CRÍTICA / MATERIALIDADE DE MÍDIAS / DEMOCRACIA DIGITAL [disciplina pós-doc]

DISCIPLINA – PÓS-GRADUAÇÃO (proposta de curso – 2016)

CRÍTICA / MATERIALIDADES DE MÍDIAS / DEMOCRACIA DIGITAL

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PROF. DR. EDNEI DE GENARO (candidato pós-doc 2016)

EMENTA

A disciplina propõe apresentar e debater as noções de crítica, materialidades de mídias e democracia digital, dando ênfase à abordagem epistemológica transindividual. O horizonte da disciplina é sempre o de levantamento e debate dos problemas filosófico-políticos envolvidos nas noções, evidenciando diferentes visões e focando as discussões no campo da comunicação.

REQUISITOS MÍNIMOS

Disponibilidade de tempo fora de aula para as atividades de leituras. Domínio de inglês e espanhol para ler parte da bibliografia obrigatória.

OBJETIVOS

Buscar apresentar aos alunos de pós-graduação as recentes discussões envolvendo as noções contemporâneas de crítica, materialidade de mídias e democracia no campo da comunicação, de modo a promover possíveis articulações com seus respectivos problemas de pesquisa. Oferecer bases conceituais e metodológicas para a compreensão e análise dos processos comunicacionais a partir de problemas filosófico-políticos.

METODOLOGIA

As aulas se constituirão em discussão da bibliografia e filmografia orientadas pelo professor, oferecendo momentos próprios de debates e de valorização do posicionamento crítico dos alunos.

PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO

A avaliação da disciplina se baseará por: 1 – um artigo final, que poderá partir de temática de estudo do aluno, desde que apresente exercícios de reflexão sobre tema(s) e/ou problema(s) tratamos durante na disciplina; 2 – nota qualitativa da participação em sala de aula. O professor se prontificará e recomendará o recebimento de uma versão parcial para discussão/orientação. A data para recebimento desta versão deverá ser até duas semanas antes da data de entrega da versão final (a ser combinada). Os artigos deverão conter até 40 mil caracteres. Esta dimensão do trabalho inclui as notas de rodapé e referências bibliográficas. Os trabalhos deverão ser entregues em cópia impressa e eletrônica. Nota final = Trabalho final (80%) + Participação (20%).

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

AULA 1 – Apresentação da disciplina [o projeto de pós-doutorado do pesquisador; os temas gerais a serem discutidos na disciplina; discussão do método de avaliação]

[UNIDADE 1] – DEBATE I: CRÍTICA, HOJE?

AULA 2 – Rancière, Jacques. “Desventuras do pensamento crítico” [cap.2]. In: _____. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

AULA 3 – Latour, Bruno. “¿Por qué se ha quedado la crítica sin energía? De los asuntos de hecho a las cuestiones de preocupación. In: Convergencia. Revista de Ciencias Sociales, vol. 11, n. 35, mayo-agosto, p.17-49, 2004.

Leituras complementares:

Boltanski, Luc. De la critique : Précis de sociologie de l’émancipation. Paris : Gallimard, 2009.

Clark, T. K. Para um esquerda sem futuro. Rio de Janeiro: Editora 34, 2013.

Fossier, Arnaud ; Manicki, Anthony. « Où en est la critique ? ». In : Tracés : revue de sciences humaines, n°13, 2, jan, p.5-22, 2007.

Foster, Hal. “Pós-crítica”. In: Arte & Ensaios. Revista do PPGAV/EBA/UFRJ, n. 25, maio, 2013.

Latour, Bruno. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.

Lévy, Pierre. “Crítica da crítica” [cap. XVII, p.229-235]. In: _____. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.

Safatle, Vladimir. “Esgotamento da crítica como valor estético” [Parte II, Cap.3, p.179-201]. In: Cinismo e falência da crítica. São Paulo: Boitempo, 2008.

Sloterdijk, Peter. “Os oito desmascaramentos” [Cap.3, p.53-121]. In: _____. Crítica da razão cínica. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.


[UNIDADE 2] – DEBATE II: CRÍTICA EM COMUNICAÇÃO, HOJE?

AULA 4 – Lemos, André. “A crítica da crítica essencialista da cibercultura”. In: Matrizes, v.9, n°1, jan./jun., p.29-51, 2015.

AULA 5 – Rüdiger, Francisco. “Contra o conexionismo abstrato: réplica a André Lemos”. In: Matrizes, v.9, n°2, jul./dez., p.127-142, 2015.

Leituras complementares:

Cole, Andrew. “Those objects of desire”. In: Artforum. Summer 2015.

França, Vera V. “Crítica e metacrítica: contribuição e responsabilidade das teorias da comunicação”. In: Matrizes, v. 8, n°2, jul./dez, São Paulo, 2014.

Lazzarato, Maurizio. “Del conocimiento a la creencia, de la crítica a la producción de subjetividad”. In: EIPCP – European Institute for Progressive Cultural Policies, 4, 2008.

Pelbart, Peter Pal. “Modos de existência” [Cap.IV, p.237-327]. In: _____. O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento. São Paulo: N-1, 2013.

Raunig, Gerald. « ¿Qué es la crítica? Suspensión y recomposición en las máquinas textuales y sociales”. In: EIPCP – European Institute for Progressive Cultural Policies, 3, 2008.

Sodré, Muniz. “Comunicação: um campo em apuros teóricos”. In: Matrizes, ano 5, nº2, São Paulo, jan./jun, 2012.

Sodré, Muniz. “Um novo sistema de inteligibilidade”. In: Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação, v.1, n°1, jan-jul, 2013

Stiegler, Bernard. “Die Aufklärung in the Age of Philosophical Engineering”. In: Computational Culture: a journal of software studies, 28-September, 2012.


[UNIDADE 3] – POLÍTICA & PENSAR TRANSINDIVIDUAL

AULA 6 – Simondon, Gilbert. “Introducción” [p.23-44]. In: _____. La individuación a la luz de las nociones de forma e información. Buenos Aires: La Cebra, 2009.

AULA 7 – Read, Jason. “Short-Circuits: The Politics and Economics of Transindividuality” [p.248-291]. In: _____. Political of transindividuality. Leiden: Koninklijke Brill, 2016.

Leituras complementares:

Bardin, Andrea. Epistemology and political philosophy in Gilbert Simondon: individuation, technics, social systems. London: Springer, 2015.

Combes, Muriel. Simondon, individu et collectivité. Paris : PUF, 1999.

Delanda, Manuel. A new philosophy of society: assemblage theory and social complexity. London: Continuum, 2006.

Deleuze, Gilles. “Gilbert Simondon: o indivíduo e sua gênese físico-biológica” [1966]. Tradução Luiz B. L. Orlandi.

Malabou, Catherine. La Plasticité au soir de l’écriture. Dialectique, destruction, déconstruction. Paris : Léo Scheer, 2004.

Neves, José Pinheiro. O apelo do objeto técnico: a perspectiva sociológica de Deleuze e Simondon. Porto: Campo das Letras, 2006.

Orlandi, Luiz B. L., “Indivíduo e implexa individuação”. In: Dois Pontos:, Curitiba, São Carlos, volume 12, número 01, p. 75-82, abril, 2015.

Raunig, Gerald. Mil máquinas: breve filosofía de las máquinas como movimento social. Madrid, Traficantes de sueños, 2008.

Read, Jason. Political of transindividuality. Leiden: Koninklijke Brill, 2016.

Sibertin-Blanc, Guillaume. Politique et État chez Deleuze e Guattari : essai sur le matérialisme historico-machinique. Paris : PUF, 2013.

Simondon, Gilbert. Du mode d’existence des objets techniques. Paris : Aubier Montaigne, 1958.

Simondon, Gilbert. La individuación a la luz de las nociones de forma e información. Buenos Aires: La Cebra, 2009.

Sloterdijk, Peter. La domestication de l’être : pour un éclaircissement de la clairière. Éditions mille et une nuits, 2000.

Stiegler, Bernard. “L’inquiétante étrangeté de la pensée et la métaphysique de Pénélope” [prefácio]. In : Simondon, Gilbert. L’individuation psychique et collective. Paris: Aubier, 1989.

Stiegler, Gilbert. “Tempo e individuaciones técnica, psíquica y colectiva en la obra de Simondon”. In: Revista Trilogia, n°6, abril-octubre, p.133-146, 2012.

Toscano, Alberto. “The Disparate: ontology and politics in Simondon”. Paper delivered at the Society for European Philosophy/Forum for European Philosophy annual conference, University of Sussex, 9 September 2007.


[UNIDADE 4] – POLÍTICA & MATERIALIDADES DE MÍDIAS DIGITAIS

AULA 8 – Rouvroy, Antoinette; Berns, Thomas. “Governamentalidade algorítmica e perspectivas de emancipação: o díspar como condição de individuação pela relação?”. In: Eco-pós, v.18, n°2, Rio de Janeiro, 2015.

AULA 9 – Galloway, Alexander R. “The poverty of philosophy: realism and post-fordism”. In: Critical Inquiry, v.39, n.2, p.347-366, 2013.

Leituras complementares [perspectivas críticas]:

Bruno, Fernanda. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2013.

Bucher, Taina. “Want to be on the top? Algorithmic power and the threat of invisibility on Facebook”. In: New Media & Society, nov., v.12, n.7, p.1164-1180, 2012.

Carpo, Mario. The alphabet and the algorithm. Cambridge: MIT Press, 2012.

