DON IHDE – FENOMENOLOGIA DA TECNOLOGIA

DON IHDE – FENOMENOLOGIA DA TECNOLOGIA

Don Ihde constituiu uma fenomenologia da tecnologia em seu livro Technology and the Lifeworld, publicado em 1990. Foi o primeiro a fazer tal coisa. Na esteira da fenomenologia heideggeriana de Ser e Tempo, foi ele quem mais aprofundou na articulação – como ele diz, incorporação (embodimment) – do homem com a tecnologia. As tecnologias tornaram-se inseparáveis da definição de coisas essenciais ao humano: nossa percepção e nossa interação com o mundo. Ihde levou a sério a ideia de que é por meio dela, da tecnologia, que “produzimos” a realidade: o homem intermedeia a observação e ação no mundo por meio de tecnologias.

Para avançar nestas proposições, Ihde classificou quatro grupos de experiências que surgem a partir de intermediação: 1) relações de incorporação; relações hermenêuticas; 3) relações de alteridade; e 4) relação de base, mostrando como há diferentes formas, mais fracas ou mais fortes, de intermediação. Contudo, tal como vemos, Ihde talvez infelizmente não viu uma outra forma de intermediação, relação de imersão, que vem sendo provocada pelas tecnologias cognitivas e biotecnologias contemporâneas.

Ao longo da história humana, o aprofundamento das relações tornou possível aos seres humanos diferentes formas de ingresso à realidade espacial e temporal; a explicação e contextualização dos ingressos dos gregos, medievais, modernos é outra contribuição importante do livro. Note que a “objetividade”, desde sempre muito apregoada pela filosofia da ciência, ficará sendo uma questão de perspectiva, a partir de um certo background tecnológico. Ihde não largou mão de fazer este questionamento, tanto que é um dos porta-vozes do chamado realismo instrumental na epistemologia da ciência.

Os livros deste autor são adoráveis. Debate com maestria sobre os legados da hermenêutica, propõe estudos de pós-fenomenologia etc., e é uma pena não termos traduções em português. Na leitura que fiz do livro, tomei a liberdade de ordenar alguns ensinamentos do autor, em relação aos tipos de intermediação. Segue:

Nota final, à título de exemplificação. Na estética do artista sul-africano William Kentridge podemos refletir sobre estas variadas formas de relação de que nos propõe Ihde. Kentridge nos faz pensar isto na cidade, e de forma política – sendo bastante interessante.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: