COMPETIÇÃO & AGENCIAMENTOS MAQUÍNICOS

COMPETIÇÃO & AGENCIAMENTOS EM AMBIENTES MAQUÍNICOS


Nota publicada no jornal Folha de S. Paulo (ver abaixo). Temos o lamento de um empresário por não conseguir acompanhar os trabalhos dos “outros”, estes em nível de maquinação “mais elevado”. A nota parece ser mais uma elegia ao fim do “pregão” tradicional. Transpõe-se os agenciamentos realizados por um amontado de pessoas, em uma ensurdecedora gritaria irracional, como é-foi próprio ao “mercado de ações”. Até então, o acompanhamento mediado pelo computador e agenciado pelo homem era o paradigma da “era da globalização”. Neste paradigma, continuava-se a pensar, mesmo que ingenuamente, que tudo se passava a partir de uma “competição entre humanos”. Agora, contudo, a competição extrapolaria este plano. Novas simbiose. Novas desterritorializações. Na competição cibernética, de humanos e não-humanos, há um ganhador sempre certo: aqueles grupos de agentes humanos/não-humanos com nível mais elevado de maquinação; que consegue desestabilizar os regimes anteriores e vencer a competição. Aqui, no novo “pregão”, a variável temporal que aquilo que decreta a desestabilização, e o vencedor. A prontidão imediata das máquinas digitais é o novo trunfo de maquinações sociais. A construção de software coloca um divisor de águas.

“Robôs ganham licitações e preocupam empresários”

Lance automático em pregões do governo exclui quem não tem o software

O empresário Henrique Dendrih, que tem nas vendas para o governo 70% de seu faturamento médio, se diz prejudicado

Programas de computador usados para dar lances automáticos em pregões públicos eletrônicos, realizados na internet, estão causando problemas para empresários em compras governamentais.

Também chamados de robôs, os softwares são vendidos por preços que vão de R$ 1.400 a R$ 5.500 e garantem o primeiro lugar na disputa.

A cada oferta dada por um concorrente, os robôs dão lances mais baixos em menos de um segundo -uma pessoa demora seis segundos- até o encerramento do pregão ou até o limite de preço definido pelo usuário.

O empresário Henrique Dendrih, 61, dono da Eletrônica Henrique, diz ter notado, em 2010, o aumento do número de pregões em que é derrotado por menos de um segundo. Os casos ganharam apelido: “perder pelo fotochart” – equipamento que define o vencedor de provas quando corredores chegam praticamente juntos.

“Não consigo dar lances tão rapidamente quanto outros”, diz ele, que não pensa em comprar o software.

Cerca de 70% do faturamento de sua loja de pequeno porte vem de vendas para o poder público. Desde 2007, micro e pequenas empresas têm, por lei, preferência nas compras governamentais.

O Ministério do Planejamento, responsável pelos pregões do governo federal, afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que “vem trabalhado constantemente no sentido de impedir a utilização de robôs”.

(Marcos de Vasconcellos / Jornal Folha de S. Paulo, 20/03/2011)

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