TECNOLOGIAS DIGITAIS E NOVAS CRIAÇÕES MUSICAIS – VideoSongs

 “O duplo estatuto da música nos VideoSongs”

(do artigo de M. B. Conter & Alexandre R. Silva, publicado na revista Ciberlegenda).

Populares no Youtube, os vídeos chamados de VideoSongs utilizam pra valer os dispositivos de edição audiovisual, de sincronizações digitais, splits screens, mixações etc. presentes em diversos softwares. O artigo de Conter & Silva deram mais certeza para algo: as produções “caseiras” despontam nas experiências sinérgicas para o trabalho colaborativo. Isto constituiu, notam Conter & Silva, em uma intensa produção da diferença na produção de obras musicais. Segue trechos de suas conclusões:

“(…) diferença e repetição são dois vetores fundamentais para que se pensem com categorias novas os vídeos produzidos para a web: os VideoSongs. Se, por um lado, a repetição cria hábitos tanto de composição quanto de produção teórica (o videoclipe e suas teorias são um exemplo evidente de tal procedimento), a diferença é o procedimento que instabiliza tanto produções quanto teorias modificando-as e as fazendo crescer em múltiplas semioses. As condições de crescimento de tais semioses não estão apartadas de seus processos de produção. É provável que no sistema tradicional da indústria fonográfica o VideoSong tivesse dificuldade de expressão, pois neste território músicos e produtores de vídeo vivem separados, com funções bem específicas e separadas no tempo e no espaço. Na web, ao contrário, a produção deixa de ser necessariamente em série e especializada: a imagem do capitalismo da pós-história é a das sincronicidades que têm gerado os VideoSongs a partir de aparelhos técnicos cujos programas imaginam mundos por vir a partir de seus próprios termos.

“Assim o mérito do VideoSong parece estar em ter conseguido desterritorializar a Música no terreno dos audiovisuais musicais; não produzir uma música diferente, mas produzir diferença na Música, usando o audiovisual como um instrumento musical capaz de imaginar Música, de apresentá-la teoricamente através de imagem-música. É na busca por um novo ritornelo que a diferença dará movimento ao virtual. Nessa reterritorialização que o VideoSong proporciona à Música não há uma linguagem estabelecida, mas um terreno movediço, onde a Música é quem protagoniza a produção de sentido”.

La vie en Rose, de Pomplamoose:

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