, tablet computers and ubiquitous computation. As digital networks shift away from the centrality of the desktop or even laptop machine towards smaller, portable devices, a new social and technical landscape emerges around ‘apps’ and ‘clouds’ which directly ‘intervene in how we feel, perceive and understand the world’ (Terranova, 2014, p.395).

[9] Citando Danowski; Viveiros de Castro, Pelbart (2015, p.162) escreve: “Uma coisa é certa: os coletivos ameríndios, com suas populações comparativamente modestas, suas tecnologias relativamente simples mas abertas a agenciamentos sincréticos de alta intensidade, são uma ‘figuração do futuro’, não uma sobrevivência do passado. Mestres da bricolagem tecnoprimitivista e da metamorfose político metafísica, eles são uma das chances possíveis, em verdade, da subsistência do futuro. Falar no fim do mundo é falar na necessidade de imaginar, antes que um novo mundo em lugar deste nosso mundo presente, um novo povo; o povo que falta. ‘Um povo que creia no mundo que ele deverá criar com o que de mundo nós deixamos a ele’”.

[10] Bifo (2013) lembra que, entre Anti-Édipo e O que é a filosofia?, isto é, entre 1972 e 1992, Deleuze e Guattari teriam mudado bastante. “[…] Durante este período, a globalização econômica e a revolução info-tecnológica intensificaram os efeitos da aceleração no corpo desejante”, e os efeitos da aceleração maquínica na subjetividade social seriam outros. Em Deleuze e Guattari, isto transpareceria na reversão problemática quando abordam a relação entre o “caos” (disrupções tecnológicas?) e o “cérebro” (subjetivações?). Em O que é a filosofia?, os filósofos escreveram: “Queremos apenas um pouco de ordem para nos proteger do caos. Nada é mais estressante do que o pensamento que escapa a si mesmo, ideias que fogem, que desaparece apenas esboçadas, erodidas pelo esquecimento ou precitadas em outras, que do mesmo modo não dominamos” (Deleuze; Guattari apud Bifo, 2013, p.3).

[11] O autor nos indica as seguintes referências a serem consultadas durante a pesquisa: Julian Ferreyra, L’ontologie du capitalisme chez Gilles Deleuze (2010) e Akseli Virtanen, Poder arbitrário: Crítica da economia biopolítica (prelo), além de Sibertin-Blanc (2013).

[12] Conforme distingue Comitê invisível (2014, p.126), enquanto a figura do engenheiro se posiciona como um agente policial que vem fazer com que o mundo funcione, da melhor forma possível, de acordo com um sistema; a figura do hacker, por sua vez, busca encontrar as falhas, inventar outros usos, experimentar, isto é, liberar novos ethos a partir de suas experimentações técnicas.

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