Chamayou, Grégoire. Teoria do drone. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

Feenberg, Andrew. “Teoria crítica da tecnologia”. Texto original: “Critical theory of technology”. Tradução da equipe de tradutores do Colóquio Internacional “Teoria Crítica e Educação”. Unimep, Ufscar, Unesp, 17p. [ano?].

França, Lilian Cristina Monteiro. “Vigilância e políticas de privacidade na sociedade pós-cookie: o caso do The Guardian”. In: Eco-pós, v.18, n°2, 2015.

Galloway, Alexander. Protocol: how control exists after decentralization. Massachusetts: MIT Press, 2004.

Hallinan, Blake; Striphas, Ted. The Netflix Prize and the production of algorithmic culture”. In: New Media & Society, v.18 (1), p.117-137, 2016.

Hui, Yuk; Halpin, Harry. “Collective individuation: the future of social web”. In: Lovinsky, Geert; Rasch, Mirian. Unlike us: social media monopolies and their alternatives, p.103-116, 2013.

Kittler, Friedrich, “Code oder wie sich etwas anders schreiben lässt”. In: G. Stocker, Ch. Schöpf. Code – The language of our time, Linz, 2003, pp.88-98.  Tradução: “Código ou como algo pode ser escrito de outro modo” (traduzido por: Jorge Henrique Vieira Rodrigues).

Kittler, Friedrich. Gramophone, Film, Typewriter. Stanford: Stanford University, 1999.

Laymert, G. dos Santos; Silva, Rafael A.; Ferreira, Pedro P. “Do gorila amestrado de Taylor ao macado de Nicolelis”. In: Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 8 n. 3, p. 551-561, nov.2010/fev.2011.

Pariser, Eli. O filtro invisível: o que a internet esconde de você. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

Pasquinelli, Matteo. “O algoritmo PageRank da Google: um diagrama do capitalismo cognitivo e da exploração da inteligência social geral”. In: Uninomade Brazil, maio, 2012.

Pozobon, Tanise; Pozobon, Rejane de Oliveira. “O que o Google sabe sobre você? Primeiras observações sobre direcionamento de informações”. In: Ciberlegenda, Rio de Janeiro, n. 32, 2015.

Ritzer, George; Jurgenson, Nathan. “Production, Consumption, Prosumption : The nature of capitalism in the age of the digital ‘prosumer’”. In: Journal of Consumer Culture, v.10 (1), p.13-36, 2010.

Sadin, Éric. La Vie algorithmique. Critique de la raison numérique, Paris : L’Échappée, 2015.

Santos, Laymert G.; Ferreira, Pedro P. “A regra do jogo: desejo, servidão e controle”. In: Fábio Villares. (org.). Novas mídias digitais (audiovisual, games e música): impactos políticos, econômicos e sociais. Rio de Janeiro: E-papers, p. 85-104, 2008.

Silveira, Sérgio A. “Novas dimensões da política: protocolos e códigos na esfera pública interconectada”. In: Rev. Sociologia Política, Curitiba, v. 17, n. 34, p. 103-113, out. 2009.

Sloterdijk, Peter. “Teorias das esferas: conversando comigo mesmo sobre a poética do espaço”. In: Redescrições, ano VI, n°1, 2015.

Stiegler, Bernard. “Anamnésia e hipomnésia: Platão, primeiro pensador do proletariado”. In: Revista Ars, São Paulo, v.7 n°13, jan-jun, 2009.


[UNIDADE 5] – DEBATE III:  VISÕES DO CONTEMPORÂNEO

AULA 10 – Documentário: The Square (Jehane Noujaim, Egito/EUA/Inglaterra, 128 min, 2013).

AULA 11 – Documentário: All Watched Over by Machines of Loving Grace (Adam Curtis, Inglaterra, 180 min, 2011).

Referências complementares [outras visões]:

Documentário: The Ister (David Barrison; Daniel Ross, Austrália, 189 min, 2004).

– Deleuze, Gilles. “Post-scriptum sobre as sociedades de controle”. In: Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992, p. 219-226.

– Galloway, Alexander. “Withdrawing from the Standard Model” [Part II, p.93-195]. In: _____. Laruelle: against digital. Minneapolis: Minnesota University Press, 2014.

– Latour, Bruno. “An Attempt at a ‘Compositionist Manifesto’”. In: New Literary History, 41, p.471–490, 2010.

– Lazzarato, Maurizio. “Resistência e criação nos movimentos pós-socialistas” [cap.5, p.201-265]. In: _____. As revoluções do capitalismo. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

– Lazzarato, Maurizio. “Sujeição e servidão no capitalismo contemporâneo”. In: Cadernos de Subjetividade. NEPS-PUC-SP, p.168-179, 2010.Lazzarato, Maurizio. Signos, máquinas, subjetividades. São Paulo: N-1, 2014.

– Levy, Pierre. Inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998.

– Safatle, Vladimir. “Perto demais da redenção: depressão, flexibilidade e fim da ética do trabalho”. In: Novaes, Adauto. Mutações: elogio à preguiça. São Paulo: Sesc SP, p. 385-404, 2012.

– Serres, Michel. Hominescências: o começo de uma outra Humanidade? São Paulo: Bertrand Brasil, 2003.

– Stiegler, Bernard. For a new critique of political economy. Malden: Polity Press, 2009.

– Wark, McKenzie. A hacker manifesto [version 4.0]. On-line.


[UNIDADE 6] – DEMOCRACIA DIGITAL: INTELIGÊNCIA COLETIVA, SUBJETIVAÇÕES POLÍTICAS, AFETOS, RESISTÊNCIAS.

AULA 12 – Pelbart, Peter Pál. “A terra, a guerra, a insurreição”. In: Eco-pós, v.18, n°2, Rio de Janeiro, 2015.

AULA 13 – Laclau, Ernesto. “Variações populistas” [Parte III]. In: _____. A razão populista. São Paulo: Três Estrelas, 2013.

AULA 14 – ? [Avaliações e/ou re-organizações da disciplina – a partir do calendário pós].

AULA 15 – ? – [Avaliações e/ou re-organizações da disciplina – a partir do calendário pós].

Leituras complementares:

Antoun, Henrique. “Para uma internet política das subjetivações”. In: Eco-Pós, v.18, n.2, 2015.

Castells, Manuel. Networks of outrage and hope: social movements in the internet age. Malden: Polity Press, 2012.

Comitê invisível. A nos amis. Paris : La fabrique, 2014.

Gomes, Wilson. “Internet e participação em sociedades democráticas”. In: Revista Famecos, Porto Alegre, nº 27, agosto, 2005.

Lévy, Pierre. La sphère sémantique : computation, cognition, économie de l’information. Tomo 1. Université d’Ottawa, 2011.

Malini, Fábio; Antoun, Henrique. “Ontologia da liberdade na rede: a guerra das narrativas na internet e a luta social na democracia”. In: Revista Famecos, Porto Alegre, v. 17, n. 3, p. 286-294, setembro/dezembro, 2010.

Massumi, Brian. The Politics of Affect. Malden: Polity Press, 2015.

Mengue, Philippe. Deleuze et la question de la démocratie. Paris : Harmattan, 2003.

Rancière, Jacques. O ódio à democracia. São Paulo: Boitempo, 2014.

Safatle, Vladimir. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

Sodré, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2014.

Sodré, Muniz; Paiva, Raquel. “A tecnologia, a informação e o comum”. In: Alceu, v. 10, n.20, p.16-24, jan-jun, 2010.

Virno, Paolo. Gramática da multidão: para uma análise das formas de vida contemporâneas. São Paulo: Annablume, 2013.

Wark, Mackenzie. Molecular Red – Theory for the Anthropocene. London: Verso, 2015.

Wright, Scott. “Politics as usual? Revolution, normalization and a new agenda for online deliberation”. In: New Media & Society, March, vol.14, n°2, p.244-261, 2012.

Lévy, Pierre. “Por uma tecnodemocracia” [Conclusão]. In: _____. As tecnologias da inteligências. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

Negri, Antonio; Hardt, Michael. Multidão: Guerra e democracia na era do Império. São Paulo: Record, 2004.

Latour, Bruno. “Se falássemos um pouco de política?”. In: Política&Sociedade, n°4, p.11-40, abril, 2004.

Stiegler, Bernard. “Theage of de-proletarianisation: art and teaching art in post-consumerist culture. In: Corcoran, Kleran et al. (org.). ArtFutures. Current issues in higher arts education, 2008.

 

 

 

 

 

[Ensino] Antropologia e cinema – 2°S 2016

ANTROPOLOGIA E CINEMA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS / CÂMPUS NAVIRAÍ – CPNV / CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA E CINEMA (carga horária: 60)

PROFESSOR: EDNEI DE GENARO, Dr.

OBJETIVOS DA DISCIPLINA:

Introduzir e fomentar aos alunos reflexões e práticas de estudo antropológico a partir da linguagem audiovisual. Discutir o papel da imagem enquanto objeto de estudo antropológico. Estudar diferentes modelos narrativos fílmicos, clássicos e contemporâneos, de produção de conhecimentos antropológicos. Enfocar algumas das formas de exploração estética/etnográficas: 1- registros etnográficos, 2- abordagens comparativas, 3- etno-cartográficas urbanas, 4- “auto-imagem” e 5- formas imersivas. Estimular e ajudar os alunos a construírem curtas-metragens e análises fílmicas (modos avaliativos).

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

Apresentação do curso

            [Cultura visual e antropologia]

NOVAES, Sylvia Caiuby. Imagem, magia e imaginação: desafios ao texto antropológico. In: Mana, 14 (2), 455-475, 2008.

FREIRE, Marcius; LOURDOU, Philippe. Introdução (p.9-23). In: Freire & Lourdou (org.). Descrever o visível: cinema documentário e antropologia fílmica. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

BLOCO I – Modelos clássicos cine-etnográficos

Pioneiro: Robert Flaherty

Nanook, o esquimó (Nanook of the north, 1922, 79’)

FLAHERTY, Robert. Como filmei Nanook do Norte. In: Catálogo do Forumdoc.BH, 2011. 15° Festival do filme documentário e etnográfico / Fórum de antropologia, cinema e vídeo;

BRAGANÇA, Felipe. Verdades re-encenadas. In: site Contracampo (http://www.contracampo.com.br/sessaocineclube/nanookoesquimo.htm).

Tradição francesa: Jean Rouch

Os mestres loucos (Les maîtres fous, 1954, 36’) + Jaguar (1967, 80’.)

SZTUTMAN, Renato. Jean Rouch, um antropólogo-cineasta (p.49-62). In: Novaes, S. C. et al. (org.). Escrituras da imagem. São Paulo: Edusp, 2004.

GONÇALVES, Marco Antônio. O Real Imaginado – etnografia, cinema e surrealismo em Jean Rouch. (Leitura dos capítulos: “Filme-ritual e etnografia surrealista: os mestres loucos de Jean Rouch” + “Jaguar: etnobiografia ou ‘cinema etnográfico em primeira pessoa’”)

Tradição inglesa: John Marshall

Os caçadores (The Hunters, 1958, 38’, doc.)

Texto geral: MARTINS, Humberto. “Sobre o lugar e os usos das imagens na antropologia”. Etnográfica, vol. 17, n°2, 2013.

BLOCO II – Registros fílmicos e incursões antropológicas

Werner Herzog [cultura versus natureza]

O homem urso (Grizzly Man, 2005, 143’, doc.)

SZTUTMAN, Renato. “Natureza & Cultura, versão americanista – Um sobrevoo”. Revista Ponto Urbe (online), n°4, 2009, p.1-18.

Texto complementar: SÁ JÚNIOR, Luiz C. “Philipe Descola e a virada ontológica na antropologia”. Revista Ilha, v. 16, n. 2, p. 7-36, ago./dez., 2014.

Vicent Carelli [índio, política, território]

Corumbiara (2009, 117’, doc.)

CAIXETA, Ruben. Entrevista com Vincent Carelli. Catálogo Forumdoc.BH. 13° Festival do Filme Documentário e Etnográfico, 2009 (10p., online).

LOPES, Fabiana F. “Corumbiara” (p. 61-90). In: Lopes, F. F., Serras da desordem e Corumbiara: a reconstituição do passado e a memória dos vencidos. Dissertação de Mestrado. ECA-USP, 2013.

BLOCO III – Antropologia visual comparada

Harun Farocki

Em comparação (Zum Vergleich, 2009, 61’)

BLOCO IV – Antropo-cartografias urbanas

[Obs.: 11/02: entrega de uma análise fílmica e início da confecção de curta].

Gabriel Mascaro [documentário]

Avenida Brasília Formosa (2009, 85’, doc.)

Texto: BRASIL, André & MESQUITA, Claúdia. “O meio bebeu o fim, como o mata-borrão bebe a tinta”.

Kleber Mendonça Filho [ficção]

Aquarius (2016, 146’, ficção)

Texto geral do bloco: Rancière – “Desventura do pensamento crítico”. In: O espectador emancipado.

 

BLOCO V – “Auto-imagem do povo”, mídia e política

Marcelo Pedroso

Pacific (2009, 79’, doc.)

Texto: (a ser oferecido)

Harun Farocki

Videogramas de uma revolução (1992, 106’, doc.)

Textos: (a ser oferecido)

BLOCO VI – Imersões e intercruzamentos estéticos-antropológicos

[Opções de obras]

Ariel Duarte Ortega, Patricia Ferreira

Bicicletas de Nhanderú (2011, 48’)

Texto: Brasil, André (2012) – “Bicicletas de Nhanderu: lascas do extracampo”.

Rodrigo Siqueira

Terra Deu, Terra Come (2010, 88’)

Texto: (a ser oferecido)

Rubens Caixeta de Queiroz

História de Mawary (2009, 56’)

Texto: Brasil, André (2012) – “O olho do mito: perspectivismo em Histórias de Mawary”.

Lima, G. Motta, L. Garcia dos Santos, S. Senra, B. Albert

Xapiri (2012, Brasil, 54’).

Texto: Garcia dos Santos, L. (2015)

Fausto, L. Sette, T. Kuikuro

As hiper mulheres (2011, 80’)

Texto: (a ser oferecido)

 

METODOLOGIA / AVALIAÇÃO:

  • Método pedagógico: exposição-dialogada de textos; discussões abertas de filmes; trabalho em grupo com linguagem audiovisual.

Avaliação:

  • Confecção de análise fílmica (peso 1). O aluno será convocado a realizar um texto de análise (mín. 3 folhas, Times New Roman, 12, espaçamento 1,5) de qualquer documentário trabalhado em sala de aula. O professor discutirá técnicas de análise possíveis.
  • Confecção de curta-metragem etnográfico (peso 1). A partir das discussões a respeito do “olhar antropológico-cinematográfico”, os alunos realizarão, em grupos, um vídeo de observação de algum ambiente.

 

ATIVIDADE PEDAGÓGICA DE RECUPERAÇÃO:

A Recuperação de Desempenho em Avaliações será realizada por meio de trabalhos e atividades ao longo das aulas e de Avaliação Substitutiva / Optativa no final do Semestre Letivo.

BIBLIOGRAFIA:

BARBOSA, Andréa; CUNHA, Edgar Teodoro; HIKIJI, Rose Satiko Gitirana. Imagem-Conhecimento: antropologia, cinema e outros diálogos. Campinas: Papirus, 2009.

BERGER, John. Modos de ver. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Brasiliense, 1985.

CAIXETA DE QUEIROZ, R. Cineastas indígenas e pensamento selvagem. Revista Devires, Belo Horizonte, v. 5, n. 2, jul./dez. 2008, p.117.

CAMPOS, Ricardo. A cultura visual e o olhar antropológico. In: Revista Visualidades, Goiânia, v.10 n.1 p. 17-37, jan-jun, 2012.

CUNHA, E. T. da & BARBOSA, A. Antropologia e imagem. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

FREIRE, Marcius; LOURDOU, Philippe (Org). Descrever o visível: cinema documentário e antropologia fílmica. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

GOMES PEREIRA, Pedro Paulo. Cinema e antropologia: um esboço cartográfico em três movimentos. In: Cadernos de Antropologia e Imagem, 10(1), p.51-69, 2000.

GONÇALVES, Marco Antônio. O Real Imaginado – etnografia, cinema e surrealismo em Jean Rouch. Rio de Janeiro: Topbooks, 2008.

GONÇALVES, Marco Antônio; HEAD, Scott. (Org). Devires imagéticos: a etnografia, o outro e suas imagens. Rio de Janeiro: 7 letras, 2009.

HEIDER, Karl G. Uma história do filme etnográfico. In: Cadernos de Antropologia e Imagem, n.1, Rio de Janeiro, 1995.

HIKIJI, Rose S. G. Antropólogos vão ao cinema – observações sobre a constituição do filme como campo. Cadernos de Campo, 7 (7), p.91-113, 1998.

MACDOUGALL, Davis. O filme etnográfico. In: Cadernos de campo, São Paulo, n. 16, p. 1-304, 2007

NOVAES, S. C. et al. (org.). Escrituras da imagem. São Paulo: Edusp, 2004.

NOVAES, Sylvia Caiuby. Imagem, magia e imaginação: desafios ao texto antropológico. Mana, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, pp. 455-475, out. 2008.

RIAL, Carmen Sílvia. Por uma antropologia do visual. In: Horizontes Antropológicos, Porto Alegre: PPGAS, UFRGS, n.2, 1995.

ROCHA, Ana Luiza Carvalho da. Antropologia das formas sensíveis: entre o visível e o invisível, a floração de símbolos. In: Horizontes Antropológicos, Antropologia Visual, ano l, v. 2, l995.

ZOETTL, Peter Anton. Aprender cinema, aprender antropologia. In: Revista Etnográfica, v.15 (1), fev., p.185-198, 2011.

Artigos (específicos – a ser completado e disponibilizados via email…):

BRASIL, André. Caçando capivara: com o cinema-morcego dos Tikmũ’ũn. In: Revista Eco-Pós, vol.19, n°02, 2016, p.140-153.

BRASIL, André. O olho do mito: perspectivismo em Histórias de Mawary. In: Revista Eco-Pós, vol. 15 n°03, 2012.

PIALT, Marc-Henri. Uma antropologia-diálogo: a propósito do filme de Jean Rouch Moi, un Noir. In: Cadernos de Antropologia e Imagem, vol.4.

CAIXETA, Ruben. Entrevista com Vincent Carelli. Catálogo Forumdoc.BH. 13° Festival do Filme Documentário e Etnográfico, 2009 (10p., online).

LOPES, Fabiana F. “Corumbiara” (p. 61-90). In: Lopes, F. F., Serras da desordem e Corumbiara: a reconstituição do passado e a memória dos vencidos. Dissertação de Mestrado. ECA-USP, 2013.

