Para pensar o terrorismo

PARA PENSAR O TERRORISMO

tolerancia1

Ednei de Genaro,
Mestre em Sociologia Política (2010)

A prática terrorista como estratégia política é, de alguma forma, justificável? É possível que haja uma situação em que o terror contra pessoas, bens públicos e privados seja um ‘bem’ para a humanidade? Levar a sério tais perguntas é o melhor meio para discutirmos tema tão difícil.

Impossível concordar com alguém que diga que seja justicável ou algo válido para a humanidade, uma vez que mesmo aqueles que argumentam ser uma legítima atitude contra determinadas situações de aguda opressão, esquecem, acima de tudo, que com tal atitude passam por cima do direito à vida e preservação do mundo.

Terrorismos não servem para cuidar do mundo nem da vida. Terrorismo é sempre o aniquilamento da razão e do diálogo e a instalação do ato bárbaro, desumano e da cegueira fanática de qualquer tipo. Um pensador chamado Clausewitz refletia: ‘a política é a continuação da guerra por outros meios’. O terrorismo de nenhum modo pode ser uma extensão da política. O terrorismo é o fim da política. O terror é o lado extremo mais desesperançado das formas de ruptura do diálogo político. De tal modo, Bin Laden e G. Bush, cada qual a sua maneira, faziam seus terrorismos… Era a mesma moeda.

Agora, engana-se que isto encerra o assunto. Os constantes atos terroristas que vemos nas mídias são uma terrível consequência de miséria política antecedente, isto é, da miséria dos preconceitos, dos totalitarismos econômicos, dos ódios religiosos, das segregações espaciais etc. É daqui a gênese dos terrorismos mundiais.

O terrorismo hoje é totalmente diferente de qualquer outra época. O nosso terrorismo é fruto da extrema modernização tecnológica, com a mídia globalizada, com máquinas diversas de destruição, com as tiranias burocratizadas. Diante de um mundo tecnológico, não é à toa que muitos terrorismos surgem em metrôs, aviões, prédios gigantes. O ataque terrorista é contra o cotidiano de uma sociedade civil ‘inimiga’. E os atos tornam-se sempre um jogo simbólico – que espalha o medo, a virulência e a descompreensão. Foi no século XX que a guerra simbólica, observada pela opinião pública, se arquitetou. De um lado, apareceu a magnífica ‘luta sem armas’ de M. Gandhi, do outro, os terroristas sem-nome.

Longe da paz e da justiça entre as sociedades, a vida torna-se uma peça-alvo para a paranóia de um mundo sombrio. Sem dúvida, a humanidade só ganharia se o terrorismo fosse difamado, dissimulado com demonstrações positivas de relacionamento político e de sensibilização aos problemas que antecedem. E não reagindo com resoluções que podem ser vistas como de mesma categoria. Ora, é isto que muitas pessoas (e importantes) pensam, mas infelizmente não chegou à cabeça de muitos chefes de Estado.

Eis um retrato de nosso tempo. E não sem razão, escreveu o pensador francês Jean Baudrillard: “Marx dizia: um espectro, o comunismo, é hoje a obsessão da Europa. Podemos dizer: Um espectro, o terrorismo, é hoje a obsessão da ordem mundial”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: