Abaixo a ditadura! Marchemos aos quartéis das mídias!

Abaixo a ditadura! Marchemos para os quartéis das mídias!


Mais uma vez se repete o cenário de lutas populares para derrubar as ditaduras a la século XX que ainda se perpetuam. Desta vez é o Egito, com o senhor Mubarak ocupando o trono há mais de trinta anos. E mais uma vez, também, se repete um jogo estratégico por parte do governo e dos manifestantes em torno do controle das mídias: televisão, celular, jornal, internet. Tudo aqui é vital para manter ou derrubar um império, uma ditadura. Quem se lembra um emblemático momento de derrubada do ditador Nicolau Ceausescu, na Romênia, há pouco mais de 20 anos, sabe o quanto a tomada da televisão por parte dos manifestantes foi decisiva para a queda da ditadura. Convém acompanhar os acontecimentos no Egito. Uma das primeiras repressões do governo ditador foram os cortes da telefonia e da internet. Conforme a notícia da Folha de hoje, 29-01-2011, o exército já arma defesa no prédio da Tv estatal… Somente uma última nota: tais acontecimentos no mundo contemporânio somente vêm dar mais força ao pensamento de G. Agamben – Estado de exceção e biopolítica caminham juntos e explicam cada vez mais ordens e conjunturas políticas. O Estado de exceção como o estado em que fato e direito – entre violência e direito – não mais fazem diferença, são igualáveis – isto revisa, pois, a tradicional ideia da filosofia política de fim do “estado de natureza” meio da “fundação do Estado”: o moderno Estado soberano é, ele próprio, que conjuga o ‘direito de vida’ e o ‘direito de morte’ dos súditos; é, ele próprio, que demarca a vida moderna como indistinta da vida ‘selvagem’, em natureza (phisis) com a vida em cultura (nomos).

Leia a notícia:

FOLHA DE S. PAULO – 29-11-2011, caderno “Poder”:

Revolta na rede 
“Os conflitos de ontem, dia de orações para os muçulmanos, foram os mais violentos desde terça, data dos protestos iniciais contra a ditadura. Carros e prédios como o escritório do partido governista no Cairo foram incendiados, e soldados do Exército tiveram de conter uma tentativa de ocupar a TV estatal. Em Suez, uma delegacia foi invadida, e os presos, soltos. A polícia reprimiu os protestos com gás lacrimogêneo, cassetetes, canhões d’água e balas de borracha. Segundo forças de segurança egípcias, o ex-diretor da agência nuclear das Nações Unidas e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei foi colocado em prisão domiciliar. El Baradei estava entre os manifestantes atacados com gás lacrimogêneo e canhões d’água na saída de uma mesquita na capital. Outro líder oposicionista, Aymad Nour, foi hospitalizado após levar uma pedrada na nuca, segundo seu filho.
Em entrevista à Folha, um ativista egípcio que mora no Brasil afirmou que os protestos vêm sendo planejados pela internet há um ano. No Cairo desde quarta para participar das manifestações, ele pediu para não ser identificado por questões de segurança. Ontem, o governo egípcio bloqueou o acesso à rede.
Entre as principais causas da revolta no Egito estão fatores semelhantes aos que derrubaram Ben Ali, ditador da Tunísia, duas semanas atrás: crise econômica, com 40% da população do país vivendo abaixo da linha da pobreza, e corrupção endêmica.
Mubarak nunca indicou substituto, e há rumores de que prepara seu filho Gamal para a sucessão, ideia que é vista com maus olhos pela elite militar do Egito.
Raro caso de país árabe que mantém boas relações com Israel, o Egito é um dos principais aliados dos EUA na região e recebe dos americanos grande montante de ajuda militar e auxílio financeiro.
O Departamento de Estado recomendou a cidadãos americanos que, por enquanto, evitem viajar ao Egito. Ontem, a companhia aérea Egypt Air suspendeu voos que partiam do Cairo”.

Indicação de vídeo:

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