SZTUTMAN, Renato. “Natureza & Cultura, versão americanista – Um sobrevoo”. Revista Ponto Urbe (online), n°4, 2009, p.1-18.

SÁ JÚNIOR, Luiz C. “Philipe Descola e a virada ontológica na antropologia”. Revista Ilha, v. 16, n. 2, p. 7-36, ago./dez., 2014.

Sites de eventos, acervos e/ou divulgação de antropologia e cinema:

Documentários latino-americanos (http://curtadoc.tv/acervo/)

Vídeo nas Aldeias (http://www.videonasaldeias.org.br/2009/)

É tudo verdade – Festival Internacional de Documentários (http://etudoverdade.com.br/br/home/)

Forumdoc.BH – Festival / Fórum de antropologia e cinema (http://forumdoc.org.br/)

[Ensino] Epistemologia – programa (2°S – 2016)

EPISTEMOLOGIA 

Epistemology.png

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS / CÂMPUS NAVIRAÍ – CPNV/ CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

DISCIPLINA: EPISTEMOLOGIA (carga horária: 68), quintas

PROFESSOR: EDNEI DE GENARO, Dr.

OBJETIVO GERAL:

Refletir sobre o significado e a importância da epistemologia na compreensão dos pressupostos filosóficos para a formação de conhecimentos em ciências sociais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Determinar a especificidade da epistemologia no campo do pensamento filosófico;
  • Discutir criticamente as principais etapas históricas do pensamento epistemológico, seus autores fundamentais e a sua contribuição para a análise do conhecimento científico;
  • Destacar a contribuição da epistemologia na análise dos pressupostos, natureza e finalidade das ciências sociais;
  • Contribuir com os alunos no desenvolvimento das habilidades acadêmicas, como a capacidade de síntese, expressão oral e escrita, interpretação de textos e pensamento lógico e coerente;
  • Procurar desenvolver o trabalho em equipe, a participação, e uma posição crítica diante da realidade.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

APRESENTAÇÃO

– O que é epistemologia? (1° semana)

BLOCO I – EPISTEMOLOGIA (Questões e noções gerais)

– As condições do conhecimento (2° semana)

– Realidade e ficção (3° semana)

– Formas de justificação (4° semana)

BLOCO II – ETAPAS DO PENSAMENTO EPISTEMOLÓGICO

– Racionalismo (Descartes) (5° semana)

– Empirismo (Hume) (6° semana)

– Criticismo (Kant) (7° semana)

– Racionalismo e empirismo nas ciências sociais (8° semana)

AVALIAÇÃO 1 – Prova escrita em sala de aula (9° semana)

BLOCO III – EPISTEMOLOGIA DA CIÊNCIA

– Karl Popper e Thomas Kuhn (10° e 11° semanas)

BLOCO IV – EPISTEMOLOGIA E CIÊNCIAS SOCIAIS

– Projeto (12° semana)

– Ascensão (13° semana)

– Declínio (14° semana)

– Renascimento (15° semana)

AVALIAÇAO 2 – Entrega do trabalho final

 

PREVISÃO DE LEITURAS E DISCUSSÕES:

Apresentação:

  • 1° Semana [Grayling, A. C. A epistemologia (introdução) – online.]

Bloco I:

  • 2° Semana – Dutra (2010, “Crença verdadeira e justificada”, p.18-37)
  • 3° Semana – Dutra (2010, “Realidade e ficção”, p.39-58)
  • 4° Semana – Dutra (2010, “Formas de justificação”, p.58-69)

Leituras complementares:

Hesse (1978); Japiassú (1992)

Bloco II:

  • 5° Semana – Dutra (2010, “Racionalismo”, p.81-100)
  • 6° Semana – Dutra (2010, “Empirismo”, p.101-118)
  • 7° Semana – Dutra (2010, “Filosofia crítica”, p.122-141) + Haguette (2013)
  • 8° Semana – Haguette (2013)

Leitura/discussão em sala (trechos dos filósofos):

Descartes (1971; 2001) / Hume (1989) / Kant (1985) /

  • 9° Semana – AVALIAÇÃO 1

Bloco III:

  • 10° Semana – Berten (2004, “Popper, um racionalista crítico”)
  • 11° Semana – Berten (2004, “Thomas Kuhn e os paradigmas”)

Leitura/discussão em sala (trechos dos filósofos):

Popper (1975); Kuhn (1978)

Bloco IV

  • 12° Semana – Japiassú (2012, “Projeto”, p.31-62)
  • 13° Semana – Japiassú (2012, “Ascensão”, p.63-92)
  • 14° Semana – Japiassú (2012, “Declínio”, p.93-146)
  • 15° Semana – Japiassú (2012, “Renascimento” + “Conclusão”, p.147-204)

METODOLOGIA / AVALIAÇÃO:

  • Método pedagógico: exposição-dialogada
  • Leituras básicas e complementar (cada aluno terá à disposição um texto referente ao assunto estudado na semana de aula, podendo realizar aprofundamento a partir da bibliografia complementar)
  • Avaliação:
  • Prova escrita em sala de aula (nota de 0 a 10; peso 2). O aluno será convocado a responder 2 de 5 questões formuladas a respeito do conteúdo tratado em sala até a data da prova.
  • Trabalho final (nota de 0 a 10; peso 2). O aluno será convocado a realizar um artigo (min. 4, máx 6 folhas; Times New Roman, 12, espaçamento 2) sobre um tema ou questão tratada durante a disciplina.
  • Participação em sala de aula (peso 1). Assiduidade, atenção e diálogo coerente e crítico serão os pontos de análise da participação do aluno.
  • Prova substitutiva: o aluno poderá substituir sua menor nota, seja da prova escrita ou do trabalho final, a partir de uma segunda prova escrita em sala de aula.

Atividade pedagógica de recuperação…:

A Recuperação de Desempenho em Avaliações será realizada por meio de trabalhos e atividades ao longo das aulas e de Avaliação Substitutiva / Optativa no final do Semestre Letivo.

BIBLIOGRAFIA:

Básica:

— DUTRA, L. H. A. Introdução à epistemologia. São Paulo: Unesp, 2010.

— JAPIASSÚ, H. A crise das ciências humanas. São Paulo: Cortez, 2012.

— BERTEN, André. Filosofia social: a responsabilidade social do filósofo. São Paulo: Paulus, 2004.

HAGUETTE, A. Racionalismo e empirismo na sociologia. Revista de Ciências Sociais, Fortaleza, v. 44, n. 1, jan/jun, 2013, p. 194-218.

GRAYLING, A. C. A epistemologia (introdução). Birkbeck College, Londres. St Anne’s College, Oxford. (artigo – disponível online: http://documents.tips/documents/a-epistemologiapdf.html).

Complementar:

ADORNO, T. W. A. Epistemología y ciencias sociales. Madrid: Catedra, 2001.

BACHELARD, G. A formação do Espírito Científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro, Contraponto. 1996.

BOURDIEU, P. & CHAMBOREDON, J-C. Ofício de sociólogo: metodologia da pesquisa na sociologia / Pierre Bourdieu. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

BUNGE, M. Filosofía de las ciencias sociales. In: Epistemología. Buenos Aires: siglo XXI, 2002, p.145-188.

DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1972.

HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. Coimbra: Arménio Amado, 1978.

HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1989.

JANEIRA, A. L. Ruptura epistemológica, corte epistemológico e ciência. (artigo)

JAPIASSÚ, H. Introdução ao pensamento epistemológico. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1992.

KANT, I. Textos seletos. Petrópolis: Vozes, 1985.

KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1978.

PAIVA, L. H. Weber e Popper: filosofia das ciências sociais. Piracicaba: Unimep, 1997.

PLATÃO. Teeteto. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2001.

POPPER, K. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1975.

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HARUN FAROCKI PENSADOR E OPERADOR DE MÍDIAS – tese download pdf

 

 

HARUN FAROCKI PENSADOR E OPERADOR DE MÍDIAS

Tese de Doutorado – Ednei de Genaro (2015)

 

Download: https://drive.google.com/file/d/0B6kP_r0iBDjZZlRpRFRoc0Nvc0E/view?usp=sharing

 

farocki

Resumo

A presente tese expõe uma perspectiva da obra do cineasta alemão Harun Farocki (1944-2014) – constituída por filmes (ficcionais e documentais), ensaios, artigos, instalações artísticas, entrevistas, workshop –, a partir de suas questões e estratégias de teoria, método, trajetória estético-política, trabalho com arquivo e montagem e, por fim, naquilo que essas questões e estratégias – e a visão de mundo do autor –, contribuíram para pensar a modernidade e, especificamente, os estudos de mídia. Defendemos que sua obra, analisada globalmente, nos revela um cineasta que prima por ser um pensador e operador de mídias. Em todo o percurso da tese estaremos buscando os porquês e as decorrências deste primado, ponderando especificamente sobre: 1. A visão materialista-fenomenológica de cinema/mídias; 2. A posição ético-política enquanto gesto de reconciliação prometeu-epimeteu; 3. A noção de operar mídias enquanto um método-estilo explorando aportes horizontal, transversal e transindividual; 4. As influências, contextos e posições de autoria estética e política; 5. A dimensão específica do operar cinematográfico: Farocki como arqueólogo e montador; 6. E as contribuições de uma obra, no lugar em que ela mais movimentou questões e análises: os estudos de mídias. Tais ponderações nos levam, por fim, a pensar a dimensão tecnoestética inerente a uma obra que intercruza pensamento e operação a partir de mídias.

