“Evidence” (EUA, 1995, G. Reggio): Evidences?

“Evidence” (EUA, 1995, G. Reggio):

Quais temos hoje?

Link para assistir o filme no Youtube:

http://br.youtube.com/watch?v=vuI_nCADnW0

O curto vídeo de G. Reggio (aprox. 10 min), nos deixa, no entanto, facilmente expostos a longas reflexões. O documentário explora a relação dos sentidos humanos com a mídia televisiva. O filme é um tipo de “experimento”, ligeiro e polêmico, colocando crianças, aparentemente entre 4 e 7 anos, em frente à tela de uma televisão na qual transmite imagens ‘estimulantes’ (não visualizadas por quem assiste o documentário). A “evidence” (a prova) maior que G. Reggio quer nos deixar é coerente com as suas outras obras cinematográficas, como a do filme Koyaanisqatsi, realizado na década de 1970 –, a saber: a evidência de que as técnicas modernas, notadamente, os meios de comunicação, criam novos contextos de interações individuais e sociais nos quais expressam uma condição humana bem particular de nossa época; e que são, sim, problemáticas. Em “Evidence”, sentimo-nos na situação desconfortante de assistir a close-ups dos rostos e corpos imóveis das crianças, vendo as suas diversas reações às superposições de estímulos ao que é transmitido na tela. Reggio explora um modo “dramático” de expor as “influências” cognitivas, psicológicas da mídia televisiva nas crianças. Na “pura” captação sem “filtro” do mundo imagético, a criança se encontra verdadeiramente diante da indústria cultural: submissa às violências? Às publicidades ‘exóticas’? Ou simplesmente reage a um agitado desenho animado? São questões pontuais que, tão logo, podem levar a outras, muito mais pertinentes e reflexivas: qual o sentido que a mídia televisiva na cultura? Que tipo de cultura e de realidade espacial e temporal ela nos passa? Qual o papel que ela tem hoje na construção de fantasias e de valores humanos diversos? McLuhan, nas décadas de 1960 e 70, se perguntava: as mídias podem “aumentar” as nossas experiências cognitivas, estéticas, intelectuais etc.? E podem as tecnologias das mídias “estender” o corpo humano? McLuhan avaliava que a televisão pode aumentar a nossa capacidade de ver e ouvir no espaço e no tempo, algo que o rádio não tinha a mesma capacidade. Ora, ele não estava errado com as suas conclusões de que a televisão se tornaria o meio de propagação de entretenimento da vida moderna. Outros autores enfatizariam as consequências “negativas”: formações mitigadas de individuação, “alienação”, consumismo, isolamento social… A lista é longa e, no entanto, bem conhecida.  “TV influencia a cor dos sonhos, mostra pesquisa britânica”, era o título de uma notícia do jornal Folha de S. Paulo (19-019-2008), em que destacava um discurso científico de “evidence”: cientistas tinham estudado como as experiências oníricas eram vistas, se em preto-e-branco ou a cores. O resultado era uma afirmação de que as pessoas expostas a telas em preto-e-branco tinham seus sonhos limitados a essas cores, enquanto os expostos a telas coloridas sonhavam assim a cores, concluindo que a memória das pessoas era, de tal maneira, “influenciada” pela televisão. Neste horizonte “negativo”, Baudrillard, em “Simulacros e Simulações” e em “Tela Total”, refletiria acerca das consequências de vivermos em um mundo “alucinado” pelas imagens e pelo resultado de viver em um ambiente reduzido à “seduções”. A dimensão hiper-realista das imagens, diz ele, “trata-se de uma substituição no real dos signos do real, isto é, de uma operação de dissuasão de todo o processo real pelo seu duplo operatório”. Seriam tudo isso evidences?

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