Efeito Maelström I – Varèse & Corbusier

Efeito Maelström – Varèse & Corbusier – “Poeme Eletronique”.

1958 – Varèse e Corbusier se encontram para realizar aquilo que seria os primórdios da arte-mídia contemporânea. E se hoje ainda há variadas dificuldades para uma compreensão mais profunsa e apreciável das artes que exploram os meios digitais, o leitor deve imaginar, portanto, o que estes artistas enfrentaram nos fins da década de 1950. Estes dois foram realmente vanguardistas franceses! Varèse, grande compositor experimental, que em outra obra faria um orifício novo na flauta clássica e exploraria o artíficio inovador compondo ‘Density 21.5′. Corbusier, visionário, teórico e empreendedor da arquitetura moderna, tentou não somente alcançar uma nova forma estética, mas também resignificar a própria ideia de habitar. No Conservatório de Paris, a música concreta ganhou vários adeptos significativos: Pierre Boulez, Charles Yves, Pierre Schaeffer; e, um pouco mais tarde, nos anos 1960, John Cage. Tanto Varèse como Corbusier buscaram influencias neste aspecto e foram propositores de mudanças. Na obra “Poeme Eletronique” eles exploram os sentidos iconográficos de tal período, caracterizado pelos vultosos descobrimentos técnico-científicos, mas também pelo incomensurável poder irracional e primitivo presente no humano. Em “Poeme Eltronique” temos a exploração genética da antropotécnica do período pós-guerra. A obra é um videoinstalação. Corbusier demarca uma sequência de exposição pictóricas e iconografias que foram seguidas e integradas aos sons proteiformes e anunciativos, compostos por Varése. Corbusier denominaria as passagens a partir da passagem do tempo em segundos: 0-60’’ Genesis; 61-120’’ Spirit and Matter; 121-204’’ From Darkness to Dawn; 205-240’’ Man-Made Gods; 241-300’’ How time moulds civilization; 301-360’’ Harmony; 361-480’’ To All Manking. Predomina-se a exposição do curso mitológico, revelando as diversas forças “apolíneas” e “dionisíacas” do homem: magia, técnica, religião, ciência se conjugam e culminam no mundo urbano tomado pela experiência da barbárie em pleno mundo racionalizado; a ambiguidade humana fica evidente no rosto, na mão, nos olhos – lugares de troca de pensamentos, artíficios, sentimentos, bem como de expressões demoníacas, de poderes bárbaros (militares), injúria, intolerâncias. Ao final, contudo, os artistas parecem tentar exibir um caráter essencial, no qual recuperaria e reconciliaria o humano, e sua capacidade de convívio social e altruísta com a natureza. A vida então é revelada naquilo que vem a ser um bem supremo: o corpo humano, mão, rostos, olhos, recuperando a sua natureza, passam a expressar os sentidos da paz, tolerância; o valor da infância, do amor, do habitar.

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