Palavras-chaves: Harun Farocki; Estudos de Mídia; Teoria de Mídia; Teoria do Cinema; Tecnoestética; Capitalismo; Estética; Política; Montagem; Arquivo

 

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DEMOCRACIA DIGITAL E CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO

 dem-1

*POLITIZANDO AS TECNOLOGIAS – tecnopolíticas aceleracionistas – [estudos pós-doc]

DEMOCRACIA DIGITAL E CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO:

Estudo de duas teorias tecnopolíticas aceleracionistas

[No capitalismo contemporâneo, as acelerações do progresso tecnocientífico e das descentralizações midiáticas – e o modo como estas cada vez mais contribuíram para (re)definir a vida biológica, psíquica e coletiva dos seres humanos –, fizeram surgir (pelo menos) duas novas teorias políticas, que salientam projeções tecnopolíticas de democracia digital. De um lado, aparecem anseios capitalistas tecnocráticos-escatológicos (“kurzwelianos”), pregando valores gerais hiperliberais, corporativos e idílicos ao mundo: os aceleracionistas capitalistas. Por outro lado, uma proposição de Deleuze e Guattari, exposta na conjuntura política do início da década de 1970, despertou valorizações contrárias: “acelerar o processo” (progresso, descentralizações) significaria alargar o “teor esquizofrênico” (liberal, mas crítico do poder corporativo, do consumismo etc.). Esta última visão, a dos aceleracionistas pós-capitalistas, defendida por determinada corrente deleuziana-guattariana, realizaria, pois, uma crítica imanente ao capitalismo, fazendo dissenso à ordem tecnocrática-escatológica capitalista dos primeiros, ao buscar a ampliação de formas de descentralizações mais democráticas. A partir de perspectivas genealógica, conceitual e crítica, procuramos pesquisar e refletir sobre tais teorias tecnopolíticas contemporâneas, nos contextos em que estas aparecem. Projetamos dividir a pesquisa em cinco eixos (futuros capítulos de um livro) – consistindo esses em apresentações (1° e 4°) e análises críticas (2° e 5°), e em proposição teórica sobre o contemporâneo (3°). O objetivo do estudo é, centralmente, colaborar com a compreensão de aspectos das novas posições políticas na democracia digital do século XXI, formada cada vez mais por materialidades de mídias – que despertam questões a partir de designs, arquiteturas, formas de fluxos e agenciamentos, desempenhos algorítmicos etc. Ao especificar duas teorias tecnopolíticas paradigmáticas e reversas, esperamos, enfim, ajudar a fomentar os debates ressaltando as influências, os fundamentos, as realidades e os valores éticopolíticos que estão sendo gestados hoje – a partir de estudos comparativo e crítico, trabalhando com aportes de método genealógico].

Introdução:                                                                              

No início do século XXI, caberia uma pergunta genérica: o que deveríamos esperar do chamado progresso tecnocientífico para a construção de valores e espaços democráticos em ambientes digitais, no momento atual de ampliação das descentralizadoras a partir das novas materialidades de mídias[1]?

Diante de tal questão, devemos lembrar que, em 1972, nos contextos da Guerra Fria, das investidas contra o modelo de Estado capitalista keynesiano, da ascensão do liberalismo consumista, da exaustão do Estado totalitário no bloco soviético e das revoluções culturais pós-maio de 1968, Deleuze e Guattari escrevem o livro Anti-Édipo – Capitalismo e esquizofrenia 1, no qual – no terceiro capítulo (“Selvagens, bárbaros, civilizados”) –, lançam uma proposição singular e polêmica: a de crítica imanente ao progresso e à modernidade capitalista.

É no nível dos fluxos, e dos fluxos monetários, não no nível da ideologia, que se faz a integração do desejo. Então, qual solução, qual via revolucionária? A psicanálise ajuda pouco, considerando-se suas íntimas relações com o dinheiro, pois que registra, embora evite reconhecê-lo, todo um sistema de dependências econômico-monetárias no coração do desejo de cada sujeito que ela trata, constituindo-se, por sua vez, numa enorme empresa de absorção de mais-valia. Mas haverá alguma via revolucionária? — retirar-se do mercado mundial, como Samir Amin aconselha aos países do Terceiro Mundo, numa curiosa renovação da “solução econômica” fascista? Ou ir no sentido contrário, isto é, ir ainda mais longe no movimento do mercado, da descodificação e da desterritorialização? Pois talvez os fluxos ainda não estejam suficientemente desterritorializados e suficientemente descodificados, do ponto de vista de uma teoria e de uma prática dos fluxos com alto teor esquizofrênico. Não retirar-se do processo, mas ir mais longe, “acelerar o processo”, como dizia Nietzsche: na verdade, a esse respeito, nós ainda não vimos nada (Deleuze; Guattari, 2010, p.318, grifo nosso).

Deleuze e Guattari foram apontados como pioneiros em um debate recentemente designado como aceleracionismo[2] (Noys, 2014). Porém, sabemos, atualmente são os poderes os político-econômicos mundiais, notadamente da chamada new economy, centralmente localizada no pólo tecnológico do Vale do Silício (Silicon Valley, California, EUA), que procuram “acelerar o processo”, destacando discursos tecnocráticos-escatológicos. São os aceleracionistas capitalistas, como denominaremos, que por esses discursos afirmam, no mais das vezes, valores gerais hiperliberais, corporativos e idílicos ao mundo. Contudo, opostamente, reflexões posteriores sobre a propositiva e polêmica crítica de Deleuze e Guattari, dentro das conceitualizações de Anti-Édipo, e na obra dos autores como um todo, ganharam contemporaneamente valorizações e debates, a partir do advento de conjecturas políticas aceleracionistas pós-capitalistas, como também denominaremos.

Procuramos circunscrever recortes, questões específicas e contribuições em filosofia política e estudos de mídias (especialmente, em estudos sobre a democracia digital), a partir da sistematização do estudo em três eixos:

[1] Em geral, a democracia é compreendida de três maneiras, como forma de governo (teoria, constituição), como dispositivo de tomada de decisão (prática, tecnologia), e como relação social (valores, cultura). Liberdades (de expressão, de informação, reunião etc.) e direitos (de voto, de ser candidato, de igualdade de justiça etc.) constituem princípios democráticos. Bem sabemos, uma democracia não é meramente uma conquista técnica; contudo, as configurações e tecnicidades diversas com os humanos – de fluxos midiáticos associativos, como esclareceremos –, são imprescindíveis para definir e desenvolver uma democracia. Como escreve Gomes (2011, p.27-28), a democracia digital pode ser definida, particularmente, como “[…] qualquer forma de emprego de dispositivos (computadores, celulares, smart phones, palmtops, ipads…), aplicativos (programas) e ferramentas (fóruns, sites, redes sociais, medias sociais…) de tecnologias digitais de comunicação para suplementar, reforçar ou corrigir aspectos das práticas políticas e sociais do Estado e dos cidadãos, em benefício do teor democrático da comunidade política”.

[2] O termo aceleracionismo (accelerationism) foi cunhado recentemente, e de forma crítica, pelo teórico crítico inglês Benjamin Noys. Como veremos, o termo passou, no entanto, a ser utilizado tanto em sentido crítico como afirmativo.

PERSPECTIVA GERAL DO ESTUDO:

O estudo busca acompanhar, de forma genealógica, os contornos diversos (autores/textos/acontecimentos) de duas teorizações tecnopolíticas para a construção de democracias digitais contemporâneas e futuras, uma de base tecnocrática-escatológica-capitalista (“kurzweliana) e outra de base crítica-pluralista-prometéica-pós-capitalista (certa influência deleuziana-guattariana – e marxista). Sem dúvida, nosso recorte de pesquisa, sendo teórico, quer revelar aspectos dos novos regimes de ficções e verdades cada vez mais pertinentes à investigação acadêmica: de reconstrução de ideários políticos – de liberdade, igualdade, utopia, justiça e, centralmente, de democracia digital – das chamadas direitas e esquerdas. Acreditamos que, de acordo com nossas proposições, questões e hipóteses delimitadas nos eixos do projeto, poderemos aprofundar e assim contribuir para a discussão desta nova conjuntura. A partir dos eixos de “apresentação” e de “análise crítica”, competiria significativamente observar e avaliar – em suas formulações teóricas-discursivas – em que caso, de que forma e porque ambos os aceleracionismos buscariam “mais” tecnologias, porém – tal como conjecturamos de início pesquisar – com influências (pensamento tecnológico – Kurzweil; pensamento filosófico – Deleuze/Guattari), fundamentos (singularidade tecnológica; singularidades múltiplas); realidades (tecnocrática-escatológica; pluralista-prometética) e valores éticopolíticos (democracia digital liberal-capitalista: mundo centralizado, oligopólico, automatizado e idílico;  democracia digital liberal-pós-capitalista: mundo descentralizado, oligopsônico, indeterminado e crítico) que seriam muito distintos, antagônicos. Trabalharemos estas especificidades-diferenças, realizando do mesmo modo, a partir de uma perspectiva de compreensão do capitalismo contemporâneo, apresentado no eixo “proposição teórica sobre o contemporâneo”, uma ampliação e maior compreensão das análises críticas para ambos os aceleracionismos.

