VEICULAÇÕES CIBERNÉTICAS

VEICULAÇÕES CIBERNÉTICAS:

Compilo abaixo algumas notícias veiculadas na mídia sobre o tema da cibernética e, ao final, teço duas reflexões sobre os limites do pensamento cibernético.

– A primeira, bastante divulgada, relata as experiências da empresa Google na implantação de um novo carro que se autodirige, a partir de dispositivos automáticos. O carro, na verdade, teria um “co-piloto” humano para assumir nos casos necessários. A inovação da Google dá o que falar, pois abre discussões da falta de um agente humano para responsabilizar em caso de acidente…

– A segunda matéria relata uma investigação cibernética acerca dos robôs. Partindo de um conceito biológico de altruísmo, os cientistas criaram gerações de robôs para analisar o aparecimento do nepotismo na comunidade. As conclusões dos pesquisadores são curiosas.

– A terceira notícia relata, entre outras coisas, sobre a criação de “ciberdiplomatas” na França. A matéria é uma entrevista que revela a preocupação e projetos do governo francês em equipar seu território com os dispositivos para fabricar/combater a guerra virtual.

– A última notícia “cibernética” (mais antiga, de 2008) é também sobre uma investigação científica, no entanto em video. Um grupo de pesquisadores do “Concept Lab” (http://www.conceptlab.com/) realizou experimento de utilização de tecnologia como ‘extensão de corpos não-humanos’, no caso, de uma barata de Madasgascar! O animal é preso em um dispositivo-motor com sensores, onde se espera que ele opere instintivamente, incorporando a tecnologia para movimentar e perceber as dimensões de espaço. Os cientistas justificam uma colheta de materais para estudos nass áreas de biométrica, de construção de ciborgs e da computação biológica.

 

– Carro do Google sabe andar sozinho (Folha, 18/10/2010) – “A utilização da inteligência artificial para revolucionar os automóveis é uma prova das ambições do Google de ir além do seu campo de atuação com mecanismos de busca. Durante um recente passeio de meia hora a partir do campus do Google em San Francisco, um Prius equipado com vários sensores e seguindo uma rota programada no GPS acelerou com agilidade na via de acesso e se misturou ao veloz tráfego da Highway 101, rodovia que cruza o vale do Silício.

Ele andou no limite da velocidade, que ele sabia qual era, pois o limite de cada estrada está no seu banco de dados, e deixou a rodovia várias saídas depois. Christopher Urmson, um especialista em robótica, estava ao volante, mas sem usá-lo. Para controlar o carro, ele teria de fazer uma de três coisas: apertar um botão vermelho junto à sua mão direita, pisar no freio ou virar o volante. Fez isso duas vezes: quando um ciclista furou um sinal vermelho, e quando um carro à frente parou e começou a dar ré para estacionar numa vaga. Mas, aparentemente, o Prius iria evitar o acidente por si só. O advento de veículos autônomos gera questões jurídicas complicadas, admitem os pesquisadores do Google.

Pela lei atual, um humano precisa controlar o carro, mas e se o humano não estiver realmente prestando atenção, achando que o robô dirige com mais segurança? No caso de acidente, quem seria o responsável -a pessoa atrás do volante ou o fabricante do software? “A tecnologia está à frente da lei em muitas áreas”, afirmou Bernard Lu, assessor do Departamento de Veículos Automotores da Califórnia”.

– Robô nepotista dá duro pela ‘família’, revela estudo suíço (Folha de S. Paulo (15/05/11) – “Conta-se que um político brasileiro, criticado por instalar familiares em cargos públicos, teria se saído com esta: “Já que todo mundo é parente de alguém, melhor que seja parente meu, ora”. Os robozinhos criados por um trio de pesquisadores na Suíça só têm 33 “neurônios” artificiais e, portanto, são incapazes de realizar o prodígio da lógica acima. Mas, sob condições favoráveis, viraram adeptos inconscientes do nepotismo – dando peso, de quebra, a uma ideia central da biologia evolutiva. Estamos falando da seleção de parentesco. Grosso modo, o conceito explica o porquê de seres vivos serem altruístas, às vezes a ponto de sacrificar a própria vida, quando o bem-estar da família está sob ameaça. A seleção de parentesco pode ser favorecida no jogo da evolução porque, a rigor, os parentes de um indivíduo são “pedaços” dele próprio. Se uma espécie se reproduz por meio do sexo, cada filho carrega 50% do DNA de cada um dos pais (e 25% dos genes dos avôs ou dos tios). Ajudar um parente, portanto, equivale a ajudar a si mesmo quando se leva em conta as gerações seguintes.

A regra de Bill – A expressão matemática das ideias acima foi bolada pelo biólogo britânico William “Bill” Hamilton (1936-2000), ganhando o nome de regra de Hamilton. Os cientistas suíços queriam demonstrar, ao longo de centenas de gerações observadas em laboratório, se a regra de fato funciona dessa maneira. Para isso, Markus Waibel, Dario Floreano e Laurent Keller usaram os simpáticos robozinhos modelo Alice, que cabem na palma da mão de seus criadores.

Em grupos de oito “indivíduos”, os robozinhos tinham de carregar “comida” e dividi-la ou não com seus companheiros. Ao fim de uma “geração”, a programação dos autômatos – equivalente ao seu DNA- era passada adiante de acordo com seu sucesso na tarefa. Ou seja, os mais eficientes se reproduziam mais. A pegadinha é que, nos grupos iniciais, podia ou não haver robôs aparentados. E essa frequência podia variar no tempo de acordo com o sucesso dos autômatos na hora de conseguir comida e se reproduzir graças a isso. Após 500 gerações, com 1.600 robôs cada uma (a maioria simulada com precisão em computador, porque não dava para construir tanto robô, explica Waibel), ficou claro que o altruísmo surgia com o parentesco. Havia um ponto de virada, sempre que o custo de ser “bonzinho” era superado pelo benefício de dar uma mãozinha aos ‘primos’. O estudo, que saiu na revista científica “PLoS Biology”, pode inspirar robôs que saibam cooperar entre si, dizem os pesquisadores”.

–          Entretien : pourquoi la France renforce sa cyberdéfense

http://www.lepoint.fr/high-tech-internet/entretien-pourquoi-la-france-renforce-sa-cyberdefense-30-05-2011-1336616_47.php

         Cockroach Controlled Mobile Robot (2006) – Garnet Hertz

REFLEXÕES EM BOA HORA:

Os limites da cibernética, para Heidegger:

“Vejamos, portanto, o caso da cibernética como ilustração. Para essa ciência, linguagem significa comunicação, isto é, a mera troca de mensagem a serviço de uma performance específica, da realização de tarefas pré-determinadas. Por mais influente que seja essa forma de compreender a linguagem, comunicação, informação, Heidegger a considera um amesquinhamento da possibilidade que a linguagem tem de colocar a abertura do ser. Ao final, a idéia de linguagem da teoria da comunicação não diferenciaria o humano do animal. Não é fortuito, portanto, que, quando fala em comunicação, linguagem Nobert Wiener não separe homem, animal, natureza, máquina. Todas essas entidades teriam a capacidade de trocar mensagens entre si e, assim, de se comunicar. Essa comunicação pressupõe, por seu turno, uma linguagem não-ambígua que permita a troca de mensagens. Assim, a cibernética se torna para Heidegger a realização mais consumada da metafísica, naquilo que ela tem de mais básico: pensar o humanitas a partir do animalitas, acreditar que ambos pertencem ao mesmo âmbito (dos seres vivos, das entidades naturais) e ali tentar realizar seu desejo de colecionar, estocar todos os entes num plano comum que permitisse sua perfeita mobilização” (Jonatas Ferreira, no artigo: “Agamben, Heidegger e animal”).

Os limites da visão tradicional da cibernética, para Simondon:

Conforme havia notado Simondon, a obra de Wienner erraria no ponto em que não parte de uma fenomenologia dos objetos técnicos que mostra a constante individuação, devir… Wienner procurou categorizar os seres viventes e as tecnologias para estabelecer hierarquias de espécie e gêneros, sem contudo perceber que isto enrijecia a notação de fluxo sempre aberto, não isolado e finalizado nas suas categorizações. Simondon não analisa a máquina como “produtor” ou “consumo” de informação, mas como trans-ductor de informação. Na informação há sempre indeterminações e contingências.

“Lo que hace correr a la Cibernética es el riesgo de que su trabajo se convierta em parcialmente ineficaz como estudio intercientífico (y ése era sin embargo el objetivo que Norben Wiener asignaba a su investigación), es el postulado inicial de identidad de los seres vivientes y de los objetos técnicos autorregulados. Ahora bien, se puede decir solamente que los objetos técnicos tienden hacia la concretización, mientras que los objetos naturales, tales como los Seres vivientes, son concretos desde el comienzo. No hay que confundir la tendencia a la concretizaciõn con el estatuto de existencia enteramente concreta. Todo objeto técnico posee en alguna medida aspectos de abstracción residual; no se debe pasar el límite y hablar de objetos técnicos como si fucran objetos naturales. Los objetos técnicos deben ser estudiados en su evolución para que se pueda desprender de dIas el proceso de concretización en tanto que tendencia; pero no hay que aislar el producto último de la evolución técnica para declararlo enteramente concreto; es más concreto que los precedentesq peTo todavia es artificial. En lugar de considerar una clase de seres técnicos, los autómatas, es preciso seguir las líneas de concretización a través de la evolución temporal de los objetos técnicos; sólo según este camino la aproximación entre el ser vivo y el objeto técnico tiene una significación verdadera, por fuera de toda mitologia. Sin la finalidad pensada y realizada a través de lo viviente, la causalidad física no podría producir eUa sola una concretización positiva y eficaz” (“El modo del existencia del objeto tecnico”).

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