A. MACHADO – RECUPERAÇÃO BENJAMINIANA, CONTRA CONSERVADORISMOS

MACHADO – RECUPERAÇÃO BENJAMINIANA, CONTRA CONSERVADORISMOS

Para Arlindo Machado, a ‘simbiose’ cada vez mais profunda entre as novas mídias e a arte talvez reavivem o argumento original de Benjamin em relação ao modo de perguntar no momento de constituição e alastramento do cinema e fotografia, no início do século XX. É preciso atentar para a nova sensibilidade e heterogeneidade [aqui, em relação ao “público”] que emerge. Dois trechos do artigo “Arte e mídia”:

“Talvez possamos com proveito aplicar à arte produzida na era das mídias o mesmo raciocínio que Walter Benjamin aplicou à fotografia e ao cinema: o problema não é saber se ainda podemos considerar ‘artísticos’ objetos e eventos tais como um programa de televisão, uma história em quadrinhos, ou um show de uma banda de rock. O que importa é perceber que a existência mesma desses produtos, a sua proliferação, a sua implantação na vida social coloca em crise os conceitos tradicionais e anteriores sobre o fenômeno artístico, exigindo formulações mais adequadas à nova sensibilidade que agora emerge. Uma crítica não dogmática saberá ficar atenta à dialética da destruição e da reconstrução, ou da degeneração e do renascimento que se faz presente em todas as etapas de grandes transformações. O que não se pode  é  julgar  toda  essa  produção  com  base  numa  legislação  teórica prefixada,  baseada  em  categorias  assentadas  e  familiares,  já  que  ela  está  sendo governada por modelos formativos que provavelmente não foram ainda percebidos ou analisados teoricamente (Lyotard 1982: 257-267). Com as formas tradicionais de arte entrando em fase de esgotamento, a confluência da arte com a mídia representa um campo de possibilidades e de energia criativa que poderá resultar proximamente num salto no conceito e na prática tanto da arte quanto da mídia, se houver, é claro, inteligências e sensibilidades suficientes para extrair frutos dessa nova situação”. (p.13).

“Os públicos dessa nova arte são cada vez mais heterogêneos, não necessariamente especializados e nem sempre se dão conta de que o que estão vivenciando é uma experiência estética. À medida que a arte migra do espaço privado e bem definido do museu, da sala de concertos ou da galeria de arte para o espaço público e turbulento da televisão, da Internet, do disco ou do ambiente urbano, onde passa a ser fruída por massas imensas e difíceis de caracterizar, ela muda de estatuto e alcance, configurando novas e estimulantes possibilidades de inserção social. Esse movimento é complexo e contraditório, como não poderia deixar de ser, pois implica um gesto positivo de apropriação, compromisso e inserção numa sociedade de base tecnocrática e, ao mesmo tempo, uma postura de rejeição, de crítica, às vezes até mesmo de contestação. Ao ser excluída dos seus guetos tradicionais, que a legitimavam e a instituíam como tal, a arte passa a enfrentar agora o desafio da sua dissolução e da sua reinvenção como evento de massa” (p.14).

[MACHADO, Arlindo, “Arte e mídia: aproximações e distinções”. In: Revista Eletrônica Compôs. N°01. http://www.compos.org.br/e-compos].

 

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