Procuramos portanto circunscrever recortes, questões específicas e contribuições em filosofia política e estudos de mídias (especialmente, em estudos sobre a democracia digital), a partir da sistematização do estudo em três eixos:

1° EIXO: ACELERACIONISTAS CAPITALISTAS:

a- Compreender e periodizar: como compreender e periodizar os aceleracionistas capitalistas?

b- Análise crítica: de que forma podemos entrar e aprofundar nos debates críticos a partir de duas noções centrais dos aceleracionistas capitalistas – singularidade e pós-humanismo?

Link: https://maelstromlife.wordpress.com/2016/02/24/1287/ 

2° EIXO: PROPOSIÇÕES SOBRE O CONTEMPORÂNEO:

– Como pensarmos contemporaneamente a relação humano-máquina?

Link: https://maelstromlife.wordpress.com/2016/02/23/acerca-do-contemporaneo-2-eixo/

3° EIXO: ACELERACIONISTAS PÓS-CAPITALISTAS:

a- Compreender e periodizar: como compreender e periodizar os aceleracionistas pós-capitalistas?

b- Análise crítica: de que modo forma podemos entrar e aprofundar nos debates críticos a partir de duas noções centrais dos aceleracionista críticos – materialidades de mídias e o acelerar?

Link: https://maelstromlife.wordpress.com/2016/02/22/1301/ 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [dos três eixos, e desta Introdução]:

Link: https://maelstromlife.wordpress.com/2016/02/21/referencias-bibliograficas-dos-tres-eixos-e-desta-introducao/

ACELERACIONISTAS CAPITALISTAS [1°EIXO]

ACELERACIONISTAS CAPITALISTAS  [1°EIXO]

Singularity

 

Como compreender e periodizar os discursos tecnocráticos-escatológicos – que vem sendo o principal aglutinador de valores dos aceleracionistas capitalistas?

Seguindo a maneira como diversos pesquisadores (com enfoques distintos) evidenciam hoje[1], o lugar da conjunção do hiperliberalismo e tecnologia de mídias informáticas é, por excelência, o Silicon Valley; lugar onde a crescente concentração de poder político-econômico vem moldando, positiva e negativamente, as novas descentralizações/centralizações de mídias, composições de empresariados/trabalhadores e proposições de designs, arquiteturas, formas de fluxos e agenciamentos, desempenhos algorítmicos etc. da vida privada e pública. É o lugar em que vem se arquitetando as novas governamentalidades, agora algorítmica (Rouvroy; Berns, 2013); e que vem produzindo e espalhando, um “novo espírito” que conjuga democracia digital e capitalismo, um novo ideário político diametralmente associado a uma crença tecnofílica: a escatologia tecnológica denominada singularidade tecnológica, que conforma sentidos, práticas, afetos, sonhos – em uma palavra, cultura política – de muitas pessoas[2].

CompreensãoUm discurso escatológico é uma doutrina que evoca a destinação da vida como um todo, realizando especulações e estabelecendo preceitos em caráter de juízos finais, especialmente enquanto doutrinas religiosas versando sobre o destino da humanidade. Contudo, a partir do final do século XX, significativamente, a noção de escatologia passou a ser associada à ideia de progresso tecnocientífico, motivando aos agentes privilegiados do capitalismo (empresários, cientistas de áreas de inovação tecnológicas, tecnocratas etc.) visões, anseios, modelos políticos, ideais de bem-estar individual e social, que se configuram a partir de escatologias tecnológicas –: um olhar para a vida em geral enquanto submissa ao devir tecnológico.

Discursos acerca de uma ordem teórica escatológica das tecnologias começaram a aparecer não somente na vasta literatura de ficção-científica do século XX, mas também nas proposições práticas tecnocientíficas e empresariais – sendo, sem dúvida, o mais importante e disseminado, por sua extensão política, notadamente, os discursos desdobrados por meio da teoria denominada singularidade tecnológica.

A teoria acerca da singularidade tecnológica busca transpor o termo físico-matemático de singularidade[3] para o campo tecnológico, cientistas buscaram empregar os sentidos de aceleração, colapso e consequente perda do domínio humano em relação ao devir tecnológico[4]. Kurzweil é o grande mentor contemporâneo dos discursos singularistas tecnológicos, o maior expoente contemporâneo, no momento em que o tema se tornou um discurso político e midiático. Autor dos livros The age of spiritual machines: when computers exceed human intelligence (1999) e The Singularity is Near: When Humans Transcend Biology (2005), traduzidos em vários idiomas, ele vem argumentando e ajudando a disseminar o ponto de vista de que o progresso tecnocientífico contemporâneo se dá em uma “escala exponencial”, transcendendo e dando nova posição à vida e potências humanas (“transhumanismo”)[5]. A partir de parcerias da Nasa e Google (e outras empresas emergentes ligadas ao ramo de tecnologias de informação e comunicação), Kurzweil constituiu, junto com Peter Diamandis, no Silicon Valley (Califórnia), a Singularity University, universidade que busca ser, ao mesmo, organização think-tank, incubadora de negócios e de inovações tecnológicas bruscas, ansiando disrupções de mercados.

A noção de singularidade de Kurzweil (1999; 2005) é formada a partir do encadeamento contínuo de dados, gráficos, interpretações, previsões de acontecimentos históricos. Discursos de singularidade tecnológica se impõem como uma perspectiva de prenúncio acerca de acontecimentos tecnomidiático e sociopolíticos. Uma perspectiva futurológica que se baseia, portanto, em projeções, formulando leis, teorias e noções que se encontram no campo das especulações tecnocientíficas – disseminadas e valorizadas em diversas áreas acadêmicas (More; Vita-More, 2013). De tal maneira, a singularidade tecnológica se destaca, acima de tudo, como discurso político, econômico, cultural instituidor de uma visão tecnocrática de mundo, constituindo crenças que afirmam um estado político. Discursos que compõem, portanto, regimes de ficções e de verdade[6]: pensamentos sobre imortalidade, volições políticas tecnocráticas e promoção de novas fronteiras de inovações capitalistas, de conformações e automações midiáticas, notadamente.

Os discursos de singularidade tecnológica, e seus valores diversos associados, perfazem um verniz escatológico e utópico aos valores tecnocráticos, explicitando uma destinação final, uma visão de “paraíso”: uma perspectiva teleológica a partir de dada concepção de tecnologia e visão otimista sobre a “abundância”, segurança e felicidade no mundo (Diamandis; Kotler, 2012). Buscam-se então as condições e conformações estritamente tecnocientíficas para “acelerar o processo” rumo à “boa vida”. Atualmente – conforme diversos autores vêm explicitando[7] – as dimensões empresariais corporativas, hiperliberais e idílicas dos novos agentes do capitalismo informacional e comunicacional – destacadamente protagonizada pelo pólo tecnológico Vale do Silício –, são as que mais vêm investindo em tais valores tecnocráticos, promovendo materialidades de mídias problemáticas no que se refere a garantir ampliação de valores e espaços democráticos.

PeriodizaçãoTal como pensamos e denominamos, o pensamento secular tecnocrático-escatológico (diferente das escatologias religiosas), não é exclusivo da Escatologia-Empresarial (escatologia tecnológica de afirmação da Empresa), uma vez que foi preconizado já na década de 1990 por uma Escatologia-Estatal. Logo após a queda do muro de Berlim, de promoção (neo)liberal e sentimento de “vitória” do capitalismo na Guerra Fria, apareceu subitamente uma interpretação teleológica do mundo que tinha como principal mentor o filósofo Francis Fukuyama.

No livro The End of History and the Last Man, publicado em 1992, Fukuyama (1992) apresenta a “Boa Nova” e a “Terra Prometida” enquanto juízos de fim da história; em outras palavras, enquanto doutrina de Estado liberal perene e ilimitado. Derrida (1994), em Espectros de Marx, analisando tal apresentação, criticaria a “nova ordem mundial”, afirmada por uma escatologia cristã-liberal, discutindo ao mesmo tempo a reflexão de Fukuyama que assinala o limite à capacidade do progresso tecnocientífico promover a liberdade[8].

No início do século XXI, contudo, a perspectiva escatológica “humanista” – antropocêntrica – de Fukuyama se confrontaria com a escatologia tecnológica pós-humanista. Em seu livro Our Post human Future: Consequences of the Biotechnology Revolution (2002), o autor faria uma crítica aos discursos e movimentos políticos escatológicos tecnológicos, que começavam a ganhar maior popularidade. Ora, a conjuntura havia mudado, de modo que, para ele, a noção de transhumanismo (ou pós-humanismo), atrelada à noção de escatologia tecnológica, seria uma das “mais perigosas ideias do mundo” (Fukuyama, 2002; 2009).

Naturalmente, o filósofo da nova doutrina geopolítica americana, Fukuyama, se oporia à ascensão de uma “ordem cibernética do mundo” – leia-se, Silicon Valley –, de pensamento a favor “do avanço da industrialização para a liberdade política”: de radicalização neoliberal (libertarianism), de doutrina de inovação tecnológica perene e ilimitada, regida por processos de descentralizações político-econômicos, capitais de risco e empreendorismos, dialogando de forma cada vez “mais livre” com o Estado e pregando automatizações diversas da vida.

Nos anos 1990, no momento de disseminação do livro escatológico sobre a “democracia liberal” de Fukuyama, Derrida se perguntava acerca da ampliação midiática de tais discursos[9]. A partir de nossa perspectiva de periodização, poderíamos, hoje, já na segunda metade dos anos 2010, vislumbrando um período muito mais influenciado e prolongado dos discursos escatológicos tecnológicos (Escatologia-Empresarial) do que os da Escatologia-Estatal, buscar aqui, neste primeiro eixo, da mesma forma perguntar: o que significaria essa ampliação midiática em relação aos discursos tecnopolíticos escatológicos apoiados na noção de singularidade tecnológica? O que significaria, especificamente, essa “boa nova”, pós-humana, de sujeição-automação, e de otimismo irrestritos aos modelos de aceleração da encampação tecnológica corporativa, hiperliberal e idílica de mundo?

Análise crítica dos aceleracionistas capitalistas

Para tentarmos nos afastar diametralmente da dimensão tecnocrática e escatológica da vida, enfrentando, todavia, seriamente as questões centrais levantadas por essa dimensão, será indispensável, neste eixo, realizarmos uma análise conceitual crítica, que nos leve a aprofundar produtivamente o debate, propondo discussões sobretudo a partir de dois pontos: o conceito de singularidade e a “condição pós-humanista” (para nós, antropotécnica).

Singularidade – No pensamento filosófico contemporâneo, o conceito de singularidade se afasta diametralmente de uma proposição escatológica. A singularidade na filosofia condiz propriamente com um sentido de devir contínuo dos seres/objetos/ambientes, e da noção de potência destes enquanto diferenciada, espacializada e temporalizada a partir de relações (heterogêneas, múltiplas). Especialmente a partir dos legados da filosofia de Simondon, Deleuze nos afasta de qualquer ideia de hipostasia e determinismo no interior de singularidade: o conceito é pensado enquanto diferença, repetição e virtualidades, expressando realidade intensiva (ou transindividual, no caso de Simondon) na qual indivíduo significa hecceidade, “individuação não é individual”. Indivíduo está dentro de uma totalidade aberta, criando espaços ou topologias, por meio de suas ressonâncias internas: singularidade são pré-individual (Deleuze, 2006).

Singularidade é portanto vista como imanência de um ser que entra em um campo de forças, ou seja, quando opera em mundos diversos, de agenciamentos maquínicos: psíquicos, coletivos, naturais, técnicos[1]. Em Deleuze, não faz sentido compreender o conceito como algo prescrito e decidido por si mesmo. Não há singularidade enquanto germe auto-reprodutor, auto-multiplicador. E, de tal modo, em sua filosofia, a máquina técnica não pode se afirmar de forma autônoma, sem a perspectiva de conjunção com a máquina social e máquina desejantes (seguindo aqui as distinções de Deleuze e Guattari introduzidas em Anti-Édipo). Singularidade é, pois, encontro de forças, diferenças, realidades, mundos; uma constelação[2] – algo expressamente diferente do hilemorfismo e substancialismo que se encontram nas raízes dos argumentos escatológicos tecnológicos.

Podemos então recuar a uma pergunta essencial: existe um sentido valorativo da noção de progresso – em si mesma? Em outras palavras: por que se vive um triunfo tão forte do conceito de progresso baseado apenas no desenvolvimento da tecnociência? Ou: em que implica a redução da noção de progresso a um estado de eficácia produtiva apenas da máquina técnica? É preciso refletir sobre os modos de existência criados a partir de tal valorização escatológica, no momento em que a concepção ocidental de progresso se limitou a uma ideia de “superioridade técnica” (Dupas, 2006)[3].

Condição antropotécnica – “Libertar-se” da máquina, ter vontade “própria”, desejos “puros”; encontrar-se com a “essência” do humano… Tais proclamações, de espírito romântico – que nos reportariam genealogicamente a Rousseau (Derrida, 1973; Stiegler, 1994; Deleuze, 2006) –, parecem ser hoje, filosófica e politicamente, insustentáveis e problemáticas. A partir disso, como compreender, designar e se posicionar diante da noção de “crise do humano” sem nos filiar às concepções escatológicas pós-humanistas?

A história humana, enquanto uma ampla antropotécnica[4], indica-nos um horizonte de maquinações contínuas do eu, do social e da técnica. Se apenas hoje nos damos conta da complementaridade da exterioridade técnica da vida humana, isto se deve ao fato de que o pensamento humanista antropocêntrico perde força de forma inédita, sendo substituído por um pensamento da mediação, que inclui, simetricamente, humanos e não-humanos (Deleuze, 1997; Latour, 1994). Em termos de mediação (ou de realidade intensiva ou transindividual), a atenção, o cuidado com a vida, não se dá pela procura da “essência do Ser”, mas pela procura das composições e dos modos de existências capazes de potencializações diversas. Portanto, o pensamento essencialista, que advoga, de alguma maneira, uma dicotomia ontológica humano–técnica, é criticado. Como nota Garcia dos Santos (2005, p.165), o principal problema dos que defendem a “essência do Ser” seria a “[…] valorização do humano no que ele tem de animal, como se houvesse uma espécie de terreno a salvaguardar… [O] recuo para o animal implica a tentativa de segurar uma espécie de ‘essência do humano’ que já não tem sentido”.

Segue então uma necessidade de superar dada perspectiva que associe diretamente escatologia à pós-humanismo, não se posicionando de maneira simplesmente “contrária” ao pós-humanismo, ou a partir de afirmações críticas, como havia feito Lyotard[5]. Ora, há certamente ainda um caminho para a política, para a história; há ainda o lugar do acontecimento, da vida não-determinada a partir dos horizontes ditos “pós-humanos” – para nós, preferencialmente horizonte antropotécnico. A questão não é exatamente ser “contra o pós-humano”, mas, sim, problematizar o universo tecnocrático-escatológico pós-humanista – lugar em que se tem a automatizações e submissões dos seres e objetos a uma certa ordem cibernética de mundo. A questão dever aquela que problematize as volições que querem eliminar o acontecimento, o incalculável das máquinas desejantes e sociais, a partir da ideia de uma “imperiosa” máquina técnica que impetra a “transparência cibernética total”.

Longe de pensarmos em termos de incomensurabilidade humano-máquina, devemos propor que entre o maquinal e o não-maquinal, “opera uma relação que não é de simples oposição. Pode-se chamar isso de liberdade, mas somente a partir do momento em que haja o incalculável […]” (Derrida; Roudinesco, 2004, p.65). Tal associação maquinal e não-maquinal é, antes de tudo, uma condição amplamente antropotécnica. As maquinações técnicas do mundo, isto é, a ação dos dispositivos de cálculo e repetição, tem lugar naquilo que engendra a nossa própria possibilidade de liberdade e, tão logo, de política – sendo ela, a expressão da indecisão, em Derrida (2010), e da indeterminação, em Deleuze (1974).

[1] Singularidades – expressará Deleuze, em Lógica do Sentido –, “[s]ão pontos de retrocesso, de inflexão etc.; desfiladeiros, nós, núcleos, centros; pontos de fusão, de condensação, de ebulição etc.; pontos de choro e de alegria, de doença e de saúde, de esperança e de angústia, pontos sensíveis, como se diz. […] A singularidade faz parte de outra dimensão, diferente das dimensões da designação, da manifestação ou da significação. A singularidade é essencialmente pré-individual, não-pessoal, aconceitual […]” (Deleuze, 1974, p.54).

[2] Os apontamentos de Derrida, contemporâneo de Deleuze, seguem o mesmo caminho: “[…] a singularidade do ‘quem’ não consiste na individualidade de uma coisa idêntica a ela mesma, não é um átomo. Ela desloca-se ou divide-se ao reunir-se para unir ao outro […]. É aqui, sem dúvida, em ligação com as questões de responsabilidade ética, jurídica, política, que se constitui a metafísica da subjetividade” (Derrida, 1989).

[3] O antropólogo francês Pierre Clastres (2003), em A sociedade contra o estado, estudando a história da organização das tribos ameríndias, refletiu acerca de como estas compreendiam progresso. Segundo Clastres, quando analisou “progresso”, a tradição ocidental sempre impetrou uma ideia de “inacabamento, incompletude, falta” às tribos. No entanto, elas nem mesmo possuíam tal noção. A natureza das sociedades primitivas, aponta Clastres (Idem, p.209;216), era “bem mais como positividade, como domínio do meio ambiente natural e do projeto social, como vontade livre de não deixar escapar para fora de seu ser nada que possa alterá-lo, corrompê-lo e dissolvê-lo”. Ocorre que, em relação às tecnologias, diferente da hiper-dimensão sublime e escatológica dos modernos, os ameríndios colocavam-nas como “modo de vida” (idem, p.209), ou como modo de existência, como pensaremos. Para os modernos, no entanto, há sempre uma problemática, uma cisão marcante, que coloca pesos diferentes aos valores fatuais e de valores éticos, isto é, como se diz, entre a “razão instrumental” e a “razão comunicativa”? (Domingues, 2004, p.170-1).

[4] Ao lermos variadas reflexões filosóficas e consultarmos estudos antropológicos-paleontológicos (Sloterdijk, 2010; Deleuze e Guattari, 1997; Stiegler, 1994; Serres, 2004; Leroi-Gourhan, 1964), apreendemos que o ancestral humano somente aparece a partir das inovações técnicas e, tão logo, de sua contínua transformação a partir delas. Haveria uma antropotécnica desde sempre; e não exatamente um estágio avançado em que atingiríamos um horizonte “pós” – humano.

[5] O filósofo francês teria se posicionado a partir de hesitações paradoxais, indicando uma dicotomia e incomensurabilidade entre o humano e a técnica. Ele via o paradoxo entre o “destino inumano” e a liberdade humana: o exercício da liberdade humana para incremento constante da maquinação (“informatização do mundo”) implicaria, paradoxalmente, em perda da liberdade humana – automação, ausência do pensar e “eclipse” da liberdade. Isolando e hipostasiando em última instância a tecnociência dos agenciamentos humanos, pensou que, de forma cega e hegemônica, a tecnociência decide sobre o “verdadeiro” e o “justo” – não deixando nenhuma outra alternativa para se pensar as circunstâncias do mundo (Lyotard, 1989; 1987; Sim, 2011; Latour, 1994, p.50). Lyotard se posicionaria, pois, a partir de uma afirmação crítica da escatologia tecnológica, tendo-se encontrado, portanto, em uma hesitação “sem saída”.

[1] Ver, por exemplo: Justus Haucap; Heimeshoff, 2013; Aschoff, 2015; Levy S., 2011.

[2] No Silicon Valley nos encontramos “mergulhado no coração de uma região onde ainda se sonha em mudar o mundo”, esta é a epígrafe do jornalista do Le Monde Jérôme Marin para seu blog de notícias sobre o pólo tecnológico. Não por menos, é lá que se começa a consolidar as novas grandes corporações mundiais (artigo: “Is the Internet driving competition or market monopolization?”); que se “ensina” a construir o futuro (livro: “Notes on Startups, or How to Build the Future”); que se constrói os novos espaços de sociabilidade e trabalho reais/virtuais (artigo: “Le siège social futuriste de Google ne sortira pas de terre”); que se busca construir uma nova “máquina cerebral” (artigo: “Zuckerberg, Musk, and Kutcher Want to Build You a New Brain”); e é, enfim, pensando neste lugar, que o mundo passa a questionar os limites e as desventuras em relação ao progresso, suas escatologias e novas encampações capitalistas (artigos: “Google est-il un libertarien de gauche?”; “Liberté.Liberté. Inegalité. Immortalité” ; “Google, une certaine idéologie du progrès”). Conferir os links: http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10368-013-0247-6; http://zerotoonebook.com/; http://siliconvalley.blog.lemonde.fr/2015/05/07/le-siege-social-futuriste-de-google-ne-sortira-pas-de-terre/; http://www.wired.com/2014/03/vicarious-funding/; http://www.multitudes.net/google-est-il-un-libertarien-de/; http://www.philomag.com/les-idees/dossiers/liberte-inegalite-immortalite-le-monde-que-vous-prepare-la-silicon-valley-10229; http://www.lemonde.fr/economie/article/2013/09/26/google-une-certaine-idee-du-progres_3485155_3234.html.

[3] No campo físico-matemático, o termo singularidade é parâmetro de performatividade de uma resolução ou de um fenômeno. Refere-se a um estado singular, peculiar, incomum ou anormal, em que todas as linhas se colocam paralelas gerando um evento infinito ou que tende ao infinito e à incomensurabilidade. Na matemática, especificamente, condiz com o valor ou com o intervalo de valores de uma função para a qual não existe uma derivada. Na física, condiz com um ponto ou região no espaço-tempo em que as forças gravitacionais fazem a matéria ter uma densidade infinita (exemplo clássico: os buracos negros). A singularidade marca um sentido importante, portanto: o da transição entre dois mundos ou dois domínios em um ponto ou instante, tendo um valor de quebra, de cisão. É um termo que define aceleração dos processos e colapso das explicações teóricas tradicionais, sucumbindo assim as possibilidades de cognição – avaliação, previsão – por meio dos instrumentos e leis da matemática e da física.

[4] Segue uma recuperação rápida de cientistas importantes que versaram a respeito. Alan Turing (1912-1954): em 1951 escreve artigo intitulado Maquinaria inteligente: uma teoria heterodoxa (Intelligent Machinery: A Heretical Theory), no qual afirma que as máquinas irão, cedo ou tarde, ultrapassar a inteligência humana: “uma vez que se tiver completado o método da máquina de pensar, não levará muito tempo para que esta máquina ultrapasse nossos fracos poderes […]. Em algum momento, portanto, nós poderemos esperar que as máquinas tomem controle, do mesmo modo que mencionou Samuel Butler [1835-1902, escritor de ficção-científica] em Erewhon [1872]”; John von Neumann (1903-1957): certa vez, escreveu: “a cada progresso acelerado da tecnologia […] temos a impressão que se a aproxima uma singularidade essencial na história da tecnologia para além do humano […]. Singularidade será o momento no qual a tecnologia irá se tornar incompreensivelmente rápida e complicada” (ver: Ulam, Stanislaw, Tribute to John von Neumann, 1958); Venor Vinge (1944-): desenvolveu o conceito de singularidade em seu ensaio Coming Technological Singularity (1993): “Dentro de 30 anos, teremos os meios tecnológicos para criar inteligência super-humana. Pouco depois, a era humana estará encerrada. […] Eu acho que é justo chamar este evento de uma singularidade. Este é um ponto onde nossos modelos deverão ser descartados e uma nova realidade irá tomar conta. À medida que caminhamos cada vez mais perto deste ponto, a singularidade irá se mostrar gigantesca para as dimensões humanas até que isto se torne senso comum. No entanto, quando ela finalmente chegar, ainda poderá ser uma grande surpresa e uma enorme desconhecida”.

[5] Em The Singularity is Near (Kurzweil, 2005, p.25), o autor escreve: “O que é, portanto, Singularidade? É um período futuro durante o qual o ritmo da mudança tecnológica será tão rápido, o seu impacto tão profundo, que a vida humana irá irreversivelmente ser transformada. Embora nem utópico ou distópico, esta época irá transformar os conceitos que utilizamos para dar sentido às nossas vidas, dos modelos de negócios aos ciclos da vida humana, inclusive a própria morte”.

[6] “O real precisa ser ficcionado para ser pensado. Essa proposição deve ser distinguida de todo o discurso — positivo ou negativo — segundo o qual tudo seria ‘narrativa’, com alternâncias entre as ‘grandes’ e ‘pequenas’ narrativas. […] Não se trata de dizer que tudo é ficção. Trata-se de constatar que a ficção […] definiu modelos de conexão entre apresentação dos fatos e formas de inteligibilidade que tornam indefinida a fronteira entre razão dos fatos e razão da ficção […]. Escrever a história e escrever histórias pertencem a um mesmo regime de verdade” (Rancière, 2009, p.54).

[7] Cada vez mais abundantes, os estudos críticos acerca das novas materializações midiáticas (Crary, 2013; Bifo, 2013; Malabou, 2009; Terranova, 2014; Morozov, 2015; Pariser, 2011; Evangelista, 2011; Lanier, 2000; 2013) evidenciam – centralmente e a despeito de suas diferentes posições filosóficas, científicas e políticas – que a promoção de descentralizações midiáticas do atual capitalismo vem, ao mesmo tempo, conformar novos controles (cognitivos, neuropoder etc.) na população, garantindo o livre e acelerado desenvolvimento do capitalismo e seus ideais corporativos, hiperliberais. (Cabe aqui salientar que, em nossa atitude compreensiva das teorias tecnopolíticas, não nos importa exatamente na pesquisa investigar em pormenores a “filosofia” de Kurzweil ou pesquisar e denunciar o biopoder ou a economia política do novo capitalismo midiático. Precisamente, importar-nos investigar e demarcar, a partir de uma periodização, os principais sentidos e interesses (convicções, crenças, valores) das redes de discursos que instituem e sustentam um novo ideário tecnopolítico, que advogaria uma noção de singularidade enquanto hispostasia e determinismo tecnológico, imputando uma cultura política tecnocrática-escatológica despolitizadora do mundo, na verdade).

[8] Fukuyama (1992, p.16) escreve: “Contudo, embora a ciência natural nos conduza até os portões da Terra Prometida da democracia liberal, não nos leva à Terra Prometida propriamente dita, uma vez que não existe nenhuma razão economicamente necessária para que a industrialização avançada produza a liberdade política”. Derrida comentaria da seguinte maneira esse trecho: “[…] Se levarmos em conta o fato de que Fukuyama associa um certo discurso judaico da Terra Prometida à impotência do materialismo economicista ou do racionalismo da ciência física; se levarmos em conta o fato de que, noutra parte, ele trata como exceção negligenciável o fato de que isto, a que chama tranquilamente ‘o mundo islâmico’, não faça parte de um ‘consenso’ geral que, segundo ele, parece tirar como consequência a ‘democracia liberal’, pode-se formular uma hipótese, ao menos, a partir do ângulo que Fukuyama escolhe privilegiar no triângulo escatológico. O modelo de Estado liberal que ele reivindica explicitamente não é somente o de Hegel, do Hegel da luta pelo reconhecimento, é o de um Hegel que privilegia a ‘visão cristã’ […]. Esse fim da história constitui essencialmente uma escatologia cristã” (Idem, Ibidem).

[9] “[…] Valeria mais a pena perguntar-se por que esse livro, com a ‘boa nova’ que pretende trazer, tornou-se semelhante gadget midiático, e por que faz furor em todos os supermercados ideológicos de um Ocidente ansioso. Compra-se esse livro, aí, como se corre atrás de açúcar e de óleo, quando estes ainda restam, aos primeiros rumores de guerra. Por que essa ampliação midiática? E como um discurso desse tipo é buscado por aqueles que só cantam a vitória do capitalismo liberal e de sua aliança predestinada com a democracia para dissimular, e primeiramente a si mesmo, que, em tempo algum, esse triunfo esteve mais ameaçado, nem foi tão crítico, frágil, e até mesmo, sob certos pontos de vista, catastrófico, e mais enlutado?” (Derrida, 1994, p.